Capítulo 144 — Calmaria Antes da Tempestade
Adrian Foley
Ao cruzar as portas da mansão no início daquela noite, o som suave de conversas e risadas vindas da sala de estar serviu como um bálsamo instantâneo contra a tensão acumulada do expediente.
Encontrei Victoria sentada no sofá ao lado de Aline, Catharina e Lyu, com uma xícara de chá nas mãos e a expressão genuinamente relaxada. Ver a minha mulher acolhida daquela forma dissipava qualquer peso nos meus ombros.
— Boa noite, meninas — cumprimentei, me aproximando.
Victoria ergueu o rosto, com os olhos castanhos brilhando de forma carinhosa ao me ver.
— Boa noite, amor.
Deixei um beijo suave no topo da cabeça dela e subi as escadas em direção à nossa suíte. Liguei o chuveiro, deixando a água quente lavar o cansaço do corpo e clarear os meus pensamentos.
Quando saí do banheiro com a toalha amarrada na cintura, dei de cara com a Victoria encostada na cômoda, me encarando com aquele olhar sutilmente provocador que sempre fazia o meu sangue esquentar.
— O banho estava bom, senhor Foley?
Me aproximei dela em passos lentos, segurando a cintura macia da minha mulher e a puxando para perto
— Teria sido melhor se tivesse tomado comigo. Mas ainda dá tempo de me compensar.
Ela riu baixinho, apoiando as duas mãos no meu peito úmido.
— Nada disso, Adrian. Termina de se vestir. Eu vou descer na frente para te esperar lá embaixo com os outros.
— Vai me negar um carinho?
— Amor, você não quer só um carinho. Você quer o pacote completo, e isso não vai rolar agora. — a encarei por alguns segundos. — E não faz essa cara de cãozinho abandonado senhor Foley. Se troca e desce.
— Tudo bem. — assenti, mesmo contrariado selando os lábios dela com um beijo rápido antes de ir me vestir.
Vesti uma calça de linho confortável e uma camisa social escura com as mangas dobradas até os cotovelos. Ao descer para o andar inferior, encontrei Thomas, Chen e Andrew integrados à conversa das mulheres na sala de estar. O clima era leve e descontraído.
Poucos minutos depois, passos e vozes animadas ecoaram pelo hall de entrada quando os três casais restantes chegaram praticamente ao mesmo tempo.
Victoria levantou as sobrancelhas, soltando uma risada divertida.
— Por acaso vocês marcaram uma assembleia geral no estacionamento para entrarem juntos desse jeito?
— Pura coincidência operacional. — Henry rebateu com um sorriso largo, abraçando Sara de lado.
Maria apareceu no arco da sala de jantar anunciando que o jantar estava devidamente servido à mesa. Todos nós nos dirigimos até lá e nos acomodamos ao redor dos pratos.
Logo em seguida, o compasso firme da bengala anunciou a chegada do meu avô acompanhado pela tia Marie. O velho puxou a cadeira da cabeceira com a imponência habitual, assumindo o centro das atenções sem perder um segundo.
— Boa noite a todos! Espero que ninguém aqui tenha começado sem o dono da casa.
Tia Marie colocou o guardanapo de linho no colo e balançou a cabeça, encarando a mesa com um ar resignado.
— Se começaram a culpa é toda sua, que ao invés de vir logo para o jantar ficou perdendo tempo vendo catálogo.
— Perdendo tempo? Eu estava era escolhendo com muita atenção as coisas da nossa cerimônia. — meu avô rebateu na hora, fingindo indignação e ajeitando a lapela. — Um casamento como o meu exige pompa, elegância e história. Inclusive, todos vocês aqui estão terminantemente convocados, com direito a trazerem toda a família de Houston!
Henry deu uma risadinha provocativa do outro lado da mesa.
— Senhor Foley, se o senhor quer mesmo a família Sterling inteira presente, é bom começar a mandar construir uma ala nova na mansão. Estamos falando de dezessete casais e pelo menos umas seis crianças correndo pelo jardim.
Meu avô bateu palmas animado, com os olhos faiscando.
— Adoro família grande, rapaz! Pode mandar convidar todo mundo! Avisa a todos eles que este será o casamento do ano em São Francisco! E eu adoro crianças por perto, a Marie também adora, não é verdade, querida?
Tia Marie assentiu, abrindo um sorriso doce.
— Eu realmente amo crianças. Não vejo a hora de ver o meu netinho correndo por esses corredores.
Vovô virou o rosto para ela no mesmo instante, com uma expressão séria.
— Já disse que o título correto é bisneto, mulher teimosa! Você agora é a minha mulher!
A tia Marie pousou os talheres na mesa com um estalo seco, encarando o velho com as sobrancelhas franzidas.
— E por que cargas d'água eu tenho que assumir o seu título de bisavó, e não você assumir o meu posto de avô, Victor?
— Ora, simplesmente porque neto nós já temos! — o velho retrucou apontando a colher diretamente para mim. — E ele está sentado bem ali comendo! Agora, bisnetinho é um cargo absolutamente inédito nesta casa!
As gargalhadas explodiram por toda a mesa de jantar, fazendo até mesmo Thomas e Chen rirem abertamente da teimosia dos dois.
Ao término da refeição, as meninas e o Willian seguiram para a sala de televisão para assistir a um filme e colocar as conversas em dia. Eu, Lucas, Henry, Augustus, Thomas, Chen e Andrew caminhamos até a sala do bar privativo.
Servi doses de uísque para todos, enquanto o silêncio confortável entre nós abria espaço para assuntos mais densos.

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