Capítulo 159 — Rastros na Neblina
Adrian Foley
Uma semana havia se passado desde o pesadelo que quase tirou a Sara de nós no cais de São Francisco.
Sete dias de uma calmaria tensa, mas produtiva. Samuel continuava internado na UTI sob vigilância discreta, reagindo aos poucos aos procedimentos médicos, enquanto Henry e Sara usaram esse tempo afastados da holding para processar o trauma e cicatrizar as feridas mais urgentes.
Hoje, os dois finalmente retomavam a rotina de trabalho na empresa.
No front contra a família de Diana, os caras do Sterling vinham fazendo um trabalho cirúrgico. A equipe do Alex conseguiu interceptar novas transferências bancárias e documentos confidenciais de empresas de fachada que comprovavam o financiamento direto dos atentados pela família dela.
O cerco estava se fechando. Para completar a movimentação na casa, meu avô, com a teimosia e a vitalidade habitual, bateu o martelo e marcou para este próximo fim de semana a cerimônia de casamento dele com a tia Marie.
Terminei de ajeitar o nó da gravata escura diante do espelho e vesti o paletó. Pelo reflexo, olhei para a cama, onde Victoria ainda permanecia deitada sob os lençóis.
Na noite anterior, ela teve um episódio forte de náusea e tontura que me deixou à beira de um colapso. Aline subiu imediatamente, a examinou com a calma de sempre e garantiu que eram apenas sintomas comuns do primeiro trimestre da gestação.
Mesmo assim, meu peito só se acalmaria por completo daqui a dois dias, na consulta pré-natal com ultrassom agendada para acompanhar o desenvolvimento do nosso bebê.
Caminhei até a beirada do colchão e me sentei devagar. Victoria abriu os olhos castanhos devagar, piscando contra a claridade suave da manhã, abrindo um meio sorriso preguiçoso ao me ver pronto.
— Bom dia, senhor Foley... — a voz dela saiu arrastada pelo sono.
— Bom dia, meu amor — respondi baixo, deslizando as pontas dos dedos pelas mechas castanhas do cabelo dela.
Desci a mão com delicadeza por baixo do edredom até repousar a palma aberta sobre o ventre da minha mulher. Curvei o tronco e deixei um beijo demorado e quente bem em cima da curva suave da barriga dela, sentindo um calor inexplicável preencher a minha alma.
— Como acordaram os meus dois amores hoje? — sussurrei contra a pele dela.
— O enjoo passou — ela respondeu, apoiando os cotovelos na cama para tentar se levantar. — Vou levantar para tomar café com você lá embaixo.
Pousei a mão no ombro dela, impedindo o movimento com suavidade.
— Nada disso, senhora Foley. A ordem médica da Aline foi repouso relativo pela manhã. Você vai ficar aí deitadinha bem quietinha. Eu peço para a Maria trazer uma bandeja reforçada aqui no quarto.
Victoria me encarou com um biquinho manhoso nos lábios.
— Adrian, você vai me mimar tanto nessa gravidez que eu não vou querer mais sair desta cama.
— Essa é a intenção — ri baixo, inclinando o rosto para beijar a ponta do nariz dela e descendo para selar os lábios macios da minha esposa em um beijo terno.
Ela soltou uma risadinha gostosa, deslizando as mãos pelas lapelas do meu paletó.
— Continua me beijando desse jeito que eu te puxo de volta para debaixo desse edredom agora mesmo. E garanto que nem você sai dessa cama hoje.
— Olha que a tentação é gigantesca, amor — sorri contra a boca dela, segurando a cintura macia. — Mas eu tenho a primeira reunião de alinhamento com os novos investidores às oito e meia na holding e não posso atrasar de jeito nenhum.
Ela suspirou, fingindo uma desolação dramática.
— Que homem responsável, chato… e meu.
— Só seu…
— E pela garantia da sua integridade física, que continue assim. Só meu! — ela disse com firmeza.
— Eu te amo, sabia? — falei, encarando o fundo dos olhos castanhos dela.
Victoria soltou o ar devagar, fechando os olhos por um segundo com um sorriso que iluminava o quarto inteiro.
— Eu amo ouvir você dizer isso... É a melhor parte do meu dia.
Ergui uma sobrancelha, fingindo indignação.
— Fico lisonjeado em saber que você gosta, querida. Mas você sabe que, pelas regras da boa convivência, quando um homem diz que te ama, a resposta padrão esperada é um "eu também te amo", não é?
Victoria caiu na gargalhada, um som limpo e doce que preencheu a suíte. Ela passou os dois braços ao redor do meu pescoço, puxando o meu tronco para baixo e colando a testa na minha.
O olhar dela perdeu o tom de brincadeira, assumindo uma profundidade que acelerou o ritmo do meu coração.
— Eu te amo, Adrian Foley. Amo você pelo homem incrível que você é, pela forma como cuida de mim, como protege a nossa família e como faz o meu coração bater acelerado todos os dias, exatamente como no primeiro instante em que te vi. Você é o meu porto seguro, o amor da minha vida inteira e o melhor presente que este mundo poderia me dar. Eu amo você hoje, vou amar amanhã e em cada segundo da minha existência.
Fiquei estático por alguns instantes, engolindo em seco o nó de pura emoção que travou a minha garganta diante daquela entrega. Aproximei a boca e a beijei com fervor, um beijo profundo que misturava paixão e devoção.
Quando nos separamos pela falta de ar, encostei o queixo no ombro dela, soltando uma risada rouca.

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