Capítulo 158 — Nunca abandonar…
Sara Olsen
Eu não respondi meu amigo de imediato, então ele continuou:
— Quero que me prometa que não importa o que aconteça, não importa para onde você tenha que ir ou o tamanho da merda que aparecer na sua frente, você me avisa! Porque se for pra surtar, a gente surta junto. Se for pra apanhar, a gente apanha junto. E se for pra descer a porrada num bando de cretinos mal vestidos, a gente dá uma surra neles de salto alto e tudo! Ficou claro?
Não aguentei e soltei uma risada gostosa no meio das lágrimas, balançando a cabeça.
— Ficou claríssimo, Will. Eu prometo.
Ele me puxou de volta para o peito, beijando a minha testa.
— Eu tô com você, Sarinha. Sempre. Agora que tenho vocês na minha vida eu não largo nunca mais.
— Acho bom mesmo! — Vic disse fazendo todos rirem.
Depois que o ar se acalmou, nós cinco descemos juntos a escadaria da mansão.
Na sala de jantar, a mesa estava farta e o clima era acolhedor. Assim que pisamos no térreo, Aline, Catharina e Lyu se aproximaram. Cada uma delas me abraçou com um carinho genuíno, perguntando com delicadeza como eu estava me sentindo e me transmitindo uma força feminina que aqueceu o meu peito.
— Estou bem melhor, meninas. De verdade, obrigada pelo cuidado. — agradeci com sinceridade.
O barulho de passos no piso de madeira anunciou a aproximação da tia Marie. A senhora caminhou até mim com passos calmos e um semblante doce.
— Minha querida... Me perdoe por não ter descido ontem à noite pra te receber. Mas você sabe como é, velho dorme cedo e não aguenta vigília. Mas vê-la bem depois de tudo que Victor me contou, aquece meu coração.
Sorri com ternura diante da doçura dela.
— Tudo bem, tia Marie. Não se preocupe com isso. E agradeço pelo carinho de sempre .
Ela levou a mão macia até o lado bom do meu rosto, fazendo um afago terno.
— Deus é muito grande, minha menina. E ele é bom o tempo todo, mesmo quando a gente pensa que não. Vai ficar tudo bem. Pode acreditar.
Sorri para suas palavras sentindo as lágrimas se formarem em meus olhos.
— Obrigada, tia Marie. — ela sorriu de volta, secou as lágrimas do meu rosto e depois se afastou.
Nos acomodamos todos ao redor da mesa comprida. Tomamos café juntos em um clima leve, onde as conversas cotidianas ajudavam a dissipar as sombras do dia anterior.
Conforme o café terminava, a rotina foi chamando cada um. Willian, Augustus e Adrian se prepararam para ir à holding. Antes de sair, Adrian parou atrás da cadeira do Henry e da minha, apoiando as mãos nos nossos ombros.
— Henry, Sara... Vocês dois estão dispensados do expediente hoje. Não quero ver nenhum dos dois pisando na empresa. Tirem o dia pra descansar e resolver o que precisarem.
— Muito obrigado, Ade — Henry agradeceu com um aceno firme, e eu concordei.
— Obrigada de verdade, Adrian.
Lucas e Natalie se despediram logo em seguida, seguindo para a empresa dela. Thomas e Chen recolheram pastas e tablets, avisando que precisavam resolver algumas pendências operacionais externas antes do almoço.
Quando a sala ficou mais vazia, me virei para o Henry.
— Amor... Você me leva ao hospital agora?
Ele me olhou com compreensão absoluta.
— Claro, princesa. Vamos lá.
Entramos no carro dele e pegamos o caminho para o Hospital. O trajeto foi silencioso, mas a mão dele esteve entrelaçada na minha durante todo o percurso, o polegar dele acariciando os meus nós dos dedos com paciência infinita.
Ao chegarmos à recepção da UTI no quarto andar, encontramos Andrew sentado na sala de espera. O semblante dele mostrava o cansaço de uma noite em claro, mas a postura continuava impecável.
— Henry. Sara — ele se levantou, nos cumprimentando com um aceno respeitoso. — A noite foi estável. O Samuel continua sedado, os parâmetros vitais estão controlados e a equipe médica está fazendo um trabalho impecável. Nenhuma intercorrência grave desde a cirurgia.
Apertei o braço do Andrew, a gratidão quase me sufocando.

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