Capítulo 161 — Teimosa Foley.
Adrian Foley
Quando Austin estacionou no subsolo da matriz, desci ainda com a cabeça a mil.
Peguei o elevador para o trigésimo andar, o ar corporativo me recebeu em cheio. Ao sair no corredor executivo, Henry, Augustus, Willian e Sara já estavam acomodados na antessala, organizando pastas e conferindo as primeiras demandas do dia.
Sara ergueu o rosto e me deu um sorriso tímido. O hematoma na bochecha esquerda dela quase não se notava mais sob a maquiagem leve, mas o olhar dela carregava a maturidade de quem sobreviveu a uma guerra.
— Bom dia a todos — cumprimentei, parando diante da bancada. Olhei diretamente para a Sara e para o Henry. — É muito bom ter vocês dois de volta.
— Obrigado, irmão. Por tudo, de verdade. — Henry respondeu com um meio sorriso, ajeitando a gola da camisa.
Acenei ao meu amigo com um sorriso, depois me voltei a Sara:
— Como estão as coisas no hospital, Sara? O Samuel teve alguma evolução essa noite?
Ela suspirou de leve, mas sustentou o olhar com firmeza.
— Ele continua sedado na UTI, Adrian, mas os médicos disseram que os parâmetros renais deram uma leve estabilizada nas últimas horas. Ele está lutando a cada dia.
— E vai continuar lutando — assenti com sinceridade. — Qualquer coisa que precisarem do hospital, me avisem.
Entramos todos na minha sala para a reunião matinal de alinhamento. Augustus repassou os relatórios pendentes, Sara demonstrou uma agilidade impecável na triagem dos contratos prioritários, e nós definimos as diretrizes para os próximos dias.
— Eu vou para casa no horário do almoço — avisei ao fechar uma pasta de couro. — Victoria não passou muito bem ontem à noite e quero acompanhar de perto. Mas volto por volta das duas para revisar os últimos anexos da filial com você, Augustus.
— Sem problemas, Ade — Augustus anotou na agenda. — Deixo tudo pronto na minha mesa.
Henry se inclinou sobre a poltrona, lembrando.
— Não se esqueça do jantar com os novos investidores alemães hoje à noite, Adrian. Oitenta por cento das cotas daquele fundo de logística dependem dessa conversa informal. Preciso confirmar a reserva.
— Confirma. E coloca a Victoria na lista também — instruí. — Quero você, a Sara, o Willian e o Augustus com a gente. Faz uma mesa reservada e ampla.
— Perfeito. Vou ligar agora para o restaurante, fechar a sala privativa e repassar os nomes na portaria — Henry assentiu.
A manhã passou em um ritmo alucinante de telefonemas internacionais, assinaturas de atas e cobranças operacionais. Perto do meio-dia, guardei a caneta, tranquei o cofre de documentos da minha mesa e me despedi do Henry no corredor, pegando o caminho de volta para casa.
No trajeto, a imagem da Victoria pálida na noite anterior não saía da minha cabeça. O trânsito de São Francisco pareceu arrastado demais até que o carro finalmente cruzou os portões da mansão.
Assim que empurrei a porta principal e entrei no hall, dei de cara com a Aline descendo o último lance de escadas, segurando um estetoscópio.
— Adrian — ela chamou em tom baixo, vindo na minha direção.

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