Capítulo 162 — Minhas prioridades
Adrian Foley
Depois que a tia Marie saiu, permaneci sentado ao lado da Vic a admirando. Minutos depois, Maria e uma das copeiras entraram trazendo bandejas de prata com pratos leves, salada fresca, um grelhado impecável e suco natural.
Elas organizaram tudo sobre a mesinha redonda perto da janela.
— Precisa de mais alguma coisa, meu garoto? — Maria perguntou em tom maternal.
— Não, Maria. Está perfeito, muito obrigado.
Elas saíram. Tirei o paletó e o joguei sobre uma poltrona; afrouxei a gravata, puxando-a pelo colarinho, e abri os três primeiros botões da camisa social para conseguir respirar com mais liberdade. Tirei os sapatos e me deitei ao lado da Victoria, puxando o corpo quente dela para o meu peito.
Passei a ponta do nariz pela bochecha suave dela, distribuindo beijos leves na têmpora e na curva da orelha.
— Victoria... Amor... Acorda, princesa.
Ela soltou um resmungo manhoso e inaudível contra o meu ombro, franzindo o nariz sem abrir os olhos. Ri baixinho da carinha dela, inclinei a cabeça e juntei os meus lábios nos dela em um selinho demorado e doce.
Victoria abriu as pálpebras devagar, os olhos castanhos piscando contra a claridade antes de focarem em mim.
— Oi, amor... — a voz saiu rouca, carregada de sono.
— Oi, minha vida — passei a ponta do meu nariz no dela, roçando com carinho.
Ela abriu um sorriso preguiçoso, passou as mãos pelo meu pescoço e me puxou para um beijo de verdade. Foi um beijo lento, gostoso, cheio de saudade e cumplicidade que fez todo o estresse da manhã desaparecer do meu corpo.
Quando nos separamos pela falta de ar, mantive a mão espalmada na bochecha dela.
— Como você está se sentindo, meu amor? Aline me contou da pressão baixa.
Victoria suspirou, afundando um pouco o rosto no travesseiro.
— A manhã foi um pouquinho pesada... Fiquei bem enjoada depois que você saiu, e a minha cabeça parece que está flutuando dentro de um balão de tão leve. Mas agora estou melhor.
Franzi a testa de leve, mantendo o tom carinhoso, mas sério.
— E por que você não me ligou no primeiro sinal de tontura, Victoria? Por que ficou sofrendo aqui quieta?
Ela desviou os olhos com timidez, alisando a manga da minha camisa.
— A Sara me disse que você tinha reuniões importantes com diretores internacionais... Eu não queria te incomodar por causa de um enjoo bobo, Adrian.
Segurei o queixo dela com os dedos, obrigando-a a me encarar nos olhos.
— Escuta muito bem o que eu vou te dizer agora, Victoria Foley: você e esse bebê que está crescendo aí dentro nunca, em hipótese alguma, vão me incomodar. Vocês são a prioridade absoluta da minha existência. Se a empresa estiver pegando fogo e você espirrar com dor de cabeça, a empresa que espere. Da próxima vez que sentir qualquer coisa fora do normal, você pega o telefone e me liga no mesmo minuto. E se eu não atender na primeira tentativa, liga para o Henry, para o Augustus ou para o Willian para que eles arrombem a porta da minha sala e me avisem. Ficou claro?
Uma lágrima teimosa escapou do canto do olho dela, brilhando na bochecha pálida. Limpei a umidade com a ponta do meu polegar, preocupado.
— Ei... O que foi, minha vida? Falei alguma coisa errada?
Ela riu baixinho no meio do choro, balançando a cabeça.
— Não, amor... É que eu ando sensível demais com qualquer coisa. A Aline disse que as alterações hormonais deixam as emoções à flor da pele mesmo.
— Então chora à vontade, minha chorona linda — dei mais um selinho demorado na boca dela. — Agora vamos levantar que o nosso almoço está quentinho nos esperando ali na mesa.
Fiquei de pé ao lado da cama. Quando Victoria sentou na borda do colchão e ameaçou colocar os pés no chão, fui mais rápido: passei um braço pelas costas dela, o outro por baixo dos joelhos e a ergui de uma vez só no meu colo.
— Adrian! — ela soltou uma risada surpresa, passando os braços ao redor do meu pescoço e aninhando a cabeça no meu peito. — Eu sei andar, senhor Foley! Minhas pernas funcionam perfeitamente!
— Eu sei que funcionam, senhora Foley — respondi, deixando um beijo na têmpora macia dela enquanto caminhava até a mesa. — Mas enquanto a sua pressão estiver baixa, você é meu pacote particular.
A acomodei com delicadeza na cadeira acolchoada e me sentei ao lado dela. Começamos a comer. O apetite dela ainda estava tímido, então puxei o prato um pouco mais para perto, cortei pequenos pedaços do grelhado e levei o garfo diretamente à boca dela.
— Abre a boca, amor.

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