Capítulo 167 — Apenas começando
Adrian Foley
Henry e eu trocamos um olhar rápido e cortante por cima das taças. Aquele atraso ou ausência não cheirava nada bem. Assim como esse cumprimento dedicado exclusivamente a mim.
Mesmo eu sendo o CEO da holding, isso soou extremamente suspeito.
— Agradeça, por gentileza, os cumprimentos. — tentei passar firmeza nas minhas palavras.
— Assim o farei, senhor Foley. — Assenti e retomamos o foco principal, o jantar.
Aproveitei o momento em que Dieter conferia uma anotação, tirei o celular do bolso por baixo da borda da mesa e digitei uma mensagem rápida para Chen:
“A mulher não apareceu. Os alemães disseram que ela teve imprevistos. Alguma coisa sobre a Hohenzollern aí?”
O aparelho vibrou na minha palma menos de vinte segundos depois:
“Ainda nada nos registros abertos, Ade. Nenhum visto com esse nome exato entrou pelos aeroportos comerciais nas últimas 48 horas. É como se a mulher fosse um fantasma completo. Mantenha a guarda alta. Nós estamos na porta dos fundos”
Guardei o aparelho e me concentrei no tabuleiro à minha frente.
Os garçons serviram os primeiros pratos com a discrição impecável da casa. Dieter Schmidt cortou um pedaço do bife de wagyu, mastigou devagar e limpou os lábios com o guardanapo de linho antes de puxar a conversa.
— Senhor Foley, precisamos ser francos sobre essa cadeia de terminais logísticos na costa oeste. O valor de entrada está além da média histórica de mercado. A nossa proposta prevê uma redução de doze por cento na margem do ativo para compensar o passivo trabalhista residual.
Apoiei os talheres na borda do prato, encarei Dieter nos olhos e abri um meio sorriso calmo.
— Senhor Schmidt, a média histórica analisa empresas sucateadas. O que a Foley Holding está vendendo é um ativo saneado, com fluxo de caixa positivo há três trimestres consecutivos e capacidade de atracação ampliada em quarenta por cento. Redução de doze por cento nem entra em pauta. Ou vocês pagam o valor integral projetado pelo Ebitda deste ano, ou eu coloco o consórcio japonês na mesa amanhã às nove.
Klaus pigarreou, ajeitando os óculos no nariz com a postura rígida de auditor:
— Bem, se mantivermos esse valor de fechamento sem concessões, nós exigimos uma cláusula de risco cambial vinculada à volatilidade do euro nos próximos vinte e quatro meses. Uma margem de flutuação de sete por cento com cobertura direta da sua holding.
Augustus tomou um gole de água, largou a taça com um estalo suave e se inclinou para a frente.
— Sem chance, senhor Klaus. O artigo trigésimo segundo da convenção comercial das Nações Unidas que rege contratos internacionais de infraestrutura é taxativo: em compras à vista com liquidação imediata por fundos soberanos, o risco de hedge cambial pertence inteiramente à compradora a partir da emissão da carta de crédito irrevogável. Se quiserem essa cláusula, a minuta inteira cai na corte de arbitragem de Haia. E nós dois sabemos quem perde tempo e dinheiro lá.
Klaus piscou algumas vezes, engoliu em seco e trocou um olhar derrotado com Dieter.
— Entendo a sua colocação técnica, doutor...
— Maravilhoso — William interveio de imediato, balançando a taça de espumante com um sorriso debochado. — Nada como um choque de artigos jurídicos para abrir o apetite de um alemão antes do risoto esfriar. Senhor Dieter, relaxe os ombros. Juro que o Augustus morde apenas sob encomenda.

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