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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 46

Capítulo 46 — Aceita o cargo?

Victoria Clark

Fiquei esperando a resposta do Adrian, mas ela não veio em palavras. Ele me puxou pela cintura com força e me entregou um beijo rápido, mas carregado de uma promessa densa.

Quando nos separamos por falta de ar, Adrian ergueu o polegar e acariciou a minha bochecha com uma delicadeza que me desarmou por completo, antes de decretar.

— Estamos conversados, senhora Foley.

Não consegui resistir ao ver o brilho nos olhos dele e me inclinei, dando outro beijo estalado nos seus lábios antes de finalmente nos ajeitarmos para sair do veículo.

Assim que abrimos as portas do carro, Henry já nos aguardava na calçada. Seguimos os três lado a lado para dentro da empresa. Liam Hamilton, já nos esperava posicionado logo após as portas giratórias da portaria, pronto para nos guiar no tour oficial pelos andares.

Passamos de setor em setor durante as duas horas seguintes. O trajeto foi um verdadeiro teste para a minha paciência. Adrian caminhava mantendo a sua habitual cara séria, gélida e impenetrável de sempre, enquanto Henry desfilava ao lado ostentando um sorriso fácil para os funcionários.

Eu, por outro lado, fiquei apenas observando a postura das funcionárias assanhadas das baias, que praticamente se jogavam de peito aberto em cima do Adrian por cada corredor onde ele passava, inventando dúvidas idiotas apenas para prender a atenção dele.

Isso porque esse cretino fez questão de me garantir mais cedo que eu não poderia ser copeira porque na empresa havia exponencialmente mais homens do que mulheres no quadro de funcionários.

Ou o senhor Foley não tinha a menor noção da realidade da empresa que comprou, ou aquelas mulheres tinham brotado diretamente dos ralos do prédio de tanta assessora e secretária de pernas de fora que surgiu do nada para secá-lo com os olhos.

Quando o tour técnico pelos andares finalmente acabou e a diretoria se recolheu, voltamos aos nossos respectivos afazeres na ala presidencial. E a minha primeira e mais urgente missão como nova assistente pessoal do CEO era, justamente, arrumar uma secretária definitiva para cuidar da rotina do Adrian.

Me instalei em uma das salas de reunião menores, com uma pilha de pastas do RH, e dei início às entrevistas.

— Então... — comecei a falar em um tom calmo, abaixando o currículo impresso da morena que estava sentada na cadeira estofada bem na minha frente. — Você está me dizendo que está genuinamente disposta a abrir mão do seu cargo atual de encarregada sênior do departamento de contabilidade da filial, apenas para se tornar a nova secretária do senhor Foley?

Levantei os meus olhos para encará-la bem no fundo dos olhos, estreitando o olhar antes de concluir.

— Você não acha que mudar para uma função de secretariado é um cargo simples e inferior demais para o seu histórico, considerando a sua experiência técnica com auditoria?

A mulher me encarou com os olhos arregalados, como se eu tivesse acabado de proferir o maior e mais ultrajante absurdo do mundo corporativo.

— Vic... — ela soltou o nome, parando no meio da frase com audácia, antes de corrigir a postura e continuar — Quer dizer, eu posso te chamar de Vic, não é? Ouvi o senhor Reeves usando esse apelido.

Eu apenas assenti com um aceno sutil e condescendente de cabeça, me recostando na cadeira para ver exatamente até onde aquela conversa fiada iria chegar.

— Ser a secretária pessoal do CEO de uma holding bilionária como o senhor Adrian Foley não é apenas um cargo comum de escritório, Vic. É a verdadeira porta de entrada para o mundo... — ela gesticulou com as mãos no ar, fazendo um sinal dramático de explosão com os dedos, sorrindo de orelha a orelha.

Balancei a cabeça de leve, segurando o sarcasmo na ponta da língua, antes de responder com uma voz mansa.

— Entendi perfeitamente o seu ponto. Então você quer desbravar e conhecer o mundo através do senhor Foley? É isso?

A contadora assentiu prontamente com um aceno firme e um sorriso cheio de segundas intenções. Me debrucei sobre a mesa de madeira, juntando as minhas mãos, e encarei o decote dela antes de perguntar em um tom confidencial.

— E me diz uma coisa... Não seria consideravelmente mais fácil, rápido e prático você comprar uma passagem de avião de classe econômica, ou quem sabe partir em um cruzeiro de férias pelas Bahamas? Assim você pode dar a volta ao mundo com facilidade.

A morena piscou freneticamente os olhos, completamente sem graça e perdida com o rumo do diálogo.

— Como é que é? O que você quer dizer com isso?

Dei um sorriso de canto, assumindo o controle da situação.

— Meu bem, me deixe te esclarecer uma coisa: este é um cargo de secretária executiva interna, e não de agente de viagens internacionais. O senhor Foley precisa urgentemente de alguém competente que cuide da organização da agenda técnica dele de forma estritamente interna, e não de alguém que faça planos pessoais de viagem para ele ou alguém que queira usar a sala dele como trampolim. Acho muito melhor e mais seguro nós mantermos você exatamente no seu cargo atual na contabilidade, lidando com os números, que teoricamente são dinheiro, né?

Eu mantive meus olhos nos dela e não esperei ela responder, então concluí.

— Nós duas sabemos bem que o dinheiro sim abre portas legítimas para o mundo. E preciso te contar, o senhor Foley é tão mão de vaca, mas tão mão de vaca. Que no restaurante hoje, ele mandou juntar o resto dos pratos para levar pra casa. Um cara que embala o almoço, vai mesmo te levar pra rodar o mundo?

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