Capítulo 51 — Lei do retorno
Adrian Foley
Fiquei paralisado por alguns instantes na cadeira, olhando para a madeira fixa... Merda. Será que eu tinha exagerado na dose do troco? Não. De jeito nenhum. Foi ela quem começou toda aquela palhaçada com a minha reputação.
— Senhor Foley? — a voz mansa de Mallory chamou a minha atenção de volta para a sala.
Ajeitei a minha postura no terno, recuperando a máscara de CEO de ferro.
— Bem, senhorita White... O expediente de hoje está formalmente encerrado. O Henry vai cuidar de toda a sua integração burocrática para que a senhora comece as suas funções amanhã cedo.
Fiz um sinal curto com a cabeça apontando para a saída. Ela olhou para a porta e depois voltou os olhos para mim, visivelmente confusa com o clima tenso que havia se instalado, mas não comentou nada.
— Tudo bem, senhor. Agradeço muito pela oportunidade de ouro. Garanto que não vou decepcioná-lo em nada.
Assenti com um aceno rígido de cabeça. Ela pegou a sua bolsa de lado, me deu um último sorriso ensaiado e saiu do recinto. Assim que a porta de madeira se fechou por completo, peguei o meu celular de cima da mesa e disparei uma mensagem rápida para o Henry:
“Victoria?”
Ele respondeu quase no mesmo segundo: “Ela acabou de se despedir da amiga Sara na recepção e já está te aguardando aqui dentro do carro.”
Respondi somente um “ok” curto. Terminei de recolher os meus pertences, ajeitei o paletó e desci pelo elevador privativo direto ao subsolo para encontrá-los. Entrei no banco traseiro do carro e ela sequer se deu ao trabalho de virar o rosto para me olhar. Continuou com os olhos fixos na janela.
Lancei um olhar firme para Henry pelo espelho retrovisor interno, que logo entendeu o recado perfeitamente e apertou o botão, subindo a divisória escura e nos dando total privacidade atrás.
Me aproximei do corpo dela pelo estofado de couro e depositei um beijo suave no seu ombro coberto pela alfaiataria.
— Está tudo bem, querida?
Mantendo os olhos cravados na paisagem urbana do lado de fora, ela apenas me respondeu com um som abafado.
— Hum-hum.
E aquilo mexeu seriamente com os meus nervos. Eu estava totalmente preparado para um confronto barulhento sobre a contratação da Mallory, uma discussão armada sobre os boatos na empresa, mas nada aconteceu.
Ela permaneceu em um silêncio sepulcral durante todo o trajeto.
Chegamos à cobertura e fomos prontamente recebidos pela Vera no saguão de entrada. A governanta veio rapidamente na nossa direção para ajudar Victoria com as sacolas de grife do shopping, mas ela recusou o toque de imediato com um sorriso mas um tom firme, dizendo que ela mesma podia levá-las para o quarto.
Em seguida, a governanta se voltou para nós e perguntou polidamente:
— O que os senhores gostariam que eu preparasse para o jantar de hoje à noite?
— Vera, isso é estritamente com o senhor Foley — Victoria cortou, a voz fria. — Pois eu irei jantar fora hoje à noite com alguns amigos meus.
Olhei para o perfil dela e só ali, com um estalo incômodo, é que a ficha realmente caiu na minha mente: Lucas. Ela iria jantar com o maldito do Lucas Avery.
Sem dizer mais nada, ela marchou em direção ao quarto dela e eu a segui logo atrás, pisando firme no assoalho.
Ela jogou as sacolas de roupas sobre o colchão da cama de casal e eu parei bem atrás das suas costas, estendendo os braços e a abraçando fortemente por trás, prendendo o corpo dela contra o meu peito.
— Diz logo qual é o problema, Victoria — ordenei baixo.
Ela soltou uma bufada pesada de frustração em resposta, mas, para o meu alívio, não fez menção de empurrar os meus braços ou de me afastar do seu espaço.
— Sério... Me diz — pedi, inclinando o rosto e distribuindo um beijo demorado na curva macia do seu pescoço.
Victoria cedeu ao toque, virando o corpo devagar dentro dos meus braços para ficar de frente para mim, colando os nossos peitos.
— Você contratou aquela mulher de propósito só para me atingir, não foi, Adrian?
Mantive meus olhos cravados fixamente nos dela e respondi com total franqueza.
— Eu precisava urgentemente de uma secretária executiva para a transição, Victoria. E ali na filial eu obviamente não conseguiria uma candidata qualificada, já que você fez o imenso favor de espalhar pela empresa inteira a notícia de que eu sou a porra de um gay mão de vaca.

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