Capítulo 60 — “Desde quando”
Adrian Foley
Victoria havia acabado de convencer o vovô a entrar e a minha profunda admiração e gratidão por ela só cresciam a cada segundo.
Caminhávamos em direção ao interior da mansão quando ela parou abruptamente no meio do caminho e, claro, mesmo sentindo uma dor visível, ela não conseguiu se segurar e teve que me dar uma resposta cheia de deboche.
Mas a ironia não me incomodou nem um pouco. O que mexeu de verdade com as minhas estruturas, fazendo o meu sangue congelar por um instante, foi a forma natural e espontânea como ela me chamou: "amor".
Soou tão natural, como se fosse o certo, como se fôssemos aquilo desde sempre. E o pior, ou o melhor, de tudo aquilo é que eu adorei ouvir aquela palavra saindo dos lábios dela.
Só que a minha alegria durou apenas alguns milésimos de segundo. Logo após pronunciar a frase, os olhos de Victoria nublaram e ela simplesmente desabou no gramado. Num reflexo rápido, amparado pelo puro desespero, eu estendi os braços e a segurei antes que ela atingisse o chão.
— Vic?! Querida, fala comigo! Por favor, acorda! — chamei com a voz embargada, sentindo o corpo dela totalmente mole nos meus braços.
A peguei no colo em um movimento único, o coração batendo na garganta.
— Vamos levá-la para dentro, Ade! Agora mesmo! — meu avô ordenou, a voz trêmula pelo susto, e eu comecei a correr com ela em meus braços em direção à entrada da casa.
Assim que cruzamos as portas duplas do hall, a figura de Maria surgiu apressada na nossa direção.
— Meu Deus, o que houve com ela? — a governanta perguntou, com os olhos arregalados.
Meu avô respondeu rapidamente enquanto eu continuava marchando firme em direção às escadarias que levavam ao andar dos quartos.
— Nós não sabemos, ela simplesmente desmaiou no meio do jardim. Maria, ligue para o Patrick, peça para ele vir imediatamente.
— Vou ligar agora mesmo, senhor Foley — Maria assentiu, correndo para o telefone.
Subi os degraus de mármore praticamente de dois em dois, sentindo o peso da responsabilidade esmagar o meu peito. Fui direto para o meu antigo quarto de solteiro, empurrei a porta e a deitei com o maior cuidado do mundo no meio da cama de casal.
Me sentei ao seu lado no colchão, segurei a sua mão direita entre as minhas e depositei um beijo demorado nos seus dedos frios.
— Vic, acorda... Querida, por favor… acorda. — murmurei.
Meu avô contornou o móvel e parou do outro lado da cama, estendendo a mão e colocando-a com cuidado na testa dela.
— Ela está gelada demais, Adrian. — ele constatou, preocupado. — Ela está doente e você não me contou? — ele perguntou me encarando.
Neguei com a cabeça.
— Ela estava bem, antes de virmos pra cá ela reclamou de dor. Mas eram… eram só cólicas.
Meu avô pareceu não acreditar muito. Mas não disse mais nada.

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