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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 59

Capítulo 59 — O Peso do Sentimento

Victoria Clark

Dei uma última e demorada olhada no Adrian antes de finalmente seguir os passos de Maria pelo corredor largo. Eu não podia negar para mim mesma: o meu peito estava apertado por deixá-lo sozinho ali.

A boca dele dizia com firmeza que ele estava bem, mas os seus olhos azuis o entregavam por completo, transbordando um choque que ele tentava a todo custo mascarar. No entanto, eu também precisava respeitar o espaço e o momento dele a sós com o avô.

Caminhamos em silêncio pela galeria da mansão Foley, um espaço imenso com o teto alto, decorado com obras de arte, quadros requintados e muitas fotografias antigas. Uma moldura em especial chamou a minha atenção no meio do trajeto, me fazendo parar os passos bem em frente a ela.

Na imagem, Adrian aparecia abraçado a uma moça loira, linda, dona de um sorriso encantador e radiante. O que mais me impressionou foi ver que até ele, o meu habitual homem de ferro, sorria abertamente para a câmera.

Maria, notando que eu havia estancado no meio do caminho, deu meia-volta e parou logo ao meu lado, contemplando a imagem com um carinho evidente.

— Essa é a Nat, a nossa menina, no dia do seu aniversário de vinte e um anos — a governanta explicou, a voz mansa.

Virei o rosto para a mulher, sentindo uma pontada sutil e inexplicável no estômago.

— Ela é realmente linda, Maria...

— É sim. A nossa menina é perfeita em tudo — Maria respondeu, e eu consegui detectar um orgulho profundo e velado na sua voz.

Assenti com um aceno curto e voltamos a caminhar. Logo adiante, passamos por outra fotografia, dessa vez um retrato oficial em família. Nela, Adrian ainda era apenas um garotinho pequeno e tinha os pais posicionados ao seu lado.

Sorri de canto ao vê-lo naquela versão miniatura, ostentando uma expressão tranquila e relaxada no rosto, algo que eu raramente tinha o privilégio de presenciar na nossa rotina.

Assim que chegamos à imensa cozinha da propriedade, Maria rapidamente me apresentou aos funcionários que preparavam os insumos do dia. Em seguida, ela deu dois tapinhas leves no estofado de um banco alto que estava posicionado ao lado do balcão de mármore.

— Sente-se aqui, Vic. Vou preparar o seu chá agora mesmo.

Agradeci com um aceno polido e me acomodei no assento. Maria trabalhou com agilidade com as ervas, ferveu a água e em poucos minutos me entregou a xícara fumegante. No mesmo instante, as pontadas incômodas na base da minha barriga pareceram se intensificar de forma violenta, mas fiz questão de ignorá-las.

Com os remédios que eu havia tomado antes de sairmos da cobertura e com o efeito daquele chá quente, provavelmente em mais alguns minutos a dor cederia e eu estaria bem.

Assim que terminei de beber todo o líquido, Maria me olhou com atenção.

— Você está pronta para o tour pela casa, Vic?

— Sim, estou pronta — respondi, guardando a xícara.

— E por onde você gostaria de começar? — ela perguntou, ajeitando o avental.

Olhei através da grande janela de vidro da cozinha, observando a imensidão verde do lado de fora e as flores coloridas que balançavam com a brisa. Me virei para ela.

— Nós podemos começar pelo jardim? Eu gosto muito de flores.

Maria assentiu prontamente e nós seguimos para a área externa. O lugar era monumental, impecável e muito bonito. Havia uma pequena fonte de pedra esculpida bem no centro do gramado e, logo após a estrutura, um caminho de pedras rústicas cortava a propriedade em direção aos fundos.

— Para onde vai aquele caminho ali? — perguntei a Maria, apontando com o dedo na direção das árvores mais densas.

Ela esboçou um sorriso triste, daqueles que passam longe de alcançar os olhos.

— Para onde estão sepultados os pais do Adrian... E a senhora Lucy, esposa do senhor Victor.

Em resumo, o caminho de pedras dava direto no cemitério particular da propriedade Foley.

No mesmo segundo em que a informação foi dita, senti uma tontura leve e súbita nublar a minha mente. Minhas pernas vacilaram e eu precisei me sentar às pressas em um dos bancos de ferro ao redor da fonte para não cair.

— Victoria, você está bem? — Maria perguntou no mesmo instante, aproximando-se com uma expressão nítida de preocupação.

— Sim... É só essa cólica que está me matando. Acho que a tontura deve ser por causa disso — respondi, forçando a voz.

Nesse exato momento, uma das funcionárias da casa veio correndo do corredor interno, buscando orientações urgentes com a governanta. Maria olhou para mim, dividida entre o dever e o meu mal-estar. Dei um sorriso fraco para tranquilizá-la.

— Pode ir resolver as coisas, Maria. Não se preocupe comigo. Eu vou ficar sentada aqui curtindo o sol até melhorar um pouco, prometo.

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