Capítulo 62 — Nunca tinha visto
Victoria Clark
Depois do meu pequeno e embaraçoso desmaio no meio do jardim, Adrian simplesmente assumiu o controle da situação de forma ditatorial.
Ele me obrigou a comer o equivalente a uns dez cafés da manhã reforçados e, para piorar, disse com autoridade que eu não sairia da cama de jeito nenhum até a hora do jantar.
Felizmente, o remédio analgésico que o doutor Patrick passou para mim fez a cólica dar uma trégua absoluta, e um sono pesado e restaurador me tomou praticamente o dia inteiro. Isso, de certa forma, acabou me ajudando a resistir à tortura do castigo imposto pelo meu homem de ferro.
Eu ainda estava navegando profundamente no mundo dos sonhos quando, de repente, senti um aperto firme e possessivo na minha cintura que me trouxe de volta para a realidade.
— Acorda, sua preguiçosa — a voz do Adrian veio baixa, rouca e absurdamente sexy direto nos meus ouvidos. — Você dormiu o dia inteirinho, quero só ver como vai conseguir dormir à noite.
Virei o rosto de leve no travesseiro, abrindo um sorriso sonolento.
— A culpa é inteiramente sua por ter me prendido trancada aqui neste quarto, senhor Foley. Mas pode ficar tranquilo, porque eu tenho excelentes ideias em mente para curtir a minha noite em claro.
Adrian soltou uma risada baixa, o peito colando nas minhas costas enquanto ele me prendia por completo nos seus braços robustos, me trazendo para o seu espaço.
— E por acaso, em alguma dessas suas excelentes ideias noturnas, eu estou incluso, querida?
Girei o meu corpo dentro dos braços dele, ficando finalmente de frente para o seu peito e encarando a imensidão daqueles olhos azuis.
— Amor... Não existe absolutamente nenhuma delas sem você.
Adrian desceu os lábios rapidamente até os meus e me capturou em um beijo. Começamos de forma lenta, saboreando a calmaria, mas o toque foi ganhando uma força e uma urgência absurdas aos poucos.
Num movimento ágil, ele colou as costas no colchão e me puxou para cima do seu corpo musculoso. Prendi a cintura dele com as minhas pernas, me acomodando no seu quadril, e pude sentir perfeitamente sob o tecido o efeito devastador que eu já estava causando nele.
Soltei um gemido involuntário contra a sua boca, mas, para a minha total surpresa, ele interrompeu o contato de repente, afastando os lábios.
— Querida... Eu me odeio profundamente pelo que eu vou te dizer agora, mas... Nós temos que parar por aqui — ele avisou, a respiração curta.
Deitei a minha cabeça confortavelmente na curva do seu pescoço quente, mas fiz questão de me manter montada em cima dele.
— Não tem problema parar agora, nós ainda temos a noite inteirinha pela frente... — respondi manhosa.
Ele riu, virando o rosto de leve e deixando um beijo carinhoso na minha testa.
— O vovô já deve estar nos esperando lá embaixo para o jantar, precisamos descer.
Soltei o ar pelos lábios, o desânimo batendo ao me lembrar de que, antes do meu apagão, o vovô Victor estava completamente destruído e dilacerado no jardim por conta do luto.
— E como ele está agora? — perguntei, mudando o tom de voz para uma preocupação real.
Adrian envolveu os braços com força ao redor da minha cintura, fitando o teto do quarto por um instante.
— Bem dentro do possível, eu acho. E, aparentemente, consideravelmente mais conformado com o baque. Patrick ficou genuinamente preocupado com ele e com a saúde dele devido à idade e o princípio de infarto recente, mas depois que o examinou no quarto e aferiu a pressão, ficou mais tranquilo.
Subi uma das minhas mãos pelo peito dele, deslizando os dedos até pará-los na linha do seu pescoço, e dei início a carinhos lentos e afetuosos na sua nuca, tentando desarmar a tensão dele.
— E você, Ade? Como está se sentindo de verdade com tudo isso?
Ele permaneceu em um silêncio absoluto por alguns segundos longos, digerindo a pergunta, antes de soltar um suspiro:
— Eu não o via já há alguns dias, Vic... O peso real disso me atingiu em cheio quando a realidade da morte bateu na minha cara. Eu havia prometido visitá-lo na semana passada e acabei deixando os negócios da holding ditarem a minha vida inteira, e não cumpri com as minhas obrigações de afilhado.
Continuei as minhas carícias mansas na nuca dele, sentindo nitidamente o peso da culpa e a dor em suas palavras.
— Mas... — ele voltou a falar, desviando os olhos azuis para os meus. — Estou consideravelmente mais tranquilo ao pensar nele agora. O Patrick me garantiu que ele não sofreu no processo; foi um mal súbito, rápido e sem dor. De certa forma, saber disso me acalmou um pouco por dentro. Está doendo, claro... E vai doer para sempre, exatamente como a dor que eu carrego pelos meus pais. Só que, assim como foi com eles no passado, vai ser com o Theodore... Não há mais nada que eu possa fazer de prático a não ser aceitar o fato.
Levantei o meu rosto, passei o meu nariz pela linha forte da mandíbula dele antes de encontrar a sua boca em um beijo lento, terno e carregado de apoio. Quando nos separamos, acariciei o seu rosto.
— Só não esquece de uma coisa, Adrian — falei, o olhar fixo no dele.
Ele estendeu os dedos, tirando com delicadeza uns fios de cabelo que caíam sobre os meus olhos.

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