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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 63

Capítulo 63 — O Furacão e o Flagrante

Adrian Foley

Dormi como uma verdadeira pedra com a Victoria aninhada e protegida em meus braços, mas, ao menor sinal dos primeiros raios solares invadindo o quarto, a realidade me despertou como um raio.

A notificação vibrando na tela do meu celular trazia uma notícia que era, ao mesmo tempo, um alívio e um fardo difícil de carregar: Natalie estava desembarcando em São Francisco.

Me levantei do colchão com o máximo de cuidado para não acordar a minha mulher, que ainda respirava calma nos lençóis. Joguei uma água fria no corpo para despertar os meus sentidos e, logo em seguida, desci as escadarias para encontrar Henry e Wesley, que já me aguardavam de prontidão no hall de entrada da mansão.

— Bom dia, Ade — Henry disse, ajustando a gravata preta assim que pisei no último degrau de mármore.

— Bom dia. Tudo devidamente pronto para o dia de hoje? — perguntei, a voz grave.

Ele assentiu e Wesley deu um passo à frente, segurando um tablet em mãos.

— Bom dia, senhor Foley. A senhorita Weston já está a caminho da propriedade neste exato momento. Como o senhor nos pediu ontem à noite, ela ainda não sabe de absolutamente nada sobre o falecimento do avô.

Soltei o ar pesadamente pelos lábios, me sentindo um completo derrotado por precisar dar aquela pancada nela.

— Eu conversei longamente com o meu avô ontem e achamos melhor poupá-la da notícia enquanto estivesse sozinha em um voo internacional de tantas horas. É melhor que ela receba o impacto em casa.

Wesley assentiu, compreensivo. Logo em seguida, Maria surgiu vindo do corredor da copa, carregando uma bandeja de prata organizada.

— Bom dia, senhores — ela saudou com o semblante contido.

Olhei para a bandeja cheia e franzi o cenho.

— O vovô não vai descer para tomar o café da manhã conosco, Maria?

A governanta acenou de forma negativa, soltando um suspiro preocupado.

— Ele me disse que amanheceu muito indisposto hoje. Rejeitou até mesmo a minha oferta de servir o café direto no quarto dele.

Bufei visivelmente irritado com a teimosia dele antes de dizer:

— Velho teimoso. Sempre o mesmo gênio.

Maria deixou um sorriso malicioso e determinado surgir nos lábios.

— Bem... Patrão teimoso, funcionária consideravelmente mais teimosa ainda. É exatamente por isso que eu estou subindo e levando o café da manhã para ele por minha conta e risco.

Todos nós na sala rimos baixo por um segundo. Mesmo em meio de uma dor tão profunda de luto, a dinâmica e a essência da família Foley não mudavam por nada.

— Obrigado, Maria. De verdade — falei com uma gratidão genuína.

Ela respondeu apenas com um daqueles seus sorrisos acolhedores e maternos de sempre e seguiu para a escadaria.

Poucos minutos depois, um dos seguranças da guarita entrou no hall avisando que o carro com a Nat já havia cruzado os portões da entrada da propriedade. Ajeitei o meu terno preto, respirei fundo e caminhei a passos firmes em direção à porta principal para recebê-la.

O veículo mal estacionou por completo, a porta traseira se abriu abruptamente e um verdadeiro furacão loiro desceu correndo e saltando os degraus na minha direção.

— ADEEEEE!! — ela gritou a plenos pulmões, jogando-se com tudo contra o meu peito.

A segurei no ar e a abracei com força, apertando-a contra mim. Sentir a energia da Natalie ali nos meus braços me deu um certo alívio momentâneo no meio daquele caos.

No entanto, assim que nos separamos do abraço, ela se afastou um centímetro e fez aquela sua típica cara manhosa e mimada de sempre.

— Poxa, Adrian! Ninguém foi me buscar pessoalmente no aeroporto hoje? Nem você, nem o vovô Theodore, e nem mesmo o tio Victor apareceu por lá! Que recepção mais fria é essa?

Senti o meu peito apertar de forma violenta com a pergunta. Ao meu lado, Henry e Wesley tensionaram os ombros visivelmente, desviando os olhos. Natalie, atenta, olhou para o Henry e deu um passo na direção dele, o puxando para um abraço rápido.

— Henry, que saudades de você!

Meu amigo retribuiu o carinho, forçando a voz:

— Eu também estava com saudades, Nat. É bom te ver.

Ela se virou na direção do Wesley em seguida e colocou as duas mãos na cintura, assumindo uma postura de cobrança.

— E você hein, Wes? Ficou todo monossilábico nas nossas últimas ligações e mensagens de texto ontem. O que está acontecendo por aqui, afinal? O meu avô ficou tão bravo assim comigo pelo fato de eu ter exigido voltar de Tóquio mais cedo? Aquele velho ranzinza... E por falar nele, onde ele está? Por que mandou o motorista me trazer direto para a mansão Foley primeiro em vez de ir para a nossa casa?

O meu coração acelerou de uma tal maneira naquele instante que pensei, por um segundo terrível, que ele fosse rasgar o meu peito e saltar para fora.

Dei um passo à frente, coloquei as minhas duas mãos no rosto dela e usei o tom de voz mais calmo e controlado que consegui reunir.

— Meu amor... A gente precisa conversar seriamente, Nat.

Natalie se afastou das minhas mãos por um instante, dando um passo para trás. A expressão dela mudou para uma linha de alerta. Ela me conhecia bem demais, desde a infância, para saber quando eu estava mascarando algo.

— Cadê o meu avô, Adrian? E onde está o tio Victor?

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