Capítulo 78 — Para de me enrolar
Adrian Foley
O meu dia estava indo de mal a pior. Primeiro, enterrei o meu padrinho. Depois, tive que tolerar a presença altamente indesejada do Lucas Avery dentro da minha própria casa. E, para coroar, ainda peguei a Natalie de segredinho e cochichos com a minha mulher, que ela tinha acabado de conhecer.
Felizmente, depois que a Nat nos deixou sozinhos no quarto, a breve discussão que tive com a Vic acabou da melhor forma possível: com ela no meu colo, com as pernas enroladas na minha cintura e rindo abertamente da minha total falta de controle perto dela.
Deitamos na cama e ficamos de "chamego", como ela mesma rotulou, até que o cansaço e o remédio a venceram e ela adormeceu profundamente. Dei um beijo carinhoso em sua testa, a cobri com o edredom e decidi sair para ver como estavam o meu avô e a Natalie.
Assim que saí do quarto, trombei com a Maria no corredor. Ela vinha vindo dos aposentos do vovô e me contou que ele já estava deitado para descansar. Mesmo assim, fiz questão de dar uma rápida olhada nele. Minha passada em seu quarto foi breve; entrei em silêncio, vi que ele estava bem, e embora ele tenha tentado insistir em discutir comigo sobre o Avery, eu logo mudei de assunto de forma cortante, avisando que iria descer para ver a Nat.
Antes de eu sair, o vovô comentou que ela já tinha subido e estava em seu próprio quarto. Notei um sorriso sutil surgindo em seus lábios e um brilho misterioso em seus olhos, mas conhecendo muito bem o histórico do senhor Foley, achei melhor nem perguntar o motivo para não estragar ainda mais o meu humor.
Segui em direção ao quarto da minha irmã de criação. Parei em frente à porta de madeira, bati firme e a chamei. Sem resposta. Bati novamente, com mais força, e aquela falta de retorno começou a me irritar profundamente. Porque, por mais que ela estivesse exausta e dormindo, a Natalie sempre teve um sono incrivelmente leve; na primeira batida ela já teria respondido de imediato.
Além disso, eu jurava que conseguia ouvir sussurros abafados vindos lá de dentro, e a sensação nítida era de que ela definitivamente não estava sozinha naquele cômodo.
"Não pode ser...", murmurei para mim mesmo, a desconfiança assumindo o controle.
Sem esperar mais nenhum segundo, girei a maçaneta e abri a porta com tudo de uma vez. Entrei no quarto vasculhando o ambiente com os olhos, olhei ao redor e a confrontei no mesmo instante. Ela gaguejou para responder e ficou estática, parada ao lado do closet espelhado, ostentando aquela mesma expressão culpada e sem graça de quando era criança.
Eu sabia, com toda a certeza do mundo, que ela estava me escondendo alguma coisa. Fechei a distância entre nós dois a passos largos, encurralando-a com o meu olhar.
— Vamos, Natalie, me diga logo o que está acontecendo? O que você está escondendo? Vai me contar, ou vai me obrigar a descobrir sozinho?
Natalie deu um passo à frente com pressa e envolveu os seus braços ao redor da minha cintura, colando o corpo ao meu.
— Poxa, Ade... Eu não tô escondendo nada de você, juro. Eu só demorei porque estava aqui dentro do meu closet vendo se tinha alguma roupa antiga que ainda me servia... O Wes acabou esquecendo de trazer a minha mala de viagem aqui para o quarto, e eu... Eu só queria tirar logo este vestido preto de luto que me lembra exatamente de onde acabamos de chegar...
Me senti um completo idiota e um monstro insensível ao ouvir as palavras dela. Toda a minha postura rígida desmoronou. A envolvi firmemente em meus braços, apertando-a contra o meu peito, e beijei com total ternura o topo da sua cabeça.
— Me desculpa, minha princesa. Eu ando muito reativo e estressado ultimamente e nem sei direito o porquê. Sinto muito por ter entrado desse jeito, de verdade.
Ela apertou ainda mais os braços ao redor do meu corpo, buscando o meu amparo. Me separei dela apenas o suficiente para que pudéssemos nos olhar de frente.
— Mas e então, você achou alguma coisa que sirva para vestir? Quer que eu te ajude a procurar nas araras?
Fiz menção de soltá-la para caminhar na direção do closet, decidido a ajudar, mas ela soltou um grito agudo que me travou no lugar:
— NÃO!!
Olhei para ela com o cenho completamente franzido, confuso com o espanto dela.
— Não? — ela negou freneticamente. — Natalie, tem alguma coisa nesse closet que eu não possa ver?
— Não... Claro que não. Eu só não… É que, não precisa se preocupar com isso, Adrian. É sério, eu não tenho mais oito anos de idade para você ficar escolhendo e separando as minhas roupas no armário.
Encarei o verde das suas íris com firmeza.

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