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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 2

QUINZE DIAS ANTES...

~ ZOEY ~

Eu estava no nosso quarto na mansão da serra gaúcha fazendo exatamente aquilo que, na minha cabeça, era a definição de paz: skincare antes de dormir.

O banheiro tinha luz amarela, quente, e o espelho grande o suficiente para refletir não só o meu rosto, mas toda a ideia de conforto por trás dele. Toalhas dobradas do jeito certo. Frascos alinhados em bandeja. Um cheiro discreto de sabonete limpo no ar, como se alguém tivesse decidido que “lar” podia ter perfume.

Eu estava com o cabelo preso num coque alto e feio quando pinguei o óleo na palma da mão.

Esfreguei os dedos devagar, sentindo a textura leve, e comecei a massagear o rosto. Era um gesto quase automático, mas eu gostava do ritual. Não pelo milagre prometido em rótulo nenhum; eu gostava porque era uma forma prática de dizer para o meu corpo: acabou. O dia terminou.

A porta abriu atrás de mim, e eu não precisei olhar para saber que era ele.

O Christian tinha um jeito específico de entrar num ambiente. Mesmo quando ele tentava ser silencioso, a presença dele vinha primeiro. Como se o ar decidisse se arrumar.

Eu ouvi o clique suave da porta fechando e o som dele atravessando o carpete. Quando ele chegou perto, senti o calor da pele dele atrás de mim. Em seguida, um beijo no meu pescoço.

A voz dele veio encostada na minha.

— Você é deliciosa o tempo todo… — ele sussurrou, e eu senti o sorriso dele no meu pescoço — mas com esse cheirinho de uva!

Eu ri, e virei o rosto só um pouco, ainda encarando meu reflexo.

— Quer ver? — eu perguntei, e levantei o frasco com a etiqueta simples.

Ele inclinou a cabeça, curioso, como se eu tivesse acabado de apresentar um segredo de estado.

— Óleo de semente de uva — eu anunciei, com orgulho.

— Isso existe? — ele perguntou, e a pergunta tinha aquela surpresa genuína que me divertia.

— Existe e é ótimo — eu respondi. — Leve, não pesa, é cheio de antioxidante. Ajuda a pele a ficar… confortável. E eu gosto porque não parece que eu estou passando uma manteiga no rosto.

Christian fez um som baixo, aprovando, e encostou a ponta do nariz na minha nuca de novo antes soltar uma risada curta.

— Impressionante. A uva trabalha muito.

Eu terminei de espalhar o óleo e peguei a bruma na bancada.

O frasco era pequeno, vidro âmbar, com uma etiqueta que eu mesma fiz no computador e imprimi com uma fonte minimalista, porque eu tinha princípios: se eu vou ser artesanal, eu vou ser artesanal com estética.

Christian viu e estreitou os olhos.

— E isso? — ele perguntou.

— Bruma — eu disse. — Água de uva.

Ele ergueu as sobrancelhas.

— Você está inventando palavras.

— Eu estou criando uma experiência sensorial — eu corrigi.

— Zoey… — ele disse, daquele jeito que parecia ao mesmo tempo aviso e admiração.

Eu sorri e, antes que ele pudesse decidir se iria me impedir, apertei o borrifador na direção dele.

Psh.

A névoa encostou no peito dele e no rosto, e Christian recuou um passo num reflexo exagerado.

— Ei! — ele protestou, rindo.

— Você falou de cheiro de uva — eu lembrei. — Eu só estou te dando um pacote completo.

Christian passou a mão no rosto, cheirou o próprio pulso e ficou parado por um segundo, como se estivesse avaliando um vinho.

— Tá… — ele concluiu. — Isso é bom.

Eu cruzei os braços, satisfeita.

Extra - Capítulo 2 1

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