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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 591

~ BIANCA ~

Estava sozinha na parte de trás da varanda, sentada em um dos bancos de madeira desgastados que ficavam sob a sombra de uma trepadeira antiga. Segurava uma caneca de café entre as mãos, o vapor subindo em espirais preguiçosas no ar fresco da manhã.

Tinha acordado cedo, incapaz de dormir direito depois de tudo que tinha acontecido ontem. A festa. Renata. A forma como Nico tinha se fechado completamente.

Ouvi passos atrás de mim e não precisei me virar para saber quem era. Reconhecia o som da caminhada dele agora.

Nico sentou-se ao meu lado sem dizer nada, seus cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos entrelaçadas.

Olhei para ele. Parecia exausto. Olheiras profundas sob os olhos verdes. Cabelo bagunçado, mandíbula ainda tensa.

Estendi a caneca para ele sem pensar.

— Você parece estar precisando disso mais do que eu — disse suavemente.

Ele olhou para a caneca, então para mim. Aceitou, tomando um gole longo.

— Obrigado — murmurou.

Ficamos em silêncio por um momento. Apenas o som de pássaros e o vento nas folhas ao nosso redor.

— Você foi vê-la — disse finalmente. Não foi uma pergunta.

— Fui — confirmou ele, olhando para a caneca nas mãos. — Não deveria ter ido.

— Por quê?

Ele suspirou, o som carregado de frustração e cansaço.

— Ela disse que está de volta para ficar. Que está procurando casa para comprar na região. Que quer retomar o relacionamento com a Bella.

Fez uma pausa, então virou-se para me olhar diretamente.

— E comigo.

Senti algo apertando no meu peito. Uma onda de ciúmes tão forte que quase me fez perder o fôlego.

Mas não disse nada. Apenas olhei para ele, esperando que continuasse.

Porque Renata era a mãe de Bella. Ele era o pai. Por mais que nos últimos anos Renata tivesse esquecido disso, por mais que Nico ainda guardasse mágoas justificadas, era normal uma aproximação se fosse para o bem da filha deles, certo?

Mas será que era esse tipo de relacionamento que ele estava se referindo? Relacionamento como pais? Ou...

— E o que você disse? — perguntei, minha voz saindo mais controlada do que me sentia.

Nico deu um suspiro longo, esfregando o rosto com as mãos.

— Para ela conversar com meu advogado.

Fez uma pausa amarga.

— Bianca, eu não tenho um advogado. Não tenho dinheiro para contratar um advogado decente. Ela tem. Dos melhores. Viu onde ela está hospedada? Aquele hotel custa uma fotuna.

Ele se levantou abruptamente, começando a andar de um lado para o outro na pequena varanda.

— Além disso, tenho medo do que ela possa descobrir sobre minha situação financeira — continuou, a voz ficando mais tensa. — Como ela pode usar isso contra mim. E se ela conseguir, de alguma forma, provar que não tenho condições adequadas de cuidar da Bella? Que a propriedade está afundando em dívidas? Que mal consigo pagar as contas?

— Isso não vai acontecer — disse firmemente, me levantando também. — Porque não é verdade. Bella tem tudo que precisa. Uma casa. Comida. Educação. E especialmente o amor de um pai que a ama muito e que faria qualquer coisa por ela.

— Qualquer um? — repeti.

— Não foi isso que quis dizer — ele tentou recuar, passando a mão pelo cabelo. — Só estou dizendo que você é... você é só uma amiga. Não é da família. Não tem nada a ver com essa situação. Não pode simplesmente sair por aí aceitando responsabilidade financeira por...

— Só uma amiga — cortei, minha voz saindo mais alta agora. — Claro. É assim que você me vê.

— Bianca...

— Não — levantei a mão, interrompendo. — Eu entendo que a volta da Renata mexeu com você. Realmente entendo. Mas me responde uma coisa, Nico.

Dei um passo em direção a ele, forçando-o a me olhar.

— Isso é sobre ela? Ou é sobre nós?

O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor.

Ele me olhou por um longo momento. Vi conflito em seus olhos. Cansaço. Confusão. Mas não vi resposta.

— Sinceramente — disse ele finalmente, sua voz baixa — não estou com cabeça para pensar nisso no momento. Tenho problemas demais. Preocupações demais. Não posso...

Não terminou a frase. Não precisou.

Senti algo se quebrando dentro do meu peito. Algo que tinha estado crescendo, florescendo, ganhando vida.

— Ótimo — disse, minha voz saindo surpreendentemente firme apesar da dor. — Perfeito. Então vou voltar para Florença. Deixar você resolver suas coisas. Colocar sua cabeça no lugar.

Comecei a caminhar em direção à casa, então parei, virando-me para olhá-lo uma última vez.

— Me procura quando conseguir — disse. — Só que talvez seja tarde demais.

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