~ NICOLÒ ~
Saí de casa, antes mesmo do sol nascer completamente sobre as colinas. Não queria que Bella acordasse e me visse saindo. Não queria ter que explicar para onde ia ou por quê.
Martina sabia. Tinha visto o cartão que Renata deixou na mesa. Tinha visto a expressão no meu rosto. Não disse nada, apenas acenou com a cabeça quando passei pela cozinha, me entregando uma garrafa térmica de café sem perguntas.
O hotel era exatamente o tipo de lugar que esperava. Um desses estabelecimentos de luxo com fachada histórica perfeitamente restaurada. Vasos com flores caras nas janelas. Um porteiro uniformizado na entrada que me olhou de cima a baixo, claramente avaliando se eu pertencia ali.
Automaticamente me senti deslocado.
Minhas roupas eram limpas, mas velhas. Meu carro estava estacionado entre Mercedes e BMWs. Minhas botas de trabalho deixavam pequenas marcas de terra no piso de mármore polido da recepção.
— Posso ajudá-lo? — perguntou a recepcionista com aquele sorriso profissional que não alcançava os olhos.
— Estou aqui para ver Renata Santoro — disse, tentando soar mais confiante do que me sentia. — Quarto vinte e três.
Ela pegou o telefone, discou, esperou.
— Senhorita Santoro? Tem um visitante aqui. Nicolò Montesi.
Uma pausa.
— Sim, claro. Vou mandá-lo subir.
Desligou e me indicou os elevadores com um gesto.
— Segundo andar. Última porta à esquerda.
Subi no elevador espelhado, vendo meu reflexo multiplicado infinitamente. Parecia cansado. Parecia estressado. Parecia exatamente como alguém que não dormiu direito depois de ter a ex-esposa aparecendo do nada no aniversário da filha.
Bati na porta do quarto vinte e três e Renata abriu quase imediatamente.
E eu congelei.
Ela usava lingerie. Lingerie cara, obviamente. Preta, rendada, que deixava muito pouco para a imaginação. Uma das alças tinha escorregado levemente do ombro. O cabelo estava meio bagunçado, como se tivesse acabado de acordar, mas a maquiagem era leve e impecável.
— Nico! — disse ela com surpresa que parecia estudada demais para ser genuína. — Desculpa. Acabei de acordar e não deu tempo de me vestir adequadamente. Mas entra, entra.
Fiquei parado ali por um momento, processando. Considerando simplesmente virar e ir embora.
Mas precisava resolver aquilo. Precisava deixar claro que ela não podia simplesmente voltar e exigir ter Bella de volta.
Entrei.
O quarto era grande. Não a suíte presidencial, mas claramente uma acomodação cara. Uma antessala com sofá e poltronas separava a área de estar da parte do quarto que não conseguia ver dali. Varanda com vista para as montanhas ao longe. Garrafa de champanhe em um balde de gelo mesmo sendo tão cedo.
— Senta — disse Renata, gesticulando para o sofá pequeno perto da janela. — Quer beber alguma coisa?
Ela se moveu em direção ao minibar, e observei - impossível não observar - como a lingerie subia levemente em sua perna quando se curvou para pegar algo. Um movimento que parecia casual, mas era claramente intencional.
— Não, obrigado — disse firmemente, me sentando no sofá, mas mantendo postura rígida.
Ela serviu mesmo assim, colocando uma das taças na mesa de centro na minha frente antes de se sentar na poltrona oposta com a própria taça.
Peguei a taça e coloquei de volta na mesa, empurrando levemente para longe.
— Mal são sete da manhã — murmurei.
— Escuta — disse ela, sua voz ficando menos controlada agora, mais emocional — eu errei, tá? O cara não me amava de verdade. Só... me usou. Me traiu com outras mulheres enquanto eu achava que estávamos construindo vida juntos. Eu errei completamente sobre ele. Sobre tudo.
Virou-se para me encarar.
— Mas estou de volta agora para tentar arrumar isso. Para tentar consertar o que quebrei.
— E demorou um ano depois do término — apontei friamente.
— Precisei pensar! — explodiu ela. — Precisei... colocar as coisas em perspectiva. Processar tudo. Porque não sabia se Bella me perdoaria. Não sabia se você me perdoaria. Não sabia se tinha alguma chance de recuperar o que joguei fora.
— Agora sabe. — Eu não perdoo.
Renata caminhou lentamente até onde eu estava. Muito perto. Invadindo meu espaço pessoal de forma deliberada.
Sentou-se no braço do sofá ao meu lado, sua mão pousando no meu ombro. Os dedos se movendo levemente, acariciando. Seu perfume caro me envolvendo.
Congelei. Não de desejo. De raiva pura.
— Eu errei — disse ela suavemente, sua voz ficando baixa, quase íntima. — Mas vou fazer de tudo para ter minha família de volta. E isso inclui você, Nico.
Me afastei tão bruscamente que quase derrubei a mesa de centro.
— É melhor deixarmos essa conversa para nossos advogados mesmo — disse, já caminhando em direção à porta.
— Nico, espera...
Não esperei. Abri a porta e saí, batendo com força suficiente para fazer o quadro na parede tremer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....