~ ZOEY ~
A confeitaria tinha aquele cheiro indecente de manteiga e açúcar que faz qualquer adulto lembrar que felicidade é mais simples do que a gente gosta de admitir. A vitrine brilhava com fileiras de docinhos perfeitamente alinhados, como se alguém tivesse organizado a gula com régua.
Eu estava sentada à mesa com a Mia e a Maitê.
Mia mexia no cabelo como se fosse uma extensão do humor dela — hoje estava animada, elétrica, com energia de quem acordou decidida a transformar qualquer conversa em evento. Maitê, do outro lado, tinha um olhar satisfeito e faminto, alternando entre prestar atenção e calcular qual doce seria o próximo ataque.
— E então… — Mia se inclinou para frente, as mãos juntas como se estivesse prestes a anunciar uma pauta oficial. — Uma grande festa de trinta anos? Daquelas pra parar o Brasil e o mundo?
Eu revirei os olhos com força suficiente para ver meu próprio crânio por dentro.
— Vamos com calma — eu disse. — Eu quero algo pequeno. Só para os íntimos.
A Maitê riu, levando uma colherada de alguma coisa cremosa à boca com a seriedade de quem está fazendo um trabalho importantíssimo.
— Íntimo e Bellucci não combinam.
Mia abriu um sorriso triunfante, como se tivesse esperado exatamente essa frase.
— Claro. Nós temos pelo menos umas trezentas pessoas mais íntimas.
Nós três rimos, porque era verdade, e porque rir era mais fácil do que explicar o que “íntimo” não tinha lugar quando sua família tinha sobrenome, fortuna e um hábito irritante de transformar qualquer coisa em manchete social.
Eu peguei minha xícara e tomei um gole de café, tentando me convencer de que estava tranquila. A confeitaria tinha música baixa, aquele burburinho civilizado, gente falando de coisas pequenas com voz baixa, como se o mundo não pudesse entrar ali.
— Falando nisso… — eu disse, apontando com a colher na direção da Mia antes que ela mudasse de assunto para outro plano absurdamente caro. — Você e o Matheus andam bem íntimos, né?
Mia encostou as costas na cadeira como se eu tivesse apertado um botão.
— Ele é um fofo… — ela disse, com a doçura mais perigosa do mundo. — Até deixar de ser.
Eu levei as duas mãos aos ouvidos como se aquilo pudesse me proteger de detalhes.
— Ah, pelo amor de Deus, Mia. É meu irmão.
— Você que perguntou, cunhadinha — ela respondeu, inocente demais para ser real.
A Maitê fez um sinal para a garçonete, sem nem olhar, como se já tivesse instaurado um acordo silencioso com a casa: mais amostras, por favor. Eu e a Mia trocamos um olhar cúmplice e rimos com aquela intimidade de quem sabe que a Maitê estava usando a gravidez como passe livre para a gula sem culpa.
— O quê? — Maitê perguntou, fingindo ofensa. — Tô comendo por dois.
Ela passou a mão na própria barriga, orgulhosa, e aquela cena sempre me desmontava um pouco, porque eu via nela um tipo de certeza que eu não tinha certeza se eu sabia ter.
— A propósito… — Maitê continuou, e o tom dela mudou para o de quem finge casualidade. — E você e o Christian? Quando vão encomendar o segundo? Vocês não vão deixar o Matteo ser o único herdeiro de todo império Bellucci e carregar isso sozinho nas costas, não é?
Eu ri, porque a frase era tão absurda quanto era plausível na boca da minha família.
— Ele vai ter muitos primos — eu respondi, tentando soar leve.
— E eu e o Matheus estamos praticando muito a parte divertida — Mia completou, com um brilho debochado no olhar.
Eu peguei um docinho e taquei nela sem pensar.
— Cala a boca!
O doce acertou o ombro dela com um “ploc” ridículo, e Mia gargalhou como se eu tivesse acabado de dar a ela um prêmio.
Maitê levantou as mãos, com a expressão de quem está oferecendo um serviço público.
Eu mexi no guardanapo, amassando a ponta entre os dedos, um hábito que eu tinha quando queria fingir que estava calma. As duas continuaram falando, comparando docinhos, rindo de uma história antiga do Marco com os parques, mencionando a inauguração da filial no Nordeste como se fosse mais um capítulo natural de uma vida que nunca parava.
Eu acompanhava, eu respondia, eu ria nos momentos certos. Por fora eu era a Zoey de sempre: bem-humorada, presente, parte do grupo.
Por dentro, a minha cabeça fez o que a minha cabeça vinha fazendo nos últimos dias: juntou pontos.
O Christian tinha começado a se jogar em esportes radicais como se estivesse tentando provar alguma coisa para si mesmo. Paraquedas. Um tipo de treino que ele jurou que era “só por curiosidade”. Uma lista de “coisas novas” que apareciam do nada, sempre com aquele brilho que não era exatamente alegria — era urgência.
E ele não falava sobre o meu aniversário.
Não era que ele tivesse dito “não vou fazer nada”. Ele não tinha dito nada. Como se a data não existisse. Como se a minha vida não estivesse marcada no calendário dele do jeito que sempre esteve.
Eu senti um aperto pequeno no peito, discreto o suficiente para eu fingir que não era nada, grande o bastante para estragar o gosto do doce que eu levei à boca.
Talvez ele estivesse preparando uma surpresa.
Talvez ele estivesse apenas ocupado.
Talvez eu estivesse sendo dramática.
O problema era a sensação de que o Christian estava em movimento… e eu não sabia para onde.
Mia falou alguma coisa sobre convite, sobre lista, sobre “trinta anos merece”, e eu respondi com um sorriso automático. Maitê brincou que, se eu não quisesse festa, ela aceitava os docinhos como presente e eu ri.
Mas, quando elas voltaram a discutir qual sobremesa era melhor, eu me peguei olhando para a rua pela janela, para o mundo do lado de fora, e pensando que talvez o meu aniversário estivesse chegando… mas, dessa vez, eu é que estava fora do plano.
E o Christian, com toda essa coisa de esportes radicais toda semana, estava estranho.
Estranho o suficiente para eu sentir, mesmo naquele cheiro de açúcar e conforto, que alguma coisa estava para acontecer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...
Oi autoura Kayla Sango, sei que se despeciu e finalizou esses livros, mas quando sentir que deve, conte a história de Matheus e Mia e também Dante e Paloma, acho que nós como espectadores ficariamos muito gratos, principalmente quem acompanhou todos os livros até aqui. Estou com um gostinho de saudade já. Obrigada!...
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....