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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 6

~ ZOEY ~

A confeitaria tinha aquele cheiro indecente de manteiga e açúcar que faz qualquer adulto lembrar que felicidade é mais simples do que a gente gosta de admitir. A vitrine brilhava com fileiras de docinhos perfeitamente alinhados, como se alguém tivesse organizado a gula com régua.

Eu estava sentada à mesa com a Mia e a Maitê.

Mia mexia no cabelo como se fosse uma extensão do humor dela — hoje estava animada, elétrica, com energia de quem acordou decidida a transformar qualquer conversa em evento. Maitê, do outro lado, tinha um olhar satisfeito e faminto, alternando entre prestar atenção e calcular qual doce seria o próximo ataque.

— E então… — Mia se inclinou para frente, as mãos juntas como se estivesse prestes a anunciar uma pauta oficial. — Uma grande festa de trinta anos? Daquelas pra parar o Brasil e o mundo?

Eu revirei os olhos com força suficiente para ver meu próprio crânio por dentro.

— Vamos com calma — eu disse. — Eu quero algo pequeno. Só para os íntimos.

A Maitê riu, levando uma colherada de alguma coisa cremosa à boca com a seriedade de quem está fazendo um trabalho importantíssimo.

— Íntimo e Bellucci não combinam.

Mia abriu um sorriso triunfante, como se tivesse esperado exatamente essa frase.

— Claro. Nós temos pelo menos umas trezentas pessoas mais íntimas.

Nós três rimos, porque era verdade, e porque rir era mais fácil do que explicar o que “íntimo” não tinha lugar quando sua família tinha sobrenome, fortuna e um hábito irritante de transformar qualquer coisa em manchete social.

Eu peguei minha xícara e tomei um gole de café, tentando me convencer de que estava tranquila. A confeitaria tinha música baixa, aquele burburinho civilizado, gente falando de coisas pequenas com voz baixa, como se o mundo não pudesse entrar ali.

— Falando nisso… — eu disse, apontando com a colher na direção da Mia antes que ela mudasse de assunto para outro plano absurdamente caro. — Você e o Matheus andam bem íntimos, né?

Mia encostou as costas na cadeira como se eu tivesse apertado um botão.

— Ele é um fofo… — ela disse, com a doçura mais perigosa do mundo. — Até deixar de ser.

Eu levei as duas mãos aos ouvidos como se aquilo pudesse me proteger de detalhes.

— Ah, pelo amor de Deus, Mia. É meu irmão.

— Você que perguntou, cunhadinha — ela respondeu, inocente demais para ser real.

A Maitê fez um sinal para a garçonete, sem nem olhar, como se já tivesse instaurado um acordo silencioso com a casa: mais amostras, por favor. Eu e a Mia trocamos um olhar cúmplice e rimos com aquela intimidade de quem sabe que a Maitê estava usando a gravidez como passe livre para a gula sem culpa.

— O quê? — Maitê perguntou, fingindo ofensa. — Tô comendo por dois.

Ela passou a mão na própria barriga, orgulhosa, e aquela cena sempre me desmontava um pouco, porque eu via nela um tipo de certeza que eu não tinha certeza se eu sabia ter.

— A propósito… — Maitê continuou, e o tom dela mudou para o de quem finge casualidade. — E você e o Christian? Quando vão encomendar o segundo? Vocês não vão deixar o Matteo ser o único herdeiro de todo império Bellucci e carregar isso sozinho nas costas, não é?

Eu ri, porque a frase era tão absurda quanto era plausível na boca da minha família.

— Ele vai ter muitos primos — eu respondi, tentando soar leve.

— E eu e o Matheus estamos praticando muito a parte divertida — Mia completou, com um brilho debochado no olhar.

Eu peguei um docinho e taquei nela sem pensar.

— Cala a boca!

O doce acertou o ombro dela com um “ploc” ridículo, e Mia gargalhou como se eu tivesse acabado de dar a ela um prêmio.

Maitê levantou as mãos, com a expressão de quem está oferecendo um serviço público.

Extra - Capítulo 6 1

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