Entrar Via

Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 5

~ CHRISTIAN ~

O bar do Clube Milani tinha aquela iluminação cuidadosamente baixa que fazia qualquer decisão parecer mais madura do que realmente era. Madeira escura, couro, vidro limpo demais, um piano tocando ao fundo como se a música tivesse sido treinada para não incomodar conversas importantes.

Eu estava ali porque o Marco tinha me arrastado para fora do meu próprio eco.

Depois do salto, depois do grito que eu não sabia que existia dentro de mim, eu voltei para o chão com a sensação ridícula de que alguma coisa tinha sido destravada. Como se eu tivesse lembrado, por poucos segundos, que eu não era feito só de controle.

Marco se sentou de frente para mim, já com um copo na mão, e me olhou com uma paciência que ele raramente usava. Era a paciência de primo. A paciência de quem te conhece antes do cargo.

— Tá — ele disse, colocando o copo na mesa com um toque seco. — Agora que temos bebidas… repete com calma.

Eu observei o gelo girar no meu copo. Observei o reflexo das luzes nele, como se eu pudesse encontrar ali a resposta certa, a frase certa, a versão menos absurda do que eu tinha dito no campo de pouso.

Mas não existia versão menos absurda.

Eu levantei o olhar.

— Vou largar o cargo de CEO da Bellucci.

Marco não reagiu de imediato. Ele só me encarou por alguns segundos, tempo suficiente para o piano tocar duas notas. Depois ele inspirou, devagar, como se estivesse tentando não explodir.

— Eu acho — ele disse, com a voz controlada demais — que precisamos de bebidas mais fortes.

Eu soltei um riso curto, sem humor.

— Eu estou falando sério.

— Eu sei — ele respondeu, e o jeito como ele disse “eu sei” foi o que me desarmou. Porque ele não estava debochando. Ele estava, de um jeito estranho, preocupado.

Eu encostei as costas no couro do banco e passei a mão pela nuca.

— Eu estou… entediado — eu admiti, e a palavra me pareceu ofensiva na boca de um homem que tinha tudo. — E cansado de trabalhar tanto.

Marco soltou uma risada baixa, quase indignada.

— Tá. Então tira férias.

— Eu sei. Talvez… — eu concordei, porque a resposta óbvia sempre existe. O problema é que ela raramente resolve o que realmente está incomodando. — Mas quando eu voltar, vão ser as mesmas coisas que vão estar lá me esperando. As mesmas reuniões, os mesmos relatórios, as mesmas pessoas com os mesmos problemas, as mesmas demandas como se o mundo inteiro tivesse combinado de depender de mim para funcionar.

Marco bebeu um gole e fez uma careta.

— Bem-vindo ao planeta.

— Não é isso — eu cortei, porque eu não queria que ele transformasse em piada o que estava queimando por dentro. — Eu gosto do que eu faço. Eu sempre gostei. Eu sempre fui bom nisso. Só que… a última vez que eu realmente me empolguei com alguma coisa foi com a linha orgânica. Eu senti aquela sensação de construir algo novo. De apostar, de arriscar, de ver crescer. E agora já está tudo estabilizado de novo. Já está tudo… rotina.

A palavra saiu com desprezo. Rotina. A mesma coisa que, com a Zoey, eu chamava de paz. A mesma coisa que, na empresa, parecia virar prisão.

Marco inclinou o corpo para frente.

— Primeiro — ele começou, contando no dedo, do jeito que ele fazia quando ia ser irritantemente racional — você não pode fazer nada de radical.

Eu quase sorri.

— O que você considera radical? Porque pular de um avião já foi.

— Eu estou falando de você largar o cargo — ele disse, firme. — Segundo: o nonno te mataria.

Eu mexi o copo.

— O nonno já quis me matar várias vezes. Eu sobrevivi.

Marco apontou para mim, como se eu tivesse dado a ele munição.

Eu listei, porque era isso que eu fazia quando queria provar que o problema era real.

— Nós temos a linha premium, temos a linha Montesi, temos a linha orgânica, temos até suco de uva! Não existe pra onde expandir, que seja, de fato, uma novidade. A não ser que a gente invente algo que…

Eu parei no meio da frase.

Não porque eu tivesse perdido o raciocínio.

Porque eu tinha encontrado.

A ideia atravessou minha cabeça com uma clareza tão súbita que pareceu física. Como se alguma coisa dentro de mim tivesse acendido, e eu senti a mudança no meu próprio corpo: o peito apertando de um jeito diferente, o pulso acelerando, a respiração ficando curta.

Marco me olhou e estreitou os olhos.

— Seus olhos estão brilhando!

Eu pisquei, como se isso pudesse esconder o que eu tinha acabado de perceber.

Não escondia.

— É isso! — eu falei, e a minha voz saiu mais alta do que eu pretendia. Eu me ouvi sorrir. — Eu sei exatamente pra onde expandir. Eu só preciso… preciso ir!

Marco abriu a boca, já preparado para me puxar de volta para o chão com alguma frase de primo sensato, mas eu já estava me levantando. A cadeira arrastou no chão com um som que chamou atenção demais para um bar cheio de gente importante.

Eu não precisava largar o cargo de CEO da Bellucci.

O Marco estava certo.

Eu só precisava… de adrenalina.

E eu já sabia onde encontrar.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )