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Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango ) romance Capítulo 7

~ ZOEY ~

Eu cheguei no quarto com o corpo pedindo cama e a cabeça ainda cheia da confeitaria: a voz da Mia falando de festa como se fosse assunto de Estado, a Maitê comendo por dois com uma coragem que eu admirava e invejava. Tomei banho rápido, lavei o cabelo e voltei pro quarto de robe, parecendo uma versão doméstica de mim mesma — a versão que eu gosto.

Fui direto para a penteadeira porque skincare é a minha terapia diária: limpar, hidratar, fingir que isso também organiza pensamentos.

Prendi o cabelo e comecei a massagear o rosto. O espelho devolveu minha cara limpa e… o Christian já deitado, confortável demais para um homem que carrega um império nas costas. Ele levantou os olhos quando eu me sentei, só o suficiente para me ver — e voltou para o celular.

— Hoje foi engraçado — eu disse, encarando meu reflexo. — A Mia começou com aquela história de festa de trinta anos “pra parar o Brasil e o mundo”. E a Maitê riu e disse que íntimo e Bellucci não combinam. Aí a Mia falou que a gente tem trezentas pessoas íntimas.

Christian soltou uma risada baixa atrás de mim.

— Ela não está errada — ele comentou.

— Não está — eu concordei, passando o tônico e sentindo a pele ficar fria. — E a Maitê… bom, a Maitê está oficialmente comendo por dois. Ela pediu mais amostras como se estivesse num reality culinário.

— Maitê grávida é um evento — Christian disse, e o tom dele tinha aquele carinho de quem gosta de família, mesmo quando finge que não tem tempo para isso.

Eu sorri sem perceber. Peguei o sérum de semente de uva e pinguei na palma da mão, esfregando os dedos devagar antes de levar para o rosto. A textura era leve, o cheiro era discreto, e eu sempre achava que isso me deixava mais… ancorada.

— E você? — eu perguntei, porque era o que eu sempre perguntava, e porque eu gostava do jeito que Christian falava do dia dele. Mesmo quando eu não entendia metade. — Como foi o seu dia?

Christian deu de ombros, olhando para o teto.

— Nada demais.

A frase bateu em mim com uma estranheza tão imediata que eu parei de massagear o rosto por um segundo, as mãos ainda encostadas na bochecha.

— Nada demais? — eu repeti, devagar.

Ele virou o rosto para mim, e eu vi um sorriso pequeno, quase preguiçoso.

— Nada demais.

Eu soltei uma risadinha, incrédula.

— Christian, seu dia nunca é “nada demais”. Você me conta até número que eu nem mesmo entendo. Tem dia que eu acho que você fala porcentagem só pra me testar.

Ele riu de verdade, e a risada dele sempre me pegava porque era rara quando ele estava cansado.

— Eu não quero te incomodar — ele disse. — Você teve um dia bom. Eu não vou estragar com… planilha.

— Você não me incomoda — eu respondi, automática, e voltei a massagear o sérum com mais cuidado, como se o gesto pudesse manter a conversa no lugar certo. — Eu gosto quando você me conta.

Christian não respondeu de imediato. Eu vi no espelho que ele tinha pegado o celular na mesa de cabeceira. A tela acendeu e iluminou o rosto dele por um segundo.

E o corpo dele reagiu.

Foi uma micro coisa, mas eu vi. Um ajuste no ombro. Um foco imediato. Como se alguma coisa tivesse puxado a atenção dele com gancho.

Ele deslizou o dedo pela tela, digitou rápido demais, e a velocidade me deu um desconforto infantil, irracional. Aquele tipo de desconforto que não tem argumento, só instinto.

Eu continuei o skincare, mas os olhos voltaram para o espelho sem querer, acompanhando.

Christian terminou de responder e colocou o celular virado para baixo na mesa.

Virado para baixo.

Ele nunca fazia isso.

Eu fiquei parada por meio segundo, as mãos ainda no rosto, e senti minha testa franzir sozinha.

— Tá tudo bem? — eu perguntei, tentando soar casual.

Christian já estava se levantando.

— Tá — ele disse. — Só cansado.

Ele veio até mim, encostou uma mão no meu ombro e beijou o topo da minha cabeça, como se esse beijo fosse uma forma de me calar sem intenção.

— Vem dormir — ele murmurou.

E foi para a cama.

Eu fiquei ali mais alguns segundos, encarando o meu reflexo como se eu pudesse ver no meu próprio rosto a diferença entre paranoia e intuição. Eu terminei a bruma, apertei o borrifador e senti a névoa fria no ar. A água de uva encostou na minha pele e, por um instante, eu tive vontade de rir do ridículo de eu estar me estressando com um celular virado para baixo.

Extra - Capítulo 7 1

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