~ ZOEY ~
Eu acordei com aquela sensação imediata de que alguma coisa estava errada.
O lado do Christian na cama estava vazio.
Eu pisquei devagar, ainda meio presa no sono, e encarei o colchão amassado ao meu lado como se ele pudesse me dar explicações. Ok. Eu sabia. Ele tinha dito que ia sair bem cedo. Só que… nem se despediu?
Eu fiquei sentada, puxei o edredom até o peito e respirei fundo, tentando não transformar uma coisa pequena em tragédia.
Foi aí que meu celular vibrou na mesa de cabeceira, como se o universo tivesse ouvido meu pensamento e decidido me dar uma correção imediata.
Eu peguei e vi a mensagem dele.
“Você estava tão linda dormindo que não quis te acordar. Te amo.
PS: prometo te recompensar essa noite, então esteja preparada.”
Eu li duas vezes. Na segunda, eu já estava sorrindo.
Claro. Christian sendo Christian. O homem que evita me acordar para não.
— Tá bom — eu murmurei para o quarto vazio, com um sorriso bobo. — Estarei pronta, senhor Bellucci.
Quando eu desci, o café já estava preparado. Frutas cortadas, pão, iogurte, café cheiroso. Eu sempre ficava meio impressionada com a eficiência dos funcionários, como se até o cotidiano precisasse ter padrão de excelência.
Na cozinha, a babá estava com o Matteo.
E Matteo era, oficialmente, a parte da minha vida que me deixava mais vulnerável e mais feliz ao mesmo tempo.
Ele tinha três anos e uma capacidade assustadora de perceber meu humor antes de mim. Estava sentado na cadeirinha, com um copo de leite nas mãos, a camiseta com alguma coisa estampada que eu tinha comprado porque achei “fofa” e me arrependi depois, porque ele agora só queria usar aquilo. O cabelo estava meio bagunçado, e a boca tinha um restinho de banana que não tinha sido limpa direito.
Quando ele me viu, o rosto abriu como se eu tivesse acendido a luz do dia.
— Mamãe!
Ele estendeu as mãozinhas, impaciente, o corpo inteiro inclinando para frente.
Eu fui até ele na hora, porque não existe força no mundo que me faça demorar quando ele faz isso.
— Oi, meu amor — eu falei, pegando ele no colo, sentindo aquele peso pequeno e quente se encaixar em mim como se fosse a coisa mais certa do mundo. — Você já comeu tudo? Ou você comeu “quase tudo”?
Ele encostou o rosto no meu pescoço e riu, aquele riso sem vergonha de existir.
— Eu comi! — ele disse, e a frase tinha convicção demais para alguém que definitivamente não tinha comido tudo.
Eu beijei a testa dele e o coloquei de volta na cadeirinha com cuidado, porque ele já tinha idade suficiente para ficar ofendido se eu tratasse como bebê. Matteo era pequeno, mas tinha uma dignidade teimosa herdada do pai, para meu desespero.
— Vou levá-lo pra escola — eu disse para a babá, enquanto pegava uma uva do prato e colocava na boca.
— O senhor Bellucci já está esperando?
A pergunta não era curiosidade vazia.
Nós estávamos adaptando o Matteo à escola e aquilo tinha virado um projeto familiar. Normalmente, eu e Christian levávamos ele juntos, como se a nossa presença dupla fosse um escudo. Matteo tinha um certo problema para ficar lá. E “problema”, no caso, era o meu filho grudar em mim como se eu fosse a única coisa que impede o mundo de acabar.
Christian ia junto porque, quando eu hesitava, ele segurava o meu cotovelo com firmeza e me lembrava, sem palavras, que nós não podíamos ensinar ao nosso filho que o medo manda.
Eu respirei e respondi como se fosse simples.
— O Christian não vai hoje. Ele saiu cedo pra Porto Alegre.
A babá assentiu, como se aquilo fosse apenas logística.
Matteo, que ouviu “Porto Alegre” e não entendeu nada, repetiu como se fosse um brinquedo novo.
— Poto… Ale… gre.
Eu ri.
— Isso, meu amor. Porto Alegre. É onde o papai trabalha.
Eu tomei café rápido, peguei minha bolsa, e depois de alguns minutos eu já estava no carro com o motorista, com Matteo no banco de trás, preso na cadeirinha e conversando com o mundo como se o mundo estivesse ali apenas para ouvi-lo.
Quando chegamos, eu desci, tirei o Matteo da cadeirinha e o peguei no colo por hábito, mas ele já quis descer sozinho.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Quem é Paloma, gente? Era pra ser a Paola, no caso?...
Pois é Simone Honorato, eu tbm fiquei super animada achando que leria 20 capítulos.Frustante mesmo...
Boa tarde, reparei que do capitulo 731 pulou para o capitulo 751 !!!! Me parece o FINAL !!!! É ISSO MESMO ? FRUSTANTE, PENSEI QUE LERIA 20 CA´PITULOS, E NADA, SOMENTE 01.!!...
Pelo amorrrrrrr desbloqueia esses capitulos!!!!!...
Paguei pelas moedas, e não foi desbloqueado! Afff...
O que houve porque parou de carregar capítulos?...
Gostaria de manifestar uma profunda insatisfação com vc autora, pois vc parou a história no capítulo 731 e nada de falar se foi o fim do livro ou se vai ter continuação Acho um desrespeito com os leitores q espera todo dia por um novo capítulo. Acho que seria o.minimo de respeito avisar q acabou....
Uma semana sem desbloquear os capítulos...
Não vão desbloquear o restante dos capítulos?...
Ja tem uns 2 dias que não desbloqueiam os capítulos, parou no capítulo 714 e nada... Afff...