~ ZOEY ~
Eu não consegui ficar na sala fingindo que estava tudo normal enquanto o Matheus mastigava um “não deve ser nada” com cara de quem sabia que era algo.
— Vem — eu disse, já andando, sem dar chance de ele me discutir na frente dos funcionários.
Puxei meu irmão pelo corredor e entrei no jardim de inverno, que era o único lugar da casa que me dava a sensação de estar fora da mansão sem realmente estar fora. Tinha vidro, plantas e luz elegantes. A diferença é que ali não tinha funcionários passando, não tinha barulho de louça, não tinha a sensação de que qualquer palavra podia virar fofoca em quinze minutos.
Matheus ficou de pé, as mãos nos bolsos, com aquela paciência típica dele. Eu não queria paciência. Eu queria uma explicação que fizesse meu estômago parar de apertar.
— Zoey… — ele começou.
— Shh — eu cortei, já pegando meu celular.
Eu não ia “investigar”. Eu não ia stalkear. Eu não ia fazer nada que parecesse que eu tinha perdido a dignidade.
Eu ia ligar para o meu marido.
Simples. Adulto. Direto.
O telefone chamou uma vez.
Duas.
Christian atendeu no segundo toque.
— Oi, amor — ele disse, com aquela calma quente que sempre me desmontava. — Tudo bem?
Eu respirei fundo, forçando a minha voz a parecer natural. Era uma habilidade que eu tinha desenvolvido com anos de conviver com Bellucci: parecer tranquila mesmo quando estava contando as peças de um quebra-cabeça que não fazia sentido.
— Tudo bem — eu respondi. — Eu deixei o Matteo mais cedo hoje na escola e… você acredita que ele nem olhou pra trás?
Do outro lado, Christian riu, uma risada curta.
— Difícil acreditar — ele disse. — Você deve ter ficado arrasada. Queria ter estado lá ao seu lado.
Eu quase não registrei a resposta. O som em volta da voz dele era o que importava. E eu não precisava ser especialista para reconhecer aquele tipo de barulho: vozes ecoando, anúncios abafados, ruído de gente demais num lugar grande.
Eu fiz um sinal para o Matheus, levando um dedo à orelha.
Escuta.
Matheus franziu a testa e se inclinou um pouco, como se o som pudesse atravessar o celular até ele. Eu me odiei por estar assim, paranoica, mas eu não consegui parar.
— É… — eu respondi para Christian, automática, porque a conversa precisava continuar. — Você sabe. Enfim… eu só queria saber se você chegou direitinho no escritório. Você foi direto daqui?
A pausa dele foi mínima. Mínima, mas existiu.
— Sim, cheguei bem — Christian disse. — Vou entrar em uma reunião agora. A gente se vê mais tarde?
Meu estômago apertou no “reunião”, porque aquilo soou… ensaiado. Christian nunca ensaiava comigo.
— Claro — eu respondi, doce demais. — O Matheus está aqui esperando por você, não chega muito tarde.
Do outro lado, a voz dele manteve a mesma serenidade.
— Pode deixar — ele falou. — Te amo.
— Também te amo — eu devolvi, e eu odiei o fato de que era verdade de um jeito que me enfraquecia.
Eu desliguei.
O silêncio do jardim de inverno voltou como se a ligação não tivesse existido. Só que eu estava com o coração batendo mais rápido do que deveria e com aquela sensação irritante de que eu tinha acabado de ouvir uma mentira bem contada.
Eu olhei para o Matheus como se ele fosse a única pessoa na casa capaz de me ancorar.
— Viu? — eu falei, e minha voz saiu mais alta do que eu queria. — Tem algo errado. Você ouviu o barulho?
Matheus passou a mão pela nuca, desconfortável.
— Zoey… não deve ser nada — ele disse, e eu vi a frase pronta na boca dele antes mesmo de sair.
— Era como se ele estivesse no aeroporto — eu insisti. — Ou em algum lugar cheio de gente. Não era sala de reunião e nem escritório, definitivamente.
Matheus abriu a boca.
— Ele deve… — ele começou.
E parou.
Eu respirei fundo, sentindo a raiva começar a se misturar com um medo infantil.
— Pois é — eu disse, devagar. — Pois é.
Matheus tentou consertar, jogando para a resposta segura.
— Negócios — ele falou, como se a palavra fosse uma tampa para tudo. — Com o Christian sempre é negócios.
Ele levantou a mão, como um sinal de pare.
— ZOEY! Para. Respira.
Eu parei.
Porque a voz dele fez um corte no meu impulso. E porque eu percebi, com um choque quase humilhante, que eu estava… demais. Eu estava surtando com base em barulho de fundo de uma ligação. Eu estava arrumando mala sem saber destino. Eu estava sendo a versão de mim que eu passei anos tentando não ser.
Eu olhei para o Matheus, os olhos ardendo, e vi o irmão ali — não o executivo, não o homem que resolve crise — o irmão que conhecia meus padrões antes de eu conseguir esconder.
Ele me encarou por um segundo longo. E então perguntou, do jeito mais simples do mundo:
— Por acaso você tá grávida?
Eu arregalei os olhos.
— O quê? — eu soltei, quase rindo, porque era absurdo.
Só que o absurdo fez minha cabeça parar de correr e… pensar.
De verdade.
Eu senti meu estômago revirar de um jeito específico. Eu lembrei de pequenos enjoos que eu vinha ignorando. Eu lembrei de eu estar mais sensível do que o normal, mais impulsiva, mais… à flor da pele.
Eu não era dramática.
Eu não era essa pessoa no dia a dia.
Eu tinha demorado para aprender a ser uma mulher forte, confiante, que resolvia tudo com diálogo e estratégia, não com fuga.
Mas eu estava dramática.
E a última vez que eu estive assim…
Eu senti o sangue sumir do meu rosto como se alguém tivesse aberto uma janela dentro de mim.
A mala aberta na cama pareceu ridícula. A minha pressa pareceu ridícula. O medo pareceu… hormonal. Físico. Quase químico.
Eu encarei o Matheus e vi a expressão dele mudar, porque ele percebeu no meu rosto antes de eu falar.
Minha boca abriu, e a frase escapou como se ela estivesse esperando só uma brecha.
— Ah, meu Deus — eu sussurrei. — Eu tô grávida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprei um Gigolô e ele era um Bilionário (Kayla Sango )
Hoje 04/04, até agora não foram desbloqueados os restantes dos capítulos. Último capitulo liberado 729.... Sem nenhuma explicação. Falta de respeito com os leitores... affff...
Estou achando a história da Anne muito chata. Até agora só enrolação. Aff......
Amei esse livro!! que venham os proximos, com certeza lerei......
O último capítulo desbloqueado foi o 729...isso a quase 15 dias... Qdo a autora irá desbloquear o restante dos capítulos?...
Amei todo o livro Mas infelizmente ficou sem alguns capítulos E agora não liberam o final Muito triste 😞...
Quando vai liberar os extras?...
Um salto de 20 capítulos???? E ainda por cima depois de "obrigarem" os leitores a gastarem dinheiro, pois não disponibilizaram os 2 últimos capítulos da história para depois saltar a história e terminar desta maneira, não achei correto 🤬...
Então dá entrada do Kristian passa para a avó Martina e para a Bella, não entendi......
Poxa autora, é interessante a gente disponibilizar os capítulos gratuitos mesmo já tendo acabado de postar a história... Não dá pra toda hora ficar comprando moedas pra ler....
Boa noite... Desde 6f que não liberam os capítulos... já está ficando cansativo.... affff...