Os dias seguintes foram uma mistura estranhamente coordenada de mamadeiras de madrugada, tentativas de não cair nas escadas de tanto sono e pequenas vitórias que ninguém coloca no currículo.
Aprendi onde ficavam as coisas na casa sem me perder tanto. Descobri que a despensa ficava no segundo corredor à esquerda, não à direita. Parei de dar tantos foras com o senhor Novak — ainda tropeçava nas palavras quando ele aparecia de repente, mas pelo menos não jogava mais líquidos nele. A governanta já não me olhava como se eu fosse explodir a cozinha a qualquer momento, o que eu considerava uma vitória diplomática significativa.
E então fui promovida.
Promovida a dar o primeiro banho sozinha em Liam.
Normalmente era Helen quem cuidava disso. Mas no dia em que ela saiu mais cedo por algum compromisso misterioso, eu tive que assumir.
Admito: foi mais difícil do que parece.
Fiquei ali parada no banheiro, olhando para a banheirinha de bebê já cheia de água morna, o Liam no meu colo enrolado na toalha, e pensei: "Ok, quanto perigo pode existir numa combinação de água morna e um bebê?"
Spoiler: muito.
Coloquei ele na água devagar, segurando firme. Ele me olhou com aqueles olhinhos arregalados, como se dissesse "o que você está fazendo comigo, criatura incompetente?".
— Calma, tá tudo bem — murmurei, pegando o sabonete neutro. — É só água. Você gosta de água.
Passei o sabonete nele com cuidado. Muito cuidado. E foi aí que percebi o problema: bebê com sabonete vira sabonete humano.
Ele escorregou.
Agarrei ele de volta num movimento desesperado e ele começou a chorar.
— Desculpa, desculpa! — disse, tentando acalmá-lo enquanto terminava de enxaguar. — Eu não sabia que você era tão escorregadio!
Foi quando ele me olhou, aquele olhar inocente de bebê, e decidiu que era o momento perfeito para bater na água com as duas mãozinhas.
SPLASH.
Uma onda miniatura, mas devastadora, me acertou em cheio. Rosto, cabelo, blusa. Tudo encharcado.
Fiquei ali parada, pingando, segurando um bebê que agora ria como se tivesse acabado de descobrir o melhor jogo do mundo.
— Você fez isso de propósito — acusei, limpando o rosto com a toalha.
Ele bateu na água de novo. Mais forte. Com mais entusiasmo.
Outro banho. Dessa vez pior.
— Eu pareço uma piada para você? — E posso jurar que ele fez que sim com a cabeça — É, eu pareço uma piada pra mim também.
No relatório oficial, eu chamaria aquilo de "banho relaxante". Na realidade, foi mais um treinamento prático de sobrevivência em ambiente hostil.
Naquela noite, quando estava colocando Liam para dormir, cantando baixinho aquela música de dorama que ele parecia gostar, ouvi a porta se abrir.
Olívia entrou, de pijama, os cabelos soltos, me observando com aquela expressão curiosa.
— Que língua é essa? — perguntou.
— Coreano. Ou uma tentativa criminosa disso.
Ela ficou ali parada por um segundo, analisando.
— Você canta meio mal.
E saiu, fechando a porta atrás de si.
Obrigada, Olívia. Sua honestidade é sempre revigorante.
Mas eu tinha visto. Por um segundo, antes dela sair, tinha visto o cantinho da boca dela subir. Ela tinha gostado.
Mais tarde, Liam já dormindo profundamente, eu estava deitada no sofá pequeno do quarto dele. Podia ter ido para o meu quarto, mas sabia que ele ia acordar chorando por mamadeira a qualquer momento. Então fiquei ali mesmo, assistindo a um dorama no celular, fones de ouvido, tentando não rir alto nas partes engraçadas.
A porta se abriu de novo.
Olívia.
Ela entrou devagar, fingindo casualidade.
— Eu vim só ver se o Liam tá dormindo mesmo.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...