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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 9

Desci as escadas com a sensação clara e inconfundível de: pronto, a cadeira giratória rodou.

Meus passos ecoavam no corredor silencioso. A casa era enorme, mas naquele momento parecia ainda maior, como se o caminho até o escritório do senhor Novak tivesse se multiplicado por dez. Cada passo me levava mais perto da minha demissão iminente.

Cheguei na porta do escritório. Estava entreaberta.

Respirei fundo, bati levemente na madeira e espiei para dentro.

Senhor Novak estava sentado atrás da mesa enorme de mogno, os olhos fixos na tela do computador, digitando algo com aquela precisão irritante de quem nunca erra uma vírgula.

Ele não disse nada. Não levantou os olhos. Não fez nenhum gesto indicando que eu deveria entrar ou sentar... ou existir.

Fiquei ali parada na porta, segurando a maçaneta, sentindo o constrangimento crescer a cada segundo de silêncio.

Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade mas provavelmente foram apenas quinze segundos, ele parou de digitar.

Levantou os olhos.

E disse, com aquela voz grave e controlada:

— Relaxe, senhorita Mareu. Se eu quisesse demiti-la, teria sido ontem.

Ótimo. Então ele tem senso de humor retroativo.

— Sente-se.

Entrei no escritório e me sentei na cadeira de couro em frente à mesa dele, as costas retas, as mãos no colo, tentando parecer uma funcionária competente e não uma impostora prestes a ser descoberta.

Senhor Novak se recostou na cadeira, os dedos entrelaçados sobre a mesa, me analisando com aqueles olhos verdes que pareciam ver muito mais do que eu gostaria.

— Falei com a sua antiga patroa — ele disse, pausadamente. — A senhora Clara.

Meu coração parou por um segundo antes de voltar a bater em ritmo de samba descontrolado.

Merda. O que a Clara disse? Ela inventou bem? Ela exagerou? Por que ele estava me chamando para falar sobre isso?

Senhor Novak pegou um bloco de notas na mesa, olhou para ele como se estivesse lendo, e citou:

— Segundo ela, você é "a pessoa mais responsável, dedicada e essencial que já passou pela casa".

Mordi o lábio.

Ok, até aí tudo bem. Razoável. Clara conseguiu.

Mas então ele continuou, e o tom dele deixou claro que tinha mais.

— Ela fez questão de mencionar que na última festa infantil da família, "o recreador surtou, três crianças começaram uma rebelião e você evitou um motim armado só com balões e brigadeiro".

Prendi a respiração.

Ele virou a página do bloco.

— Abre aspas: "Se ela quiser, eu indico pra trabalhar até na ONU".

Merda. Clara precisava urgente aprender quando parar de vender meu peixe. Numa dessas, ela me vende tão bem que o comprador devolve por propaganda enganosa.

Senhor Novak colocou o bloco de volta na mesa, me encarando com aquela expressão neutra que eu já estava começando a reconhecer como "estou julgando você internamente mas não vou demonstrar".

— Em resumo — ele disse, pausadamente —, suas referências são… muito boas. Quase boas demais.

Engoli seco.

— Então... eu vou ser oficializada?

Ele arqueou uma sobrancelha.

— Você continua em período de teste. Mas se demonstrar aqui tanto talento quanto sua ex-patroa destacou, não vejo motivo para se preocupar.

Ótimo. Então agora, pra manter o emprego, eu só precisava deter uma rebelião infantil. Fácil. Era só decidir se eu mediava o conflito ou me juntava ao motim.

Capítulo 9 1

Capítulo 9 2

Capítulo 9 3

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