~ LOGAN ~
A casa estava em silêncio quando cheguei.
Subi as escadas devagar, tirando o paletó e afrouxando a gravata. Mais um jantar de negócios interminável, mais uma conversa circular sobre fusões e aquisições que podia ter sido resolvida em um e-mail. Mas o mundo corporativo tinha suas regras, e eu jogava o jogo melhor do que a maioria.
O relógio marcava quase meia-noite.
Ainda assim, subi até o quarto do Liam. Era rotina. Mesmo com funcionários, babás, câmeras de segurança, eu precisava ver meus filhos antes de dormir. Checá-los. Ter certeza de que estavam bem.
Abri a porta devagar.
Liam dormia no berço, o rostinho virado para o lado, as mãozinhas fechadas em punhos minúsculos. A respiração tranquila, ritmada. Perfeito.
Meu olhar foi para o sofá.
E parei.
Mareu estava ali, dormindo, a cabeça inclinada para o lado. E Olívia estava encaixada no braço dela, colada, o rostinho relaxado de um jeito que eu não via há meses.
Algo apertou no meu peito.
Me aproximei em silêncio, checando Liam mais de perto. Ajeitei o cobertor que tinha escorregado, e o movimento fez um barulhinho leve.
Mareu murmurou algo, ainda dormindo:
— Não derruba o suco do ogro... desculpa...
Um riso curtíssimo escapou antes que eu pudesse controlar.
Ogro.
Engoli o som imediatamente, olhando para ver se alguém tinha acordado.
Ninguém se mexeu.
Fui até o armário, peguei uma manta macia e voltei para o sofá. Cobri Olívia primeiro, com cuidado, ajeitando nos ombros pequenos dela. Ela se mexeu levemente, mas não acordou.
Depois estendi a manta sobre Mareu, sem pensar muito no gesto.
Estava me virando para sair quando Liam soltou aquele chorinho baixo.
O tipo de choro de "acordei e lembrei que existo e quero atenção agora".
Congelei.
Não queria acordar Olívia completamente. Ela tinha sono leve demais, herdado de mim.
Mas Mareu já estava se mexendo.
Ainda meio adormecida, os olhos semicerrados, ela se levantou cambaleando, murmurando algo incompreensível, e foi direto para a estação de alimentação no canto do quarto — aquecedor de mamadeira, fórmula porcionada, termômetro, tudo organizado.
Quando passou por mim, nem me olhou direito.
Só colocou a mão no meu peito e empurrou levemente, como se eu fosse um obstáculo no caminho.
— Já pode sair do meu sonho...
Houve uma micro pausa.
Ela apertou, como se testasse a solidez.
— ...e por favor... para de ser tão... forte e durinho.
E seguiu em frente, completamente no automático.
Fiquei ali parado, processando.
Olívia tinha razão. Pelo menos Mareu era engraçada.
E, mais importante, estava se dando bem com meus filhos. Liam ria quando ela estava por perto. Olívia, que tinha construído muros ao redor de si mesma depois que a mãe morreu, estava começando a baixar a guarda.
Eu não devia me sentir aliviado. Mas me senti. Depois de tudo o que tinha acontecido, depois de todas as babás que não duraram, finalmente havia alguém que as crianças aceitavam.
Fui até o berço e peguei Liam no colo antes que o choro aumentasse.
Ele parou quase imediatamente, os olhinhos me encontrando no escuro, reconhecendo.
— Oi — murmurei baixinho. — Tudo bem. O papai tá aqui.
Foi quando ouvi um barulho atrás de mim.
Mareu tinha se virado, segurando a mamadeira aquecida, e estava me encarando com os olhos arregalados.
Completamente acordada agora.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...