Capítulo 100
Nota da autora: Capítulo 100! Se você chegou até aqui, obrigada. De verdade! Ainda vem muita emoção pela frente e umas reviravoltas que eu estou doida pra dividir com vocês. E se quiser ficar mais pertinho, pode me adicionar no f*: kayla_sango
~ MAREU ~
Tá. Acontece que eu sei costurar.
Não porque isso faça parte do combo “mulher perfeita sendo preparada para um casamento perfeito para a união de famílias perfeitas”.
Talvez até fizesse, se eu tivesse nascido em 1920.
No meu caso, eu só aprendi a costurar porque… era divertido.
Começou na infância, com a minha babá me ensinando como se estivesse me passando um segredo mágico: uma agulha, uma linha, dois dedos de paciência e a capacidade de transformar um rasgo em algo que parecia proposital.
Depois virou hobby.
Uma customização aqui.
Um remendo ali.
Uma barra feita na véspera de um evento porque “não dá pra usar assim, Maria Eugênia, pelo amor de Deus”.
E eu sempre achei fascinante a ideia de que você podia pegar uma coisa inteira e, com pequenas decisões, fazer ela virar outra.
O que, provavelmente, dizia muito sobre a minha vida.
A questão é: era exatamente sobre isso o presente do Logan.
Não era um terno.
Não era um sapato.
Não era um relógio com nome de coisa suíça.
Era… uma coisa simples.
Uma coisa que eu podia fazer com as mãos.
E, por algum motivo, isso parecia mais íntimo do que qualquer compra feita com cartão black.
No domingo de folga eu fui procurar Olívia.
— Liv, tem alguma máquina de costura aqui?
Olívia não levantou os olhos do quebra-cabeças que estava montando no chão da sala.
— Por quê?
— Porque eu… — eu parei, procurando uma mentira que não parecesse mentira. Não achei. — Porque eu tive uma ideia pro presente do seu pai.
A mão dela ficou parada por meio segundo no ar, segurando uma peça.
Tempo demais para uma criança que geralmente responde antes mesmo de você terminar a frase.
Eu fiquei esperando, com aquela sensação de que eu tinha pisado em um lugar errado do chão e, a qualquer momento, ia ouvir um “clique”.
Ela se levantou e fez um movimento com a cabeça, um comando silencioso.
— Me segue.
A gente atravessou um corredor que eu raramente usava, passou por uma porta que parecia mais velha do que o resto da casa e subiu uma escada estreita.
Eu ia fazendo comentários no automático, porque eu faço isso quando estou nervosa.
— Isso aqui é o quê? Um escape room de rico? — eu murmurei.
Quando chegamos, ela empurrou uma portinha e entrou.
O ar ali era diferente, mais parado, mais frio. E cheirava a papel, tecido guardado, lembrança.
Era uma espécie de sótão. Não um sótão romântico de filme, com poeira bonita e luz entrando em diagonal.
Um sótão real de mansão: caixas empilhadas, malas, sacolas com etiquetas de lojas que eu reconheci de longe, algumas molduras encostadas, uma arara com capas protetoras.
Tudo organizado o suficiente para não parecer abandono. Mas amontoado o suficiente para parecer que ninguém tinha coragem de terminar a tarefa.
Eu parei na entrada, sentindo meu corpo reconhecer o que eu estava vendo antes do meu cérebro explicar.
E quando eu consegui, a minha voz saiu mais suave do que eu pretendia.
— Liv…
Olívia ficou ao meu lado, reta, como se estivesse se preparando para uma apresentação.
— São as coisas da mamãe — ela disse.
A frase veio simples.
Sem drama.
O que, nela, era sempre mais dramático do que qualquer choro.
— Algumas — ela completou, olhando para as caixas sem olhar de verdade.
Eu senti o chão apertar.
Ela respirou e continuou, em voz mais baixa:
— As que papai não teve coragem de…
Ela não completou.
Não precisava.
Eu deixei o silêncio ficar ali um segundo, respeitando.
E, porque eu também não sou boa em ficar parada quando uma coisa dói, eu puxei o mundo de volta pelo lugar que eu sabia puxar: humor, mas sem quebrar.
— Tá — eu murmurei, olhando em volta. — Então a gente só vai… fazer uma arqueologia emocional bem rápida.
Olívia soltou um sopro que, nela, era quase uma risada.
— Deve ter uma máquina aqui em algum lugar.
Nós começamos a procurar.
E procurar naquele sótão era como procurar um pedaço específico de memória dentro de uma vida inteira.
Eu abri uma caixa e vi tecidos dobrados, alguns com etiquetas ainda.
Abri outra e vi papéis, cartas, envelopes.
Vi uma caixa com um vestido dentro e fechei rápido demais, como se eu tivesse invadido algo proibido.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...