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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 103

~ MAREU ~

Eu descobri duas coisas importantes sobre trabalhar a noite inteira costurando um vestido.

Café não é bebida. É a minha dignidade em estado líquido.

A segunda: a máquina de costura tem opiniões.

E ela expressa essas opiniões na forma de linhas emboladas, agulhas que decidem entortar no pior momento e um barulhinho específico que parece uma risada baixa quando você erra.

Eu tinha começado com a certeza arrogante de quem já fez barra de calça em quinze minutos.

“Eu sei costurar”, eu disse para mim mesma.

Como se “saber costurar” automaticamente incluísse “construir um vestido digno de um aniversário em uma balada lotada de gente rica em menos de vinte e quatro horas”.

No começo, foi empolgação.

Eu espalhei tecidos na cama, desenhei um molde improvisado com lápis de olho (porque eu não ia gastar material de verdade em plena crise), e coloquei os sapatos no chão como se eles fossem meus orientadores.

Eu olhava para eles de cinco em cinco minutos como se eles pudessem dizer: vai dar certo.

O primeiro café foi prazer.

O segundo café foi responsabilidade.

O terceiro café foi um pedido de desculpas ao meu estômago.

À meia-noite, eu já estava conversando com a máquina.

— Colabora — eu sussurrei, inclinada sobre a agulha. — A gente tá do mesmo lado.

A máquina respondeu com um tranco e uma linha arrebentada.

— Tá bom — eu murmurei. — Você é do time da Paula.

Eu troquei a bobina. Respirei fundo. Ajustei o ponto. Costurei de novo.

O tecido escorregou.

O ponto ficou torto.

Eu fiz aquele som que não é exatamente um palavrão, mas é o que vem antes dele.

— Mareu? — uma voz pequena chamou da porta.

Olívia estava ali, de pijama, cabelo bagunçado, olhos semicerrados de sono e indignação.

— O que é esse barulho? — ela perguntou.

Eu me virei devagar, como se eu tivesse sido pega construindo uma bomba.

— Eu… — eu comecei.

Olívia apontou para a máquina com o dedo.

— Isso parece um helicóptero sofrendo.

Eu engasguei uma risada.

— É uma máquina de costura que tem personalidade.

Olívia entrou no quarto com passos pequenos e sérios.

— Por que você está costurando a essa hora? — ela perguntou.

Eu levantei as mãos, rendida.

— Porque eu tenho uma missão — eu disse.

Olívia parou bem na frente da cama e olhou para os tecidos, para as linhas, para os alfinetes, para os moldes improvisados.

— Que missão?

Eu apontei para a caixa dos sapatos, que eu tinha deixado aberta como se fosse altar.

— Fazer um vestido até amanhã.

Olívia piscou confusa.

— Amanhã amanhã?

— Amanhã amanhã.

Ela analisou o cenário como se estivesse decidindo se aquilo era irresponsabilidade ou genialidade, e então, se sentou na beira da cama como se fosse abrir uma reunião.

— Qual é o plano?

— O plano era esse tecido virar um vestido — eu respondi. — Mas agora o plano está em fase de… sofrimento porque aparentemente eu não tenho uma fada madrinha.

Olívia observou a costura que eu tinha feito e franziu a testa com autoridade.

— Você está usando ponto muito longo.

Eu fiquei imóvel.

— O quê?

Ela apontou para a máquina.

— O ponto está longo demais. Se puxar, arrebenta. Tem que diminuir.

Eu pisquei.

— Liv… como você sabe disso?

Ela deu de ombros, como se fosse óbvio.

— Eu comprei um livro.

— Um livro?

— Uhum.

— Sobre costura?

— Sim.

Eu senti minha boca abrir sozinha.

— Quando?

— Dois dias atrás.

Eu segurei o riso.

Olívia ainda dormia.

Eu parei, respirei, olhei para o que eu tinha feito.

Não era perfeito.

Mas era… alguma coisa.

Mais alguns ajustes e finalizações ao longo do dia e... eu iria conseguir.

Eu acordei a Olívia com delicadeza, como se ela fosse um segredo.

— Liv — eu murmurei. — Hora de escola.

Ela abriu um olho.

— Eu dormi aqui?

— Dormiu.

— Eu supervisionei?

— Supervisionou.

Ela se sentou devagar, cabelo bagunçado, expressão séria demais.

— Está aceitável — ela disse, olhando para o vestido.

Eu ri, exausta.

— Seu “aceitável” é o meu “milagre”.

Nós tomamos café e depois eu a levei para a escola.

No caminho, ela falou sobre uma redação, sobre como a professora tinha errado uma data histórica e como ela corrigiu.

Eu só fiz “hum-hum” e pensei em dormir por três dias.

Quando deixei Olívia na escola e voltei para casa, minha cabeça parecia cheia de algodão.

Eu subi direto para o meu quarto.

Eu queria ver o vestido na luz do dia.

Começar a finalização.

Mas quando eu abri a porta... congelei.

O vestido estava em cima da cama.

Só que não estava do jeito que eu deixei.

O tecido tinha dois cortes.

Limpos.

Não era um rasgo de costura malfeita.

Não era um acidente.

Alguém tinha feito aquilo de propósito.

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