~ MAREU ~
Se era pra virar tragédia, eu preferi virar escândalo.
E por escândalo eu quero dizer que, talvez, o vestido tenha saído um pouco mais sexy do que eu tinha planejado.
Eu encarei os dois cortes na saia e, por um segundo, considerei a opção emocional: surtar.
Depois considerei a opção racional: chorar.
No fim, escolhi a opção que eu venho praticando desde que entrei na mansão Novak por engano e permaneci por teimosia: resolver.
Nesse caso, com ironia e uma tesoura.
Eu aumentei a fenda.
Dois buracos viravam “acidente”. Uma fenda virava “design”. E eu não ia dar de presente pra quem quer que tivesse feito aquilo o prazer de me ver constrangida.
Eu também acrescentei um pouco de tule.
O tule foi o meu pedido de desculpas silencioso para o universo.
“Eu sei que isso está ficando ousado demais. Toma aqui uma camada de inocência.”
Quando eu terminei, minhas mãos estavam cheias de linha, café e raiva.
Mas o vestido…
O vestido estava de pé.
E eu também.
Eu me olhei no espelho com a mesma expressão que eu uso quando ganho uma discussão sem precisar levantar a voz.
Orgulho.
Aquele orgulho perigoso de quem acabou de transformar um problema em arma.
Preto, longo, com um corpete que me deixava com cara de decisão ruim e uma saia de tule que fingia inocência.
A fenda parecia uma opinião que ninguém tinha pedido.
Era o tipo de vestido que não combina com “babá”, combina com “problema”.
E, por algum motivo, eu acreditava que estava me metendo em um bem grande essa noite.
Eu prendi o cabelo, passei um batom que eu só usava quando queria lembrar a mim mesma que eu existia além de fralda e contrato infantil, e coloquei os sapatos.
Os sapatos.
Eu respirei fundo quando o salto tocou o chão.
A sensação era exatamente a mesma.
Nuvens.
Nuvens perigosas.
Quando eu saí do quarto, o corredor parecia diferente.
Ou talvez fosse eu quem parecesse diferente.
Eu desci a escada com a calma que eu não tinha e encontrei a sala numa quietude que só existia porque as crianças já estavam em modo noite.
Foi então que eu vi Helen, com Liam no colo. Ele parecia sonolento, mas confortável, mas o olhar dela estava acordado demais.
Helen me encarou como se eu tivesse atravessado a casa carregando um troféu que deveria ser dela.
Era raiva.
Uma raiva traduzida em um olhar de quem tentava me matar e um leve queixo caído de quem não queria dar o braço a torcer que eu tinha vencido.
Eu sorri. E me permiti que não fosse um sorriso gentil, e sim venenoso. E aproveitei e mandei um beijinho por cima do ombro.
Eu passei por ela como se o ar ao redor fosse meu, e Helen nem pisco.
Do lado de fora, o motorista que Logan tinha deixado a minha disposição já estava me esperando.
O carro era grande, preto, silencioso, e assim que eu entrei, senti o estofado me engolir.
Assim que a porta fechou, a realidade entrou pela fresta.
Eu estava indo.
Eu estava indo para a festa de aniversário do Logan Novak.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...