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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 105

~ LOGAN ~

A melhor forma de medir o sucesso de uma festa não era o volume da música nem a quantidade de convidados.

Era o quanto você conseguia andar sem ser interrompido.

No meu caso, a resposta era: não conseguia.

Eu tinha dado três passos desde a entrada e já tinham apertado minha mão cinco vezes, dito parabéns sete, feito piada sobre “mais um ano no topo” e tentado, com uma insistência educada, marcar reuniões para a semana seguinte.

Era meu aniversário.

E eu estava, como sempre, trabalhando.

A balada tinha sido tomada por um tipo específico de pessoas: clientes próximos, parceiros, amigos que também eram investidores e investidores que também eram amigos. O ambiente era escuro demais para qualquer coisa além de intenção. Luz cortando o ar em faixas, como se a noite estivesse em pedaços. Música grave o suficiente para vibrar no osso.

Henrique tinha chamado de “uma celebração adulta”.

Na prática, era um campo de batalha com champanhe.

Eu estava com um copo na mão que eu mal tocava, e meu sorriso estava no modo automático há tanto tempo que eu já não tinha certeza se alguém ali saberia identificar quando eu estava de fato sorrindo.

— Logan! — um deles me chamou, alto, e eu virei para mais um aperto de mão. — Parabéns, Novak.

— Obrigado.

— Você tá ficando velho.

— Você também.

Risos.

Eu cumpri o roteiro social, sempre fui bom nisso.

Paula também, aparentemente.

Ela apareceu ao meu lado pela terceira vez em menos de vinte minutos, o que já dizia mais sobre a intenção dela do que qualquer conversa.

Vestido impecável. Cabelo impecável. Presença impecável.

— Você está sendo muito requisitado — ela disse, inclinando o rosto para mim com um sorriso que era perfeito para fotografia.

— São só cumprimentos — eu respondi.

Ela encostou a mão no meu braço, em um toque leve e calculado.

O tipo de toque que dizia a todos ao redor: eu tenho acesso.

Eu não me afastei bruscamente, eu não criaria uma cena. Mas meu corpo registrou.

— É bom ver você assim — Paula continuou, como se ela estivesse assistindo a um homem que finalmente tinha aceitado o próprio lugar no mundo. — No centro.

Eu quase ri.

Porque o centro, naquele momento, era a entrada, e eu estava olhando para lá de novo.

Eu nem percebi que tinha virado a cabeça.

Eu só senti o impulso.

Uma linha invisível puxando.

Mareu não tinha me dado certeza que viria. Ela tinha dito “claro” com aquela energia de quem está dizendo “claro” para não precisar admitir que está nervosa.

E eu tinha feito o que sempre faço quando não sei lidar com uma coisa que me importa: eu não toquei mais no assunto.

Convidei.

Sai.

Como se a minha vontade fosse uma ordem que eu pudesse guardar numa gaveta.

Mas, naquela noite, a gaveta não fechava.

Eu olhava para a entrada o tempo todo. Como um idiota. Como um adolescente. Como alguém esperando uma coisa que não tem o direito de esperar.

Paula falou mais alguma coisa, mas eu sequer me esforçava para ouvir.

Meu olhar já estava de volta na porta.

Henrique apareceu do meu lado com um copo novo, e me ofereceu a bebida com a naturalidade de quem alimenta um animal nervoso.

— Toma — ele disse. — Você parece que vai morder alguém.

Eu peguei o copo.

— Eu estou ótimo.

— E a experiência no navio-showroom? — um deles insistiu.

Eu senti uma pontada.

Eu vi a sauna.

Eu vi a porta fechando.

Eu vi Mareu saindo pálida demais, leve demais nos meus braços.

Eu mantive o rosto neutro.

— Foi um sucesso comercial — eu disse.

E era.

Mas não foi isso que ficou.

— A experiência de showroom validou o modelo — completei, no automático. — Nós conseguimos manter...

Eu estava terminando a frase quando senti, como se alguém tivesse puxado o ar de um jeito diferente.

Meus olhos voltaram para a entrada antes mesmo de eu decidir fazer isso.

Eu perdi a linha da conversa no meio.

Uma pausa mínima.

Um microsegundo em que minha cabeça deixou de funcionar.

— Logan? — um deles chamou.

Eu não respondi de imediato porque a porta virou o meu ponto cego no meio da conversa. A luz do corredor cortou a entrada por um instante e, quando eu virei o olhar, ela já estava ali: Mareu. Como se tivesse atravessado a noite e puxado o foco sem pedir permissão.

O vestido era preto, longo, com um corpete firme demais para ser inocente e uma saia de tule que se movia do jeito certo, do jeito perigoso; a fenda alta deixava claro que cada passo dela carregava intenção, mesmo que ela fingisse que não. Os sapatos pegaram a luz e denunciaram o que eu já sabia: aquilo não era “só uma roupa”. Era um ataque direcionado.

O mais absurdo foi perceber que a festa continuava exatamente igual para todo mundo. A música seguia vibrando, as pessoas seguiam falando, alguém ao meu lado ainda estava terminando uma frase sobre o Asteria, e eu é que tinha ficado fora de sincronia.

Meu peito apertou com uma sensação primária que eu detesto reconhecer: alívio. Ela tinha vindo. E, na mesma hora, veio o resto, mais difícil de controlar. Eu não conseguia tirar os olhos dela. Eu tinha investidores na minha frente, gente que me acompanha há anos, e ainda assim eu estava preso em detalhes idiotas: o jeito como o tule “respirava” quando ela andava, o caimento que parecia leve demais para ser seguro, a fenda dizendo uma coisa que o resto do vestido fingia não dizer, e a expressão dela sustentando aquela mistura típica de coragem e sarcasmo como se por dentro estivesse um caos e por fora ela estivesse pronta para fazer piada.

Quando um dos homens ao meu lado falou comigo de novo, eu não ouvi. Eu só vi Mareu parar por um segundo, como se sentisse meu olhar, e levantar o rosto na minha direção com aquele timing irritante de quem sabe exatamente onde está pisando. Foi aí que eu tive a certeza, inteira e imediata, de que eu tinha cometido um erro ao convidá-la.

Porque eu não tinha convidado uma funcionária para uma festa. Eu tinha chamado um problema para dentro de um lugar onde eu precisava parecer inabalável.

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