~ LOGAN ~
A melhor forma de medir o sucesso de uma festa não era o volume da música nem a quantidade de convidados.
Era o quanto você conseguia andar sem ser interrompido.
No meu caso, a resposta era: não conseguia.
Eu tinha dado três passos desde a entrada e já tinham apertado minha mão cinco vezes, dito parabéns sete, feito piada sobre “mais um ano no topo” e tentado, com uma insistência educada, marcar reuniões para a semana seguinte.
Era meu aniversário.
E eu estava, como sempre, trabalhando.
A balada tinha sido tomada por um tipo específico de pessoas: clientes próximos, parceiros, amigos que também eram investidores e investidores que também eram amigos. O ambiente era escuro demais para qualquer coisa além de intenção. Luz cortando o ar em faixas, como se a noite estivesse em pedaços. Música grave o suficiente para vibrar no osso.
Henrique tinha chamado de “uma celebração adulta”.
Na prática, era um campo de batalha com champanhe.
Eu estava com um copo na mão que eu mal tocava, e meu sorriso estava no modo automático há tanto tempo que eu já não tinha certeza se alguém ali saberia identificar quando eu estava de fato sorrindo.
— Logan! — um deles me chamou, alto, e eu virei para mais um aperto de mão. — Parabéns, Novak.
— Obrigado.
— Você tá ficando velho.
— Você também.
Risos.
Eu cumpri o roteiro social, sempre fui bom nisso.
Paula também, aparentemente.
Ela apareceu ao meu lado pela terceira vez em menos de vinte minutos, o que já dizia mais sobre a intenção dela do que qualquer conversa.
Vestido impecável. Cabelo impecável. Presença impecável.
— Você está sendo muito requisitado — ela disse, inclinando o rosto para mim com um sorriso que era perfeito para fotografia.
— São só cumprimentos — eu respondi.
Ela encostou a mão no meu braço, em um toque leve e calculado.
O tipo de toque que dizia a todos ao redor: eu tenho acesso.
Eu não me afastei bruscamente, eu não criaria uma cena. Mas meu corpo registrou.
— É bom ver você assim — Paula continuou, como se ela estivesse assistindo a um homem que finalmente tinha aceitado o próprio lugar no mundo. — No centro.
Eu quase ri.
Porque o centro, naquele momento, era a entrada, e eu estava olhando para lá de novo.
Eu nem percebi que tinha virado a cabeça.
Eu só senti o impulso.
Uma linha invisível puxando.
Mareu não tinha me dado certeza que viria. Ela tinha dito “claro” com aquela energia de quem está dizendo “claro” para não precisar admitir que está nervosa.
E eu tinha feito o que sempre faço quando não sei lidar com uma coisa que me importa: eu não toquei mais no assunto.
Convidei.
Sai.
Como se a minha vontade fosse uma ordem que eu pudesse guardar numa gaveta.
Mas, naquela noite, a gaveta não fechava.
Eu olhava para a entrada o tempo todo. Como um idiota. Como um adolescente. Como alguém esperando uma coisa que não tem o direito de esperar.
Paula falou mais alguma coisa, mas eu sequer me esforçava para ouvir.
Meu olhar já estava de volta na porta.
Henrique apareceu do meu lado com um copo novo, e me ofereceu a bebida com a naturalidade de quem alimenta um animal nervoso.
— Toma — ele disse. — Você parece que vai morder alguém.
Eu peguei o copo.
— Eu estou ótimo.
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...