~ PAULA ~
A festa estava cheia. Música alta, luzes atravessando o ar em cortes, corpos se movendo com aquela facilidade que só existe quando ninguém ali precisa se preocupar com o dia seguinte. O tipo de evento que meu pai gosta porque parece espontâneo, mas é uma vitrine. Clientes próximos, família, investidores... todos fingindo que estão ali por afeto quando, na verdade, estão ali por posição.
E, no meio de toda aquela coreografia, Mareu entrou.
Ela entrou e o ambiente não parou, mas eu vi um microajuste coletivo. Um segundo de atenção involuntária, como quando alguém muito bonito atravessa um lugar e todo mundo finge que não olhou. Mas olhou.
Eu olhei.
Claro que eu olhei.
E, no reflexo, meus olhos correram para Logan.
Porque o ponto nunca foi ela.
O ponto sempre foi ele.
Logan Novak estava com um grupo de homens que ele respeita. Pessoas que raramente conseguem fazer Logan Novak perder o controle de uma conversa.
E ele perdeu.
Não com palavras.
Com o olhar.
Eu vi o microtravamento. Vi a pausa. Vi o foco quebrando.
Vi, com uma clareza que me deu vontade de arrancar o salto e arremessar na parede, Logan Novak babando pela babá.
O que não fazia sentido, não de verdade. Porque eu sou a escolha lógica.
E, ainda assim, ali estava ele, com o corpo inteiro puxado para ela como se alguém tivesse acionado uma linha invisível.
A minha mão apertou o copo que eu já estava segurando. O vidro rangeu sob meus dedos. Eu senti a vontade de sorrir para alguém e dizer alguma coisa leve, qualquer coisa, só para provar que eu não tinha sido atingida.
Mas eu fui.
Então eu fiz o que eu sempre faço quando alguma coisa ameaça minha imagem em público: eu recuo para um lugar fechado e reorganizo o tabuleiro.
O banheiro mais próximo ficava num corredor lateral, longe da pista, com uma iluminação mais suave e um silêncio relativo. Eu entrei como se fosse apenas uma mulher indo retocar maquiagem.
Eu me apoiei na bancada, encarei meu reflexo e respirei fundo. O delineado estava intacto. O batom, perfeito. A expressão, calma.
A raiva, não.
Tudo bem.
A babá não era concorrência.
Não era.
Eu repeti para mim mesma como se fosse um mantra.
Porque ela não tinha nada do que eu tinha.
Ela não tinha sobrenome útil — o Valença não valia mais nada se o destino dela era trocar fraldas.
Ela não tinha dinheiro.
Ela não tinha posição.
Ela não tinha acesso.
Ela tinha… presença.
E isso era irritante, mas não era perigoso.
Não deveria ser.
Eu encostei o dedo no canto do olho e ajustei a máscara de cílios como se pudesse, com isso, ajustar o mundo.
Pensei: ela não é nem de longe tão bonita quanto eu.
E isso era verdade.
Pensei: ela é só alguém que troca fraldas de uma criança de seis anos.
E então, como se meu cérebro precisasse produzir um insulto para aliviar a pressão, veio a imagem da Olívia.
Aquela duplinha.
A criança com o olhar de quem já sabe demais.
E a babá com a língua afiada demais para o cargo.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...