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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 109

~ LOGAN ~

Eu estava preso num círculo de conversa que alternava entre elogios e pedidos disfarçados. Um investidor comentava a “visão” do grupo. Outro queria saber da expansão do hangar. Um terceiro perguntava sobre o Asteria como se fosse um brinquedo e não um navio cheio de tecnologia, gente e risco. Eu respondia com a cadência correta, sem entregar o que não precisava entregar, e mantinha o corpo no lugar. Festa de aniversário, para mim, sempre foi isso: um lembrete anual de que você pode estar cercado de gente e ainda assim ter que segurar tudo sozinho.

E então meus olhos encontraram ela de novo.

No meio da pista.

E, por um instante, o salão inteiro perdeu prioridade.

Mareu estava dançando com um homem alto, um terno que parecia ter sido feito para as luzes de uma balada e a postura de quem não tem pressa de provar nada. Ele conduzia com facilidade, e ela… ela estava rindo.

Eu precisei de meio segundo para reconhecer.

Rômulo Vianna.

Eu não quis fazer um caso disso. O nome entrou na minha cabeça do mesmo jeito que entra o nome de qualquer pessoa importante em qualquer ambiente: por hábito. Eu sabia quem ele era. Eu sabia com quem ele andava. Eu sabia o tipo de manchete em que o nome dele aparecia e o tipo de mulher que o acompanhava quando aparecia.

Rômulo era sedutor por esporte. A versão social de um homem que coleciona histórias para não ter que lidar com nenhuma.

Uma mulher diferente por semana, escândalos em colunas de relacionamento, o pacote completo do “nada sério, tudo intenso”.

Eu observei mais um segundo e senti uma irritação limpa subir pelo meu peito.

Mareu não deveria estar dançando com ele.

Não por moralismo. Não por ciúme — eu me recusei a dar esse nome tão rápido. Por proteção, eu pensei. Por lógica. Porque Rômulo era o tipo de risco que você enxerga de longe e evita sem precisar de explicação.

E então eu ouvi, dentro da minha cabeça, a parte honesta da frase:

Eu não queria que ela estivesse com ele.

Eu não queria que ela estivesse com ninguém.

Essa era a verdade.

Eu pensei em dar um passo naquela direção, um impulso físico que contrariava o resto do meu corpo, treinado para não reagir. Eu cheguei a mover o peso do pé.

E faria o quê?

Arrancaria Mareu do meio da pista como se eu tivesse esse direito? Com que justificativa? “Boa noite, Rômulo, obrigado por divertir a minha funcionária, eu vou levá-la de volta para o meu controle”? Eu teria virado exatamente o tipo de homem que eu desprezo. O tipo que confunde autoridade com posse.

Então continuei onde estava.

Continuei olhando.

E fingi prestar atenção no grupo ao meu redor como se a conversa ainda importasse.

Os homens riam de uma piada que eu não tinha ouvido. Eu sorri no tempo certo, porque eu sei fazer isso com a mesma precisão com que assino papelada. Um deles me perguntou algo sobre um contrato e eu respondi com duas frases objetivas, mesmo com o olhar puxado para a pista como se fosse um imã.

Foi nesse momento que aconteceu.

Eu vi Paula passar por perto.

Não vi o início. Eu vi o gesto final: o copo inclinando, o líquido escuro encontrando o tecido preto do vestido, a microexpressão de quem já tinha ensaiado uma desculpa. Vi Mareu parar por um segundo, olhar para baixo, e a postura dela mudar.

Ela saiu rápido, provavelmente em direção ao banheiro.

Eu pedi licença ao grupo com um gesto educado e um sorriso que ninguém questiona.

— Já volto.

Mas eu não fui atrás de Mareu.

E fui até Rômulo.

Eu encontrei ele perto do bar, copo na mão, olhando para a pista como se a noite tivesse acabado de oferecer entretenimento extra. Ele me viu se aproximar e abriu um sorriso.

— Novak — ele disse, e estendeu a mão. — Parabéns.

Eu apertei.

— Obrigado.

— Escuta… eu não quero atravessar nada, eu...

— Não está atravessando — interrompi antes que ele terminasse.

Eu mantive o tom estável. Sem ameaça explícita. O suficiente para que a mensagem chegasse inteira.

— É só que… minha filha gosta muito dela.

Eu deixei a frase respirar.

E então eu completei, com a parte que não precisava de justificativa.

— Então, se você arrumar problema com a Mareu, vai arrumar problema comigo.

Rômulo me encarou por um segundo mais do que o necessário, como se decidisse se eu estava brincando.

Eu não estava.

Ele sorriu de um jeito novo, menos leve.

— Eu não pretendo arrumar problemas com ela — ele disse. — Só soluções.

Eu não devolvi o sorriso.

— Ótimo — eu respondi, e deixei o ponto final cair como um carimbo. — Você foi avisado.

Eu virei antes que a conversa ganhasse qualquer camada que parecesse pessoal.

Por dentro, eu estava com a sensação desagradável de ter feito algo que eu não queria fazer: admitir, mesmo que sem admitir, que Mareu importava.

Ciúme é uma palavra pequena para o tamanho do que eu senti.

Era pior do que ciúme.

Era a certeza de que eu tinha aberto uma porta dentro de mim que eu vinha mantendo trancada há tempo demais.

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