~ MAREU ~
Banheiro de balada chique é um conceito, é uma experiência. Luz baixa que te faz parecer mais saudável do que você é, espelho que tenta convencer você de que suas escolhas têm propósito, e um cheiro de perfume caro misturado com desespero em silêncio.
Eu estava vivendo essa experiência com um detalhe extra: uma mancha de vinho tentando transformar o meu vestido em desastre social.
Eu respirei fundo e fiz o que qualquer pessoa sensata faria nessa situação.
Eu virei uma enfermeira.
Peguei papel, pressionei, pressionei de novo, sem esfregar. A mancha parecia uma nuvem roxa insistindo em se expandir. Eu comecei a conversar com ela em silêncio, como se fosse um animal.
Calma.
Fica pequena.
Finge que não existe.
Eu levantei o tecido, tentei localizar onde tinha pegado no corpete. O corpete era a parte difícil: estruturado, justo, do tipo que não permite erro nem respirando. E agora ele estava sendo atacado por uma bebida que eu nem tinha pedido.
Eu prendi a respiração e olhei ao redor, procurando qualquer coisa útil: toalha de papel, água, uma funcionária milagrosa, um exorcismo. Só tinha eu, minhas mãos e a consciência de que eu era uma babá usando um vestido que não combinava com a palavra “babá”.
A porta abriu.
Entrou uma mulher que parecia ter saído de um editorial: cabelo preso com uma casualidade estudada, maquiagem do tipo “acordei assim” que custa três horas, e um vestido curto digno de quem sustenta.
Ela me olhou, olhou pro meu vestido, e sorriu com aprovação.
— Uau — ela disse, com sinceridade. — Belo vestido. É um… Zuhair Murad?
Eu pisquei.
Era o tipo de pergunta que, no meu antigo universo, vinha com naturalidade. No meu universo atual, vinha com uma vontade imediata de rir e chorar ao mesmo tempo.
— É um Mareu — eu respondi.
Ela franziu a testa como se eu estivesse buscando pela marca em seu acervo mental.
— Mareu? — repetiu. — Mareu de quê?
Eu olhei pro meu reflexo e depois pra ela, segurando o tule como quem segura um segredo.
— Só Mareu — eu disse. — Tipo… Mareu, eu.
A mulher ficou um segundo processando e então deu uma risadinha, divertida.
— Justo. Tipo Madonna — ela disse. — Não precisa de sobrenome.
Antes que eu pudesse decidir se aquilo era elogio, ironia ou os dois, ela estendeu a mão.
— Catharina Novak.
Eu senti o meu cérebro tropeçar.
— Novak tipo em… Logan Novak? — eu perguntei.
Ela sorriu mais.
— Exatamente — respondeu. — Eu sou a irmã legal.
Irmã.
Certo.
Eu apertei a mão dela com cuidado, como se sobrenomes pudessem ser contagiosos.
— Eu sou a Mareu — eu disse, e apontei pra mim mesma com o polegar, porque eu estava me sentindo uma personagem que entrou na cena errada. — Mas acho que você já entendeu isso.
Catharina riu. Um riso aberto, sem esforço, o oposto do riso social que eu estava colecionando desde que entrei naquela festa.
— Ouvi falar de você.
Eu congelei por dentro.
E na hora minha cabeça começou a fazer contas demais.
O que, exatamente, Logan Novak diria sobre mim para alguém? Ele não tinha motivo pra falar mal. Eu era útil. Eu era eficiente. Eu mantinha a filha dele respirando emocionalmente e isso, por si só, já era um serviço.
Mas também existia a outra opção. A opção que eu preferia não imaginar no banheiro feminino de uma balada.
Excelente babá.
Ou excelente na cama.
Meu rosto esquentou. Eu me xinguei mentalmente.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...