Estava na cozinha naquela manhã servindo o café de Olívia quando Helen apareceu.
Olívia já estava sentada na bancada, arrumada para escola — uniforme impecável, cabelo preso naquele rabo de cavalo que eu tinha finalmente aprendido a fazer sem deixar torto. Ela mexia no tablet enquanto esperava o café ficar pronto.
Helen entrou com aquela postura de quem se sente dona do espaço, foi direto para a geladeira e pegou uma mamadeira já preparada. Começou a aquecê-la numa panela com água quente no fogão, mesmo tendo uma estação completa de alimentação no quarto do Liam com aquecedor elétrico e tudo mais.
Não perguntei por quê. Já tinha aprendido que Helen fazia questão de fazer as coisas do jeito dela, como se estivesse provando algum ponto invisível.
Servi o café de Olívia — panquecas pequenas, frutas cortadas, um copo de suco de laranja — e coloquei tudo na frente dela.
— Tenho uma coisa pra você — Olívia disse, sem tirar os olhos do tablet.
— Hm? — murmurei, ajeitando a lancheira.
Ela puxou um papel dobrado de dentro da mochila e deslizou pela bancada de mármore na minha direção, com toda a seriedade de uma executiva fechando um negócio milionário.
Peguei o papel e abri, curiosa.
Era um contrato. Escrito com aquela letra caprichada de criança aplicada, algumas palavras tortas mas perfeitamente legíveis.
"Contrato de Babá Provisória da Olívia Novak.
Cláusula 1: você não pode desistir antes da apresentação de balé.
Cláusula 2: você tem que trazer chocolate.
Assinado: a cliente."
Um sorriso inevitável se espalhou no meu rosto.
— Isso é legalmente válido? — perguntei, fingindo analisar o documento com toda a seriedade.
— Totalmente — Olívia respondeu, cruzando os bracinhos. — Já que você completou uma semana, precisa assinar isso.
— Então eu vou fazer o possível para cumprir minhas obrigações contratuais — disse, dobrando o papel com cuidado. — Especialmente a cláusula um. Essa me parece a mais importante.
Olívia tentou segurar o sorriso, mas não conseguiu. Ele escapou, pequeno mas genuíno.
Então ela deslizou mais uma coisa pela bancada. Dois ingressos impressos em papel grosso, com o nome do teatro em letras douradas elegantes.
— Pode levar quem quiser — ela disse, a voz saindo casual demais, forçadamente indiferente. — Já que o papai não vai mesmo.
Meu coração apertou dolorosamente no peito.
— Liv...
Mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, a porta da cozinha se abriu.
Logan entrou.
Ele ocupava o espaço da cozinha enorme de um jeito que parecia natural, inevitável, como se o ambiente inteiro se reorganizasse ao redor da presença dele.
— Bom dia — disse, a voz grave ecoando nas paredes brancas.
— Bom dia, senhor Novak — respondi automaticamente, mantendo o tom educado, profissional, os olhos baixos enquanto fingia estar muito ocupada ajeitando guardanapos que já estavam perfeitamente ajeitados.
— Bom dia, Logan — Helen disse do outro lado da cozinha, aquele tom de intimidade forçada que eu já reconhecia.
Levantei os olhos rapidamente, quase sem querer, esperando ver Logan repreendê-la pela informalidade.
Mas ele não pareceu se importar. Apenas acenou com a cabeça brevemente na direção dela e foi direto para a máquina de café expresso, apertando botões com movimentos precisos e automáticos.
Claro. Ela pode chamar de Logan. Eu tenho que ser a "funcionária invisível".
Senti meu rosto esquentar.
Ainda não conseguia olhar para ele sem lembrar da noite anterior. Do "sonho". Do meu comentário mortificante sobre ele ser "forte e durinho". Da forma como ele tinha alimentado Liam com tanta naturalidade, tão... humano.
Precisava sair dali. Rápido. Antes de cometer mais alguma gafe monumental.
— Olívia, termina logo o café — disse, talvez rápido demais. — Escova os dentes que o motorista já tá esperando.
Quanto antes eu saísse da frente de Logan, melhor. Menos chance de fazer algo constrangedor. Menos chance de ele perceber que eu ainda estava vermelha.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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