~ MAREU ~
A primeira coisa que Logan Novak fez foi trancar a porta.
Não era uma tranca normal, mas sim uma fechadura que tinha teclado numérico, bip discreto e uma senha que parecia ter sido criada para impedir tanto curiosos quanto sentimentos.
— É só pra ninguém entrar — ele disse, como se eu tivesse perguntado.
Eu não tinha perguntado. Eu estava ocupada tentando salvar meu vestido e a minha dignidade ao mesmo tempo, o que, honestamente, era um esporte de alto risco.
— Claro — eu respondi, e a palavra saiu com uma firmeza que eu não senti. — Imagina alguém ver você aqui e achar que…
Eu parei.
Porque o “achar que” podia virar mil coisas, e nenhuma delas me ajudava a respirar.
Logan caminhou até a bancada. O banheiro tinha aquele mármore que custa o preço de um carro e, ainda assim, parecia hostil. Ele colocou as coisas ali com precisão: água com gás, um pano branco dobrado, um removedor de manchas.
Era um kit de contenção de danos para o meu vestido.
— Pressiona — ele disse, sem olhar para minha cara. — Sem esfregar.
O que me irritou foi o fato de ser um ótimo conselho.
— Eu sei — eu respondi, pressionando o pano contra o tule como se estivesse negociando com o universo. — Eu não sou uma bárbara.
Ele olhou para a mancha com atenção, o que significava que ele estava olhando para a minha perna. A fenda tinha virado um problema de relações públicas desde o segundo em que eu saí de casa. No banheiro, virou também um problema de foco.
Logan não falou nada.
Só ficou ali.
E eu senti o peso do silêncio.
De repente, eu estava no meio de um banheiro feminino, com o meu vestido molhado, minhas mãos tremendo e o solteiro mais perigoso do Rio digitando senha na porta como se fosse normal.
— Foi a Paula — eu soltei, antes que minha cabeça inventasse outra coisa para dizer.
Logan levantou os olhos para mim.
— Eu vi — ele respondeu.
Duas palavras. Nenhuma surpresa. Nenhuma pergunta.
Eu engoli.
— Então você sabe que não foi acidente.
Ele ficou um segundo em silêncio, e eu tive a impressão de que, se ele falasse “eu vi” de novo, eu ia começar a acreditar que ele era um algoritmo.
— Eu sei — ele disse.
Quase.
Eu pressionei o pano com mais força do que precisava.
— Eu odeio esse tipo de gente — eu murmurei.
— Eu também — ele respondeu.
E foi aí que eu entendi o que era perigoso: ele não estava brincando. Ele não estava no modo “anfitrião”. Ele estava no modo “resolver”. E o modo “resolver” dele tinha derrubado um setor inteiro do spa num navio.
Eu respirei fundo.
Respirei de novo.
E, porque a vida gosta de testar minhas tentativas de autocontrole, eu senti a garganta arranhar como se eu tivesse engolido o ar errado.
O problema é que eu tinha.
Eu estava nervosa. Eu estava pressionando, falando, tentando parecer normal. E, sem perceber, eu peguei a garrafinha de água com gás e levei à boca.
Eu bebi.
E imediatamente me arrependi.
O gás subiu no lugar errado. Meu peito apertou. O ar parou de cooperar.
Eu fiz um som indigno.
— Mareu? — Logan disse, e o meu nome na voz dele foi a pior combinação possível: firme e alerta.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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