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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 113

~ MAREU ~

Eu não tinha certeza se eu tinha acabado de viver um surto de paixão ou um processo trabalhista em potencial. Eu só sabia que meus joelhos estavam me traindo e que eu ainda estava usando os sapatos como se eles fossem uma medalha. Logan estava a dois passos de mim, respirando como se tivesse subido dez andares de escada, olhando para o meu vestido com a mesma seriedade com que ele olha para contratos.

O silêncio entre nós era grosso, quente, cheio de coisas que eu não tinha vocabulário para organizar. Ele passou a mão pelo cabelo, aquele gesto que devia ser simples, mas nele virava ameaça. Os olhos verdes ainda estavam escuros, a mandíbula tensa como se ele estivesse segurando alguma coisa por força.

Então, bem baixo, como se tivesse deixado escapar sem autorização da própria mente, ele disse:

— Por que você mexe tanto comigo?

Eu congelei.

— O quê?

Logan piscou uma vez, como se tivesse esquecido que eu existia e, ao mesmo tempo, lembrado com violência. Ele balançou a cabeça, negativo, e a expressão dele fechou num segundo. Era o Logan de sempre tentando recuperar a roupa depois de ter tirado a gravata do controle.

— Eventualmente, a gente vai precisar sair daqui — ele disse, no tom prático de quem está falando de logística, não de… nós.

Eu engoli.

— Já devem estar procurando você.

— E já devem ter tentado usar esse banheiro algumas vezes — ele completou.

A realidade bateu.

Eu olhei para a porta trancada, para a fechadura com senha, para o mundo lá fora vibrando música e dinheiro, e senti um pânico breve, daqueles que duram meio segundo e depois viram ironia.

— Espero que não tenham ouvido nada.

Logan inclinou a cabeça, e o canto da boca dele mexeu como se ele estivesse tentando não sorrir… e falhando.

— Você é deliciosamente barulhenta.

Meu rosto pegou fogo.

Eu abri a boca para rebater ao mesmo tempo em que voltava a me vestir. Não saiu nada. Porque o problema de ouvir aquilo dele era que meu corpo inteiro concordava antes de eu conseguir mentir.

— Logan… — eu comecei, e a palavra saiu sem força, mais aviso do que repreensão.

— Respira — ele disse, de volta no modo “resolver”, e se aproximou como se estivesse lidando com algo frágil. Eu odeio quando ele vira competente. Competência nele tem um efeito criminoso.

Ele pegou o pano branco, molhou de leve na água com gás e pressionou com cuidado a parte do tule que ainda estava úmida. Depois, sem dizer nada, ele puxou mais um pouco do tecido para esconder o que precisasse ser escondido e me olhou de cima a baixo com a mesma seriedade de um auditor.

— Você tá bem? — ele perguntou.

— Estou — eu respondi, e depois completei, porque eu sou incapaz de parar no sensato: — Quer dizer… fisicamente.

Logan soltou um som que poderia ser riso ou frustração. Foi o tipo de som que me faria pedir desculpas se eu não tivesse orgulho.

— Deixa eu… — ele falou, e passou o polegar de leve perto do meu queixo, onde provavelmente tinha alguma marca de maquiagem ou… qualquer coisa. O toque foi rápido e objetivo, mas o meu corpo reagiu como se ele tivesse escrito meu nome com fogo.

Eu odiei amar isso.

— Pronto — ele disse, como se tivesse arrumado uma gravata e não uma mulher com o coração em colapso.

Ele abaixou o olhar para o meu decote, para o corpete que eu tinha tentado controlar com dignidade, e respirou fundo. O peito dele subiu e desceu, pesado.

— A hora que eu te vi entrando com essa fenda… — ele começou, e a voz saiu mais baixa, mais rouca. — Eu fiquei cego pra todo o resto.

Eu senti uma onda de calor atravessar meu corpo.

E pensei, com uma crueldade íntima: obrigada, Helen.

Obrigada pela sabotagem.

Obrigada por transformar um vestido normal em um vestido “decisão ruim”.

Logan me olhou como se esperasse alguma resposta. Eu tinha várias, nenhuma adequada.

“É só um vestido”, talvez.

“Era pra você”, provavelmente.

“Você tem noção do estrago que fez?”, com certeza.

No fim, eu fui pelo caminho da sobrevivência:

— A gente precisa sair — eu disse, e a minha voz saiu mais firme do que eu me sentia.

Ele assentiu.

— Eu vou primeiro — Logan falou. — Você vem alguns minutos depois.

Logan ficou um segundo parado, como se quisesse dizer mais. Ou como se quisesse fazer mais. A mão dele se levantou, quase tocou meu rosto de novo, e então desistiu no meio do caminho. Ele puxou o próprio corpo de volta para a disciplina.

Capítulo 113 1

Capítulo 113 2

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