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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 114

~ MAREU ~

Clara Ribeiro, com o delineado intacto, a bolsa pequena pendurada no ombro e a expressão de quem tinha sido largada sozinha numa festa de bilionário e voltou para cobrar em juros.

Ela entrou e, em vez de me perguntar “você tá bem?”, ela fez o que qualquer amiga de verdade faria: empurrou meu ombro e me jogou de volta para dentro do banheiro como se eu fosse uma porta giratória.

— Você foi assaltada por um sommelier ou por um Novak? — ela perguntou.

Eu fiquei uns dois segundos processando a pergunta.

Provavelmente porque eu estava com a cabeça em outro lugar. Ou em outro... Logan.

— Eu… — eu comecei.

Clara me olhou de cima a baixo e soltou um suspiro dramático.

— Por que eu sinto que não posso te deixar sozinha por cinco minutos?

Eu sorri. Um sorriso bobo, culpado e, pior, feliz.

— Durou bem mais do que cinco minutos — eu disse, antes que meu cérebro me impedisse.

A Clara fechou os olhos por um instante como quem faz uma meditação curta.

— Meu Deus. Tá. — Ela apontou o dedo para mim, como se eu fosse uma criança levando bronca por ter comido doce antes do jantar. — Mareu, não que eu não esteja feliz que você fique feliz, mas… isso não tá certo.

— Como assim? — eu perguntei, e a palavra saiu com uma defensiva que me irritou. Porque eu sabia o que ela ia dizer. Eu só não queria ouvir.

Clara encostou na pia, cruzando os braços, e o olhar dela ficou sério num nível que eu conhecia bem: Clara só ficava séria assim quando ela tinha medo.

— Você transou com ele no navio uma vez e foi bom — ela começou.

— Bom, não — eu corrigi automaticamente. — Incrível.

Ela me encarou.

— Tá — ela concedeu, como quem registra um dado para o tribunal. — Aí você transa com ele de novo num banheiro de balada e…

— Tão bom quanto — eu interrompi, porque eu tenho um talento absurdo para piorar minha própria situação.

— Mareu — Clara falou meu nome como se fosse uma ameaça.

Eu levantei as mãos.

— O quê? Você tá pedindo honestidade, eu tô dando honestidade.

— Eu não tô pedindo detalhes — ela retrucou. — Eu tô perguntando: é isso? Ele te pegando escondido em qualquer canto enquanto tá com casamento marcado com outra?

A frase acertou no lugar exato.

Eu odiei isso.

— Ele não tem química com ela — eu disse, rápida. — Ele não gosta dela, eu diria.

Clara levantou as sobrancelhas.

— E ainda assim não cancela o casamento.

O silêncio que veio depois foi o tipo que me deixava sem piada pronta.

Clara continuou, mais baixo:

— O que diz um pouco sobre ele, não é?

Eu engoli.

— Diz… — eu repeti, tentando comprar tempo. — Diz o quê exatamente?

Clara respirou fundo. O olhar dela foi para o meu vestido, para o meu cabelo, para os sapatos. Para o meu estado inteiro. E então voltou para mim.

— Diz que você pode ser até divertida — ela falou com cuidado, como se estivesse escolhendo palavras que não cortassem. — Mas é só isso.

Meu peito apertou.

— Clara…

Ela suspirou, cansada.

— É por isso que não rola nada entre eu e o Henrique — ela confessou, e a voz tremeu um pouco, como se ela odiasse admitir. — Eu sei que, pra ele, eu seria só… mais uma. Ele é simpático, é charmoso, é ótimo. Mas é aquele tipo de cara que coleciona mulheres.

Eu fiquei olhando pra ela, porque Clara Ribeiro falando de vulnerabilidade era como ver um gato pedindo colo: raro, desconcertante e impossível de ignorar.

— E o Logan — ela continuou, e a boca dela ficou dura — parece… o mesmo tipo de cara.

Eu me sentei de novo no banquinho, porque minhas pernas decidiram que estavam cansadas de sustentar minhas escolhas.

— Sexo casual é bom — eu declarei, tentando soar adulta.

Capítulo 114 1

Capítulo 114 2

Capítulo 114 3

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