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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 117

~ MAREU ~

Eu não sei de quem foi a ideia. Mas lá estava eu, sentada em uma embarcação grande, branca, com um formato que tentava ser um cisne e terminava sendo um patinho com autoestima.

Liam tinha sido encaixado numa cadeirinha com a seriedade de um passageiro VIP. Olívia estava atrás dele, segurando uma garrafinha de água e um pacote de biscoitos como se estivesse liderando uma operação de suprimentos. E eu e Logan, na frente do pedalinho, com as pernas fazendo o que pernas fazem quando duas pessoas precisam pedalar juntas: se esbarrar.

— Instruções — Olívia anunciou, antes mesmo do pedalinho sair do lugar.

Eu olhei por cima do ombro.

— Existem instruções para… pedalar?

— Existe instrução para tudo — ela respondeu. — O pedalinho é um veículo aquático. Veículos aquáticos exigem protocolo.

Logan soltou um som que eu reconheci como o equivalente dele a uma risada contida. Eu fingi que não ouvi, porque eu não precisava da humilhação de saber que ele estava se divertindo com a minha cara.

— Protocolo número um — Olívia continuou. — Nada de movimentos bruscos. Liam está em fase de… instabilidade.

— Ele tem nove quilos de pura instabilidade — eu murmurei.

— Protocolo número dois: não discuta perto do lago. O eco favorece mal-entendidos.

— Isso é ciência ou trauma? — eu perguntei.

— Estatística — Olívia respondeu, como se eu fosse burra.

Logan começou a pedalar, aquele movimento controlado, eficiente. Eu acompanhei, e meus joelhos imediatamente encostaram no dele.

Encostaram de leve.

Ele ajustou a posição. Eu ajustei também. Encostaram de novo.

Eu juro que existiam outras partes do meu corpo capazes de sentir constrangimento, mas o joelho parecia ter virado o centro das decisões naquele momento.

— Dá pra você parar de… — eu comecei.

— De pedalar? — Logan perguntou, sem olhar para mim.

— De existir com tanta… perna — eu completei.

Ele finalmente virou o rosto e me lançou aquele olhar verde que tinha um talento especial para me desmontar por dentro e me deixar parecendo intacta por fora.

— Eu posso mudar de lugar — ele disse, num tom neutro.

— Pra quê? Pra eu pedalar e você ficar lá atrás fiscalizando com a Olívia? Não, obrigada.

Atrás, Olívia começou a narrar o passeio como se estivesse apresentando um programa.

— À direita, vemos um casal discutindo porque alguém esqueceu o protetor solar. Clássico. À esquerda, uma criança tentando alimentar os peixes com batata frita. Baixa eficiência nutricional.

Liam fez um som animado e bateu as mãos, como se concordasse.

— Ele disse “baixa eficiência” — Olívia informou.

— Ele disse “aaaa” — eu corrigi.

— Interpretação é uma habilidade — ela respondeu.

O pedalinho avançou devagar, e o parque foi ficando mais distante, as vozes mais baixas, o barulho da cidade virando uma camada de fundo. Por alguns minutos, eu consegui esquecer a festa da noite anterior, os sapatos, o banheiro, o meu cérebro entrando em pânico toda vez que eu lembrava.

E eu consegui, pior ainda, sentir que aquilo era… bom.

Não confortável. Não fácil.

Bom.

Logan estava do meu lado, em silêncio, fazendo o mínimo de conversa e o máximo de presença. Olívia estava atrás, satisfeita com a própria organização do passeio. Liam balbuciava como se estivesse treinando discurso.

E o vento batia no rosto, e o sol esquentava a pele, e eu pensei, com uma pontada estranha, que isso parecia uma coisa que eu não tinha o direito de querer.

Minha perna encostou na dele de novo, sem querer.

Ou com um querer minúsculo, que eu me recusava a admitir.

Logan ajustou a cadência e, por um segundo, a mão dele roçou no meu pulso quando ele mudou a pegada.

Foi um roçar mínimo.

Suficiente para meu estômago lembrar de como era ser irresponsável.

Eu pigarreei.

— Pedalinho é um conceito perigoso — eu falei, aleatório.

— Por quê? — ele perguntou.

— Porque você acha que vai ser inocente e termina com... reflexão existencial.

Logan me olhou de novo, aquele micro sorriso que ele tenta esconder.

— Você reflete existencialmente com facilidade.

— Eu sou intensa — eu disse. — Você mesmo já usou essa palavra.

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