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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 119

~ MAREU ~

No domingo à noite, eu estava na sala com a Olívia, cada uma ocupando um lado do sofá como se aquilo fosse uma mesa de negociação. Ela com um livro enorme apoiado nas pernas, eu com a pipoca ainda fechada na mão, tentando convencer a mim mesma de que eu sabia conduzir uma noite “normal” com uma criança prodígio.

— Certo — eu anunciei, erguendo o pacote de pipoca como se fosse uma proposta oficial. — Temos duas opções para hoje.

Olívia levantou os olhos, interessada do jeito frio que me irritava e me encantava ao mesmo tempo.

— Opção um: dorama de vingança corporativa com pipoca amanteigada e uma dose de melancolia bem aplicada — eu disse, contando nos dedos. — Opção dois: documentário sobre… sei lá… polvo superdotado com pipoca amanteigada e uma dose de melancolia acidental, porque todo mundo chora quando um polvo morre. Eu não faço as regras.

Olívia piscou devagar.

— Você colocou melancolia como se fosse tempero.

— Porque é — eu respondi, séria. — Domingo à noite é o momento da semana em que até o sofá parece ter saudade de alguma coisa.

Ela voltou para o livro como se eu tivesse falado uma verdade inconveniente.

— Eu prefiro opção três — ela disse.

Eu pisquei, porque eu tinha acabado de oferecer duas possibilidades muito bem pensadas e, ainda assim, aquela criança estava falando como se eu tivesse apresentado um cardápio incompleto.

— Não existe opção três.

Olívia fechou o livro com a calma de quem encerra uma reunião e vai embora antes do café.

— Existe, sim. Você pode me ensinar a costurar um vestido pra mim.

Eu encarei.

Encarei mesmo.

Porque eu já tinha ouvido muita coisa absurda naquela casa, mas “curso intensivo de alta-costura com babá em domingo à noite” era uma categoria nova de audácia.

— Olívia… isso é trabalho infantil. Eu vou ter que fazer uma denúncia contra você mesma.

Ela nem piscou.

— Não é trabalho. É estratégia.

— Estratégia de quê?

— Garantia — ela disse, seca. — De que eu vou ser a mais bem vestida na festa da Marina.

Eu fiquei em silêncio por meio segundo, processando.

— Marina… — eu repeti, devagar. — Quem é Marina?

— Alguém que vai dar uma festa na qual eu quero ser a mais bem vestida.

Eu soltei uma risada que escapou antes de eu conseguir fingir ser adulta responsável. Porque era isso: não era sobre costura. Era sobre vencer.

— Tá — eu falei, erguendo as mãos em rendição. — Eu prometo que no próximo fim de semana eu te ensino. A gente faz o vestido, você destrói a concorrência e eu fico com a consciência limpa.

Ela assentiu, satisfeita, como se tivesse acabado de aprovar um orçamento.

— Ótimo.

— Mas hoje — eu acrescentei, apontando pro sofá e pro controle remoto — hoje a gente vai ver dorama.

Olívia estreitou os olhos, avaliando a proposta.

— Com pipoca amanteigada.

— Com pipoca amanteigada — eu confirmei.

— E sem melancolia exagerada.

Capítulo 119 1

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