~ LOGAN ~
Eu tinha passado a tarde inteira tentando convencer meu próprio cérebro de que eu era um homem racional.
Pai. CEO. Alguém que consegue tomar decisões milionárias com a frieza de quem escolhe água com gás ou sem.
E, ainda assim, às seis da tarde de um domingo, eu estava inventando um compromisso.
Não para o conselho. Não para investidores. Para uma mulher que trabalhava na minha casa.
O mais humilhante era que eu precisava sair de verdade. Se eu ficasse, se eu aparecesse no sofá com a Olívia e o Liam como se nada tivesse acontecido, Mareu talvez pedisse para ser liberada.
No carro, eu liguei para Henrique.
— Você está acordado? — perguntei, já sabendo que a resposta era sim.
— Logan, é domingo. Claro que eu tô acordado. Eu nasci com bateria social. — ele fez uma pausa dramática. — O que aconteceu?
— Drink.
— Agora sim! — ele vibrou. — Onde?
Eu disse o nome do bar. Henrique apareceu vinte minutos depois como se fosse uma festa e não um resgate.
Ele entrou me procurando com os olhos, me achou numa mesa no canto e abriu um sorriso grande demais.
— Então? Voltamos aos velhos tempos?
Eu olhei para ele por cima do copo de água que eu ainda não tinha tocado.
— Velhos tempos?
— Faculdade. Bares, mulheres, diversão… — Henrique se jogou na cadeira como se o mundo fosse dele.
Eu soltei um bufo que saiu mais pesado do que eu queria.
— Eu sou pai, Henrique. Meu nível de diversão é sábado no parque com as crianças.
Henrique levantou as sobrancelhas, e o sorriso dele virou aquele sorriso de quem sabe demais.
— E com a babá.
— E com Mareu — corrigi, rápido demais.
Ele fez uma cara de “ah”, como se eu tivesse acabado de confessar um crime.
— Certo. — Henrique se inclinou para frente. — Entendi. Isso é uma reunião de emergência disfarçada.
— Preciso conversar uma coisa.
— Não sem uma dose antes — ele levantou a mão para o garçom. — Dois uísques.
— Eu não…
— Dois — ele repetiu, me ignorando.
Quando os copos chegaram, Henrique empurrou um na minha direção com o cuidado de quem entrega uma arma.
Eu virei o meu de uma vez.
Henrique abriu um riso baixo, satisfeito.
— Parece que a confissão é boa.
O álcool queimou o caminho até o estômago, mas não queimou o pensamento que estava preso em mim desde ontem.
— Te chamei pra beber porque eu precisava sair de casa — eu disse.
Henrique piscou devagar, como se estivesse tentando acompanhar.
— Boa. É bom sair no final de semana. Seguir a vida.
— Eu precisava sair de casa porque precisava que Mareu fizesse hora extra como babá hoje à noite.
O sorriso dele murchou um pouco, a curiosidade ganhando espaço.
— Tá… prossiga.
Eu apoiei o copo na mesa com mais força do que precisava.
— Ela tinha um encontro.
Henrique ficou quieto por meio segundo. Era o tempo dele processar e decidir se me provocava ou me salvava.
— Encontro?
— Com Rômulo Vianna.
Henrique fez um som de reconhecimento, um “ah” que parecia vir de uma gaveta mental cheia de colunas sociais.
— Rômulo Vianna? Ah, sim, sim… — ele inclinou a cabeça. — O cara já teve seus escândalos, mas não é uma má pessoa. Por que você…
Ele parou no meio da frase.
Porque ele entendeu.
Henrique soltou o ar devagar, como se tivesse levado um soco.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...