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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 122

~ MAREU ~

Quando a porta da frente abriu, eu já sabia que era ele pelo jeito como o ar mudou.

Eu e Olívia ainda estávamos no sofá, em um acordo tácito de domingo à noite: fingir que amanhã não existia enquanto um dorama coreano tentava convencer o mundo de que conflitos se resolvem com trilha sonora triste.

Olívia estava com as pernas cruzadas, postura de diretora de cena. Eu tinha um cobertor no colo e a falsa serenidade de quem acha que consegue passar despercebida por um homem que pergunta pouco e conclui demais.

Ele entrou, tirou o paletó com um movimento automático e ficou parado por um segundo. O cabelo ainda impecável, o terno ainda perfeito, mas o rosto… o rosto parecia ter percorrido dez reuniões e voltado andando.

Eu deveria ter ficado quieta.

Eu sabia.

Mas eu não fiquei.

— Os negócios não foram bem? — escapou de mim, com o mesmo impulso com que alguém toca numa panela quente pra ver se já esfriou.

No instante em que a frase saiu, minha consciência já tinha levantado os dois braços, como quem diz: culpada. Porque, claro, eu não tinha direito de perguntar. Eu era babá. Eu era funcionária. Eu era… a pessoa que tinha beijado ele num banheiro de balada como se moral fosse um acessório opcional.

Logan virou o rosto na minha direção. Eu já me preparei para o “isso não é da sua conta” com etiqueta CEO, daquele jeito polido que dói mais que grosseria.

Só que ele não disse.

Ele respirou, devagar.

— Eu não sei, exatamente — ele respondeu, e a voz veio baixa, sem armadura. — Eu preciso tomar uma decisão que pode… mudar o rumo de tudo.

Eu fiquei sem saber o que fazer com aquilo. Uma frase assim não cabia no domingo à noite de pipoca e dorama.

Olívia deu pausa na televisão no mesmo instante, como se a vida real tivesse acabado de interromper o episódio e ela não tolerasse falta de respeito.

— Qual decisão? — ela perguntou, direta.

Logan olhou para a filha e, por um segundo, a expressão dele suavizou. Não virou sorriso, mas virou algo mais humano.

— Uma decisão de trabalho — ele disse, escolhendo as palavras.

Olívia assentiu devagar.

— É bom fazer uma tabela. Positivos e negativos. Estímulo visual ajuda em decisões.

Eu tive que morder a parte interna da bochecha pra não rir, porque era muito Olívia: resolver a crise existencial do pai com a mesma metodologia que ela usava pra escolher qual documentário ver.

Logan soltou um som que não chegava a ser risada, mas chegava perto. Chegava perto o suficiente para eu lembrar que ele conseguia.

— Uma tabela — ele repetiu.

— Sim — ela confirmou, como se estivesse ensinando matemática pra adultos perdidos. — Você já faz isso o tempo todo. Só precisa colocar no papel.

— Eu faço isso o tempo todo? — Logan perguntou.

— Faz — Olívia disse. — Só que no seu rosto.

Eu me engasguei com uma risada que eu não tinha autorizado.

Logan me lançou um olhar rápido, como se eu fosse cúmplice de uma criança que tinha acabado de expor a alma dele em público.

Eu ergui as mãos, rendida.

— Eu não falei nada — eu disse. — Eu só… respirei.

Ele passou a mão pelo rosto, cansado.

Ele olhou para mim então, e eu senti aquela coisa apertar por dentro, como se meu corpo tivesse um alarme específico para Logan Novak em modo frágil.

— Você pode ir fazer as suas coisas, se quiser — ele disse, voltando a erguer um pouquinho a postura, como quem veste de novo a função. — Eu já cheguei.

Capítulo 122 1

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