~ LOGAN ~
Eu acompanhei Olívia até o quarto. Quando entrou, já foi tirando a manta do sofá pequeno e jogando por cima da poltrona, organizando o espaço sem olhar, como se a casa inteira fosse um tabuleiro dela.
— Já comeu pipoca o suficiente ou ainda cabe jantar? — perguntei, encostado no batente, fingindo casualidade.
Olívia levantou o queixo e pensou por meio segundo.
— Ainda cabe uma pizza.
Eu soltei uma risada curta. Era impossível não rir quando ela falava como se “caber” fosse uma questão de logística e não de fome.
— Tá. Pizza, então. Marguerita?
— Sempre.
— Certo — peguei o celular no bolso. — Banho antes da pizza chegar.
— Eu sei — ela disse, já andando, como se eu tivesse sugerido o óbvio demais para merecer debate.
A porta do banheiro fechou e, por alguns segundos, eu ouvi a água abrindo e o barulho das embalagens sendo remexidas. Ela tinha um ritual. Banho, escova, pijama, um livro que ela “não ia ler” e acabava lendo. Eu conhecia a sequência inteira, e isso me tranquilizava de um jeito irritante: era uma parte do mundo que eu conseguia prever.
Eu fui para o meu quarto e fechei a porta, mais pelo silêncio do que por privacidade. Se eu ficasse na sala, eu ia ficar olhando para o lugar no sofá onde a Mareu tinha ficado. Eu ia ficar lembrando o jeito como ela tinha rido em algum momento do episódio, como se por instantes a casa tivesse respirado um ar mais leve. Eu ia ficar lembrando que eu tinha inventado um compromisso só para manter ela ali.
E eu não queria olhar isso de frente. Ainda.
Pedi a pizza, confirmei o endereço sem precisar conferir e larguei o celular na bancada como se aquilo resolvesse alguma coisa. Entrei no banho e deixei a água quente cair por tempo demais porque o calor sempre desacelera o pensamento.
Só que não desacelerou.
A conversa com Henrique voltou inteira, insistente, como música que gruda sem pedir permissão: o conselho não tinha escolhido uma mulher. Tinha escolhido um sobrenome. Uma união que fechava portas abertas demais e abria as certas. E, naquele pacote, o nome “Maria Eugênia Valença” tinha sido, desde o início, a resposta “ideal”.
E Maria Eugênia Valença era a Mareu.
Eu fiquei parado, água escorrendo pelo rosto, tentando imaginar uma abordagem que não fosse absurda. Como alguém diz uma frase dessas sem parecer um criminoso social?
“Oi, lembra aquele casamento por contrato do qual você fugiu? Eu era o noivo. Vamos retomar?”
E mesmo que eu não falasse desse jeito, o núcleo da coisa ainda era o mesmo: eu estava preso entre a urgência do conselho e a realidade do meu desejo. A Mareu não era o tipo de mulher que você encaixa numa pauta e resolve em duas reuniões. Mareu era do tipo que você teria que conquistar. E conquistar não era algo que eu estivesse acostumado a fazer. Eu conquistava contratos. Negociava fusões. Levava gente para um “sim” com números e pressão.
Ela não funcionava assim.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...