~ LOGAN ~
A televisão estava ligada, o volume baixo, alguma coisa passando. Eu estava no sofá como se aquilo fosse descanso — postura correta, mãos relaxadas, cara de quem encerrou o domingo com normalidade.
Por dentro, eu estava exatamente no oposto. Não inquieto como alguém ansioso. Inquieto como alguém que cometeu um erro estratégico e agora precisa conviver com a própria estupidez sem poder corrigi-la.
Eu tinha inventado um compromisso só para justificar a hora extra da Mareu. A ideia, na minha cabeça, tinha sido limpa: evitar que ela saísse, evitar que eu tivesse que assistir a mulher que mora na minha casa e ocupa a minha cabeça indo ao encontro de outro homem.
O problema com ideias “limpas” é que elas raramente sobrevivem ao mundo real.
Depois de flagrar Mareu saindo com Rômulo eu peguei a pizza como se nada tivesse acontecido e subi para comer no quarto com Olívia enquanto ela me contava animada que ia costurar um vestido.
Olívia, sem levantar o tom, decretou que “ainda cabia uma” como se fosse um ajuste de estoque. Eu pedi a margherita porque é a única opção que evita conversa. Ela gosta da previsibilidade. Eu também, em teoria.
Depois fui até o quarto de Liam, que já estava praticamente apagado, apenas para lhe dar um beijo de boa noite.
Quando as portas fecharam no andar de cima, eu desci de novo. Eu disse para mim mesmo que era para “relaxar”. Que eu tinha ficado tempo demais com a cabeça cheia. Que eu podia assistir alguma coisa e desligar. Eu até peguei o controle e deixei parar num filme qualquer.
Mas eu não estava tentando desligar.
Eu estava esperando.
A ideia não nasceu como uma decisão consciente, era mais um tipo de teimosia interna, uma resistência que não combina com quem eu sou. Eu tenho a vida inteira construída em volta de controle: horários, contratos, escalas, segurança, previsibilidade. Eu não faço coisas no escuro.
E, ainda assim, eu estava ali, no escuro, sendo um homem que espera.
O que me irritava era a falta de utilidade desse comportamento. Saber a hora em que ela voltaria não mudaria nada. Saber se ela estava rindo no carro de outro homem não mudaria nada. Saber se ela tinha aceitado a taça de vinho, se tinha encostado o ombro no vidro, se tinha dito qualquer frase engraçada daquele jeito que ela diz as coisas… não mudaria nada.
Eu ainda teria um contrato de casamento na gaveta do escritório.
Eu ainda teria um conselho esperando uma assinatura.
Eu ainda teria uma filha que não quer uma “nova família.
E eu ainda teria Mareu dentro da minha casa, sendo uma solução prática para os meus filhos e um problema impraticável para mim.
Eu olhei para o relógio mais vezes do que um homem sensato deveria.
E, quando o celular vibrou, meu corpo reagiu antes do meu orgulho.
Alerta do portão. Sensor de presença.
Eu abri o aplicativo das câmeras com a rapidez de quem faz isso todos os dias por segurança — e a honestidade terminou aí. A tela mostrou a entrada em infravermelho e luz amarela de poste. O carro preto parando devagar, sem pressa.
O carro permaneceu parado ali por dois minutos antes da porta do motorista abrir. Rômulo desceu, contornou a frente do carro e abriu a porta do passageiro.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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