~ MAREU ~
— Logan, você me assustou! — eu disse, levando a mão ao peito como se isso fosse impedir meu coração de tentar fugir pela garganta. — Fica aí igual uma alma penada de galã de filme dos anos 40.
Eu só percebi o que tinha dito depois. Porque ele estava mesmo daquele jeito: encostado no sofá, luz baixa, camisa ainda alinhada, aquele rosto sério e bonito demais pra ser usado como mobília de sala às onze da noite. E eu não precisava jogar elogio no ar como quem deixa comida no chão pra cachorro.
Ele ergueu o olhar devagar. Parecia… tenso. Como se o corpo inteiro dele estivesse tentando ficar sentado enquanto a cabeça queria levantar e ir resolver alguma coisa. Preferencialmente invadindo a vida dos outros com um terno.
— Seu encontro foi bom? — ele repetiu.
A minha primeira reação foi ridícula: piscar, travar e olhar ao redor, só pra confirmar que eu tinha entrado na casa certa e não numa realidade paralela em que meu chefe fazia perguntas de namorado.
— Eu… eu… — começou a sair da minha boca e, por um segundo, eu quase completei com uma lista de justificativas. Não foi um encontro. Foi só um passeio. Foi só uma taça. Foi só um beijo. Foi só… um monte de coisas que não eram da conta dele.
Eu parei ali, com a bolsa pendurada no meu ombro, e me dei conta do absurdo: por que eu estava me defendendo? Quem era Logan Novak para me ver entrar por aquela porta e eu me sentir automaticamente culpada por existir fora do horário comercial?
Tá. Ele era meu patrão.
Mas isso não era trabalho.
E tá. Ele era o homem por quem eu tinha uma leve quedinha que, de leve, já estava pesando como um caminhão.
Mas isso não era um filme ruim de romance.
Era minha vida.
Então eu respirei, firmei os pés no chão e decidi agir como uma adulta — ou pelo menos como alguém que sabia fingir muito bem.
— Foi ótimo — eu disse, com a voz o mais neutra possível. — Obrigada por perguntar.
Logan inclinou a cabeça, como se estivesse escolhendo palavras. E eu pensei, inocente por um segundo, que ele ia dizer algo razoável. Algo do tipo: “Que bom. Durma bem.” Algo que um homem adulto, sóbrio e com um contrato de casamento na gaveta deveria dizer.
Ele não disse.
— Ótimo do tipo… vocês dormiram juntos? — ele soltou.
Eu senti meu rosto pegar fogo num nível que devia ser regulamentado por lei ambiental.
— Logan! — eu explodi, sem conseguir segurar o choque nem a indignação. — Você não tem o direito de me perguntar isso!
Ele piscou, como se tivesse levado um tapa que não tinha mão.
— Eu sei — ele respondeu rápido, a voz saindo mais baixa. — Eu sei, eu só… me desculpa.
Ele deu um passo na minha direção. Um passo só. Aquele movimento automático que ele fazia quando alguma coisa fugia do controle e ele queria recolocar no lugar com a força de vontade.
— Vocês nunca podem — eu falei, com uma tranquilidade que era só casca.
A palavra “vocês” saiu com gosto de rancor antigo, e eu odiei isso. Porque eu não queria transformar Logan no símbolo de um mundo inteiro. Mas era difícil não fazer quando ele estava ali, no meio da sala, tentando controlar quem eu podia ou não beijar.
Eu virei, já colocando o pé no primeiro degrau da escada, porque se eu ficasse mais um minuto naquela sala eu ia fazer uma coisa muito feia: ou eu ia chorar, ou eu ia voltar e beijar ele, e as duas opções eram desastrosas.
— Mareu — ele chamou, e a voz dele veio mais baixa, quase sem aquela autoridade automática. — Eu só quero te proteger.
Eu parei no meio do degrau, a mão no corrimão, e senti aquela vontade idiota de acreditar. De fingir que proteção não era só uma palavra bonita pra controle.
Eu me virei.
— Eu posso me virar sozinha — eu disse, segurando a minha postura como se fosse um vestido bem ajustado.
Ele ficou parado, como se estivesse esperando um “mas”. E eu percebi que era exatamente isso que ele queria: um mas.
Eu não dei.
— E, sinceramente, Logan… senhor Novak… — eu completei, com a voz mais firme do que eu me sentia por dentro. — Pra as coisas funcionarem entre a gente, é melhor que elas fiquem no campo profissional.
Eu me virei e terminei de subir.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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