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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 127

~ MAREU ~

Segunda-feira tem um talento especial: ela não pergunta se você está pronta. Ela só entra, acende as luzes da cozinha e exige produtividade como se eu não tivesse passado a noite anterior lembrando, com detalhes indecentes, de um banheiro caro demais e de um homem que não tinha o menor direito de me fazer perder a noção de bom senso.

Eu estava de pé, tentando convencer meu corpo de que aquilo tinha sido só… um evento isolado. Um episódio fora da curva. Uma pane elétrica emocional. Eu me repetia isso enquanto servia o café da manhã da Olívia e enquanto a mini-executiva do meu coração se preparava pra aula com a calma de quem já tem uma reunião marcada com o destino.

A diferença é que, naquele dia, ela estava com o tablet apoiado na bancada, assistindo alguma coisa decididamente infantil. Infantil do tipo “crianças normais com idade normal assistem” e não “documentário sobre a logística de um porto norueguês”. E isso, vindo da Olívia Novak, era muito suspeito.

— Por que você está assistindo isso? — eu perguntei, colocando a xícara dela na mesa.

Na tela, eu reconheci o filme na hora: Up — Altas Aventuras. A casa voando, o senhorzinho rabugento, a quantidade criminosa de balões desafiando a física.

Olívia nem piscou.

— Estou tentando calcular quantos balões seriam necessários para levantar uma casa — ela respondeu, como se fosse a coisa mais natural do mundo pra uma criança de seis anos e meio.

— Para a escola? — eu arrisquei, ainda com esperança de que fosse pegadinha.

— Sim, um projeto de ciências — ela confirmou, já mexendo em alguma planilha imaginária dentro do cérebro. — Eu preciso de uma estimativa.

Eu apoiei as mãos na bancada, encarando aquela tela como se ela tivesse me ofendido pessoalmente.

— Depende — eu disse, na minha melhor voz de adulta que entende de coisas. — Se for pra levantar essa casa, você precisaria de todos os balões do mundo e talvez ainda não conseguisse.

Olívia soltou um risinho curto, satisfeito. O tipo de riso que ela dá quando eu acerto uma piada, mas também quando eu aceito que ela tem razão.

— Liv — eu falei, baixando a voz como se eu estivesse prestes a confessar um crime. — Correndo o risco de soar burra demais diante da sua inteligência de seis anos e meio… você sabe que isso é ficção, não é?

Ela levantou os olhos do tablet e me olhou como se eu tivesse acabado de perguntar se água é molhada.

— Claro que sei, bobinha.

— Ufa.

— Mas você sabe que um padre já tentou fazer isso?

Eu pisquei.

— Voar com balões?

— Sim — ela disse, sem dramatizar, porque a Olívia nunca dramatiza. Ela só informa. — Não terminou bem.

Eu engoli em seco.

— Céus, imagino que não.

Aquela informação ficou pairando na cozinha como um balão meio murchinho de tragédia humana, e eu fiz o que faço quando não sei onde guardar um fato perturbador: voltei pro meu trabalho. Ajustei o suco, conferi se o lanche estava na mochila e tentei ignorar o que meu próprio cérebro queria calcular desde ontem: quantos segundos eu tinha aguentado sem pensar no Logan antes de falhar miseravelmente.

Como se a vida tivesse ouvido meu pensamento e achado engraçado, ele entrou na cozinha naquele exato momento.

— Bom dia — ele disse.

A voz dele veio normal demais. Profissional demais. Como se ontem à noite não tivesse existido.

Eu não respondi. Não porque eu não fosse educada, mas porque eu estava testando uma teoria: se eu ficasse invisível o suficiente, talvez ele acreditasse.

Logan colocou as coisas dele em cima da mesa — celular, chaves, tablet, uma pasta de couro que parecia ter sido feita com a pele do medo — e foi até a máquina de café.

Capítulo 127 1

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