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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 128

~ LOGAN ~

Era cedo quando cheguei no escritório. O tipo de cedo que, para eles, significava eficiência e, para mim, significava apenas que ninguém ali tinha tido a chance de estragar o dia ainda.

Eu me sentei na ponta da mesa de reuniões, como sempre. Postura controlada, expressão neutra, a pasta de couro ao meu lado. Eu tinha passado a noite tentando convencer a mim mesmo de que eu era um homem racional e que a imagem de Mareu beijando outro homem do lado de fora da minha casa não era assunto para atravessar comigo para dentro de uma reunião de projeções trimestrais com o conselho.

Eu estava perdendo essa discussão interna.

Os gráficos já estavam na tela quando eu entrei, as barras coloridas subindo como se o mundo inteiro fosse um relatório. Os conselheiros conversavam em tons baixos, ajustando óculos, mexendo em papéis, com aquele ar de quem acredita sinceramente que decide o destino de países quando, na prática, decide apenas o destino do meu humor.

Henrique estava à direita, com um tablet próprio e um olhar que dizia duas coisas ao mesmo tempo: “bom dia” e “eu sei que você não dormiu”. Eu não retribuí nenhuma das duas.

— Vamos começar — eu disse, sem cerimônia.

A pauta seguiu o roteiro habitual. Custos operacionais, margem, pipeline, performance por segmento. Eu respondi com precisão, porque precisão é uma língua que eu falo fluentemente mesmo quando o resto do meu corpo está ocupado tentando não explodir.

Quando chegou a parte que importava, eu fui direto.

— O lançamento do Asteria foi um sucesso — declarei, e o som das canetas parando por meio segundo foi a confirmação de que, pelo menos nisso, eu ainda era respeitado. — A ocupação do showroom atingiu o teto previsto, a conversão inicial foi acima do esperado e as visitas qualificadas geraram um pipeline sólido para o próximo trimestre. Eu vou apresentar o relatório completo das primeiras vendas com as métricas de aquisição e os contratos já em diligência.

Alguns assentiram. Outros fizeram aquela expressão de quem sempre espera mais, porque o apetite de um conselho nunca é saciado. Antônio Rizzo estava entre os segundos. Ele tinha um olhar que parecia sempre levemente entediado, como se a vida inteira fosse uma sala de espera com pessoas desinteressantes.

— Ótimo — disse um dos membros mais antigos, batendo a unha no papel. — Isso nos dá fôlego. Mas precisamos transformar esse fôlego em presença. O próximo trimestre tem que ser focado ainda na venda do Asteria. O mercado europeu está mais receptivo do que prevíamos e existe uma janela que não podemos perder.

Eu já sabia o que viria antes de vir. Era sempre assim com eles: você entrega o resultado e, em vez de celebração, recebe uma nova cobrança embrulhada.

— Exatamente — outro completou. — E por isso a conferência na França é indispensável. Nós precisamos de você lá.

Eu prendi o maxilar. Não por discordar da relevância do evento, mas porque o mundo inteiro parecia ter decidido, naquela semana, que eu não tinha direito a escolher nada sem pagar um preço.

— Henrique pode ir — eu disse, mantendo a voz no mesmo nível. — Ele conhece os números, conhece o produto e tem bom trânsito. O Igor também pode fazer um bom trabalho.

Henrique não se moveu. Só levantou a sobrancelha.

Um dos conselheiros soltou um riso curto, seco.

— Seria uma enorme desfeita — disse ele, com um leve desprezo cuidadosamente polido. — Acreditariam que a Novak não se importa a ponto de não enviar o seu CEO.

Eu respirei pelo nariz, devagar. Se eu fosse um homem diferente, teria respondido o que pensei: a Novak se importa o suficiente para funcionar sem eu aparecer em foto. Mas eu não era um homem diferente e, além disso, eles não queriam a empresa. Queriam a imagem.

Antônio Rizzo se inclinou para frente com a calma de quem já tinha a frase pronta desde antes do café.

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