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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 129

~ MAREU ~

O sorvete de limão siciliano parecia uma escolha responsável para alguém que precisava manter a dignidade numa segunda-feira. Azedinho, refrescante, discreto.

Eu estava sentada no banco em frente à pracinha da escola da Olívia, olhando o portão como se aquilo fosse parte da minha função — o que, tecnicamente, era. Mas o que eu fazia de verdade era tentar não pensar no buquê no meu quarto. E não pensar no Logan me olhando quando eu recebi.

O celular vibrou. Nome na tela: LOGAN NOVAK.

Eu atendi antes de dar tempo do meu corpo decidir se tremia ou fingia.

— Mareu — a voz dele veio baixa, controlada, com o tipo de paciência que já tinha passado pela raiva e agora estava no estágio “eu vou te processar emocionalmente”. — Quer me explicar por que eu deveria estar apresentando números ao conselho e, ao invés disso… eles estão assistindo Up — Altas Aventuras?

Eu olhei para o sorvete na minha mão como se ele tivesse me traído.

E, por um segundo, eu não consegui segurar.

Uma risada escapou de mim. Não aquela risadinha educada. Foi uma risada verdadeira, com som e tudo, do tipo que faria a Olívia levantar os olhos e me julgar com a cara de “controle-se”.

Do outro lado, houve um silêncio curto. Um silêncio que tinha cara de Logan Novak em reunião, escolhendo se ia me demitir por justa causa ou por vergonha.

A minha risada morreu no meio, engasgada.

— Ah. Meu Deus — eu falei, porque às vezes a realidade só aceita esse tipo de frase. — Logan… desculpa.

Enquanto eu dizia “desculpa”, meu cérebro fez o caminho inteiro em dois segundos.

Eu tinha saído da cozinha correndo como uma fugitiva. Tinha enfiado o tablet na mochila da Olívia com pressa demais. Tinha agarrado a criança e corrido como se eu estivesse fugindo de um incêndio. E, no impulso, eu não tinha nem olhado direito o que eu estava pegando.

Eu tinha trocado os tablets.

Eu tinha colocado o tablet do Logan na mochila da Olívia.

E agora, uma sala inteira de conselheiros engravatados estava assistindo um velhinho voador e uma casa cheia de balões.

Eu levei a mão ao rosto.

Em outros tempos, eu teria medo do Logan. Medo mesmo. Medo de perder o emprego, de ser humilhada, de sentir que eu tinha estragado uma coisa grande e séria demais para o meu alcance.

Atualmente… eu tinha mais medo da Olívia.

— Desculpa — eu repeti, mais rápida, com um tom de “assumo a culpa, não me mata”. — Eu vou cuidar disso imediatamente.

E antes mesmo de ouvir a frase que ele começou a dizer — algo como “Mareu, espera...” — eu desliguei.

Eu enfiei o resto do sorvete na boca como se aquilo fosse combustível e me levantei do banco com a pressa de quem percebe que está atrasada para impedir um desastre internacional.

Na porta lateral da escola, eu pedi para a recepção me deixar subir até a sala com a desculpa mais convincente que existe: “urgência familiar”. É um termo que abre portas quando você diz com cara séria.

Quando eu apareci na sala, a Olívia estava no canto com duas amigas. Ela tinha aquela postura de mini-executiva em treinamento, o que, para uma criança de seis anos e meio, era impressionante e levemente assustador.

— Liv — eu chamei, tentando soar normal. — Preciso do tablet. Agora.

Ela ergueu os olhos devagar. O olhar dela tinha a pergunta: “O que você fez?”

Eu senti um suor frio.

— Qual tablet? — ela perguntou, fingindo inocência do jeito que só crianças inteligentes conseguem fingir.

— O da mochila — eu disse, com um sorriso que eu estava praticamente desenhando à força. — Eu peguei o errado hoje de manhã.

Ela suspirou. Um suspiro adulto. Um suspiro de quem lida com incompetentes.

— Mareu — ela falou, com a paciência de um gerente que explica a um estagiário. — Eu tenho até a hora do intervalo pra você trazer de volta. Eu vou precisar do meu pra aula de ciências.

— Eu vou trazer — eu prometi, rápido. — Eu juro. Não vai demorar.

Ela me entregou o tablet com a dignidade de quem está cedendo um recurso estratégico.

Eu saí correndo pelos corredores, descendo escadas, atravessando o pátio, com professores me olhando como se eu fosse a prova viva de que adultos também entram em pânico.

O motorista ainda estava esperando e eu praticamente me joguei no banco de trás.

— Sede Novak — eu disse. — Rápido.

Capítulo 129 1

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