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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 135

~ PAULA ~

A ansiedade, em mim, não se manifesta como tremor ou descontrole. Ela se manifesta como eficiência. Quando alguma coisa ameaça sair do lugar, eu não fico olhando. Eu corrijo.

E, naquela manhã, havia uma coisa muito clara ameaçando o meu lugar: a babá.

Eu entrei no carro com óculos escuros grandes demais para o horário e disquei o número de Helen antes mesmo de sair da garagem. Ela atendeu rápido, como sempre, porque gente como Helen vive com o celular por perto. Vive esperando a próxima oportunidade de subir um degrau, mesmo que seja pisando em alguém.

— Preciso de atualizações — eu disse, sem cumprimentos.

Do outro lado, um silêncio curto. Helen respirou como se estivesse escolhendo o quanto podia ser insolente.

— Você vai ter que me dar mais detalhes.

Eu apertei a mandíbula.

— Meu pai disse que houve uma confusão ontem na Novak… — eu comecei, medindo a frase. — Parece que a Mareu descobriu que o Logan era o noivo por contrato dela.

Eu ouvi um som baixo, quase imperceptível, que poderia ter sido um choque — ou um prazer secreto.

— Então era verdade…

Eu sorri ao reconhecer aquele padrão. Aquele “então era verdade” não era surpresa inocente. Era confirmação de que Helen já tinha suspeitado de algo e vinha guardando isso como uma carta na manga.

— Não podemos deixar eles se reaproximarem desse jeito — eu disse, encaixando a frase como uma ordem. — Ou você vai querer aquela empregadinha como sua patroa?

Helen soltou um som horrorizado, e eu senti o alívio imediato do meu controle se reafirmando. Helen podia ser ambiciosa, mas a ambição dela era sempre voltada para cima, nunca para o lado. A ideia de uma “funcionária” com sobrenome mandando nela era a maior ameaça possível ao seu ego.

— Céus, não! — Helen respondeu rápido, indignada. — O que eu faço?

Eu não precisava pensar. Eu já sabia.

— Descobre o que aconteceu com ela. — Minha voz ficou mais baixa, mais fria. — Ouve atrás das portas, pergunta, faz o que for preciso.

Eu desliguei.

O restante do dia foi um exercício de normalidade estratégica.

Um dia de spa parecia ideal para relaxar e me preparar para a guerra.

Eu cheguei ao spa no fim da manhã como se nada estivesse acontecendo. Recepção, sorriso, água aromatizada, o cheiro de produto caro que promete milagres. A esteticista perguntou como eu queria a massagem. Eu respondi “firme”. Sempre firme. Eu não gosto de mãos hesitantes.

Enquanto a música ambiente tentava me convencer de paz, a minha cabeça organizava cenários.

Se a babá descobriu… ela vai reagir.

A reação dela, provavelmente, seria dramática. Gente que foge de casamento costuma ser emocional. E emoção é previsível. O imprevisível era o Logan.

Logan, com aquele senso irritante de responsabilidade e aquela mania de salvar tudo o que parece quebrado. Ele podia transformar a descoberta em uma narrativa heroica: “ela fugiu, mas agora escolheu ficar”. Ele podia achar que isso era romântico.

Eu apertei os dedos contra o lençol da maca quando a massagista pressionou um ponto específico do ombro.

Meu casamento com Logan não era um capricho. Era uma estratégia. Era o encaixe perfeito entre o que eu queria e o que meu pai queria. Eu tinha sido escolhida porque eu entregava estabilidade. Eu era a imagem certa. Eu era o sobrenome certo. Eu era a mulher certa.

E eu não perderia isso para uma babá com trauma de família rica e humor ácido.

Depois do spa, eu almocei em um restaurante chique no Leblon. Lugar com mesa espaçada, serviço impecável, pessoas bonitas fingindo que não estão observando ninguém. Eu pedi uma salada que eu mal toquei e um café forte. Eu gosto de sentir o mundo funcionando dentro de mim, mesmo quando a vida tenta atrasar o cronograma.

Eu fui ao clube Milani no meio da tarde. Caminhei pelo espaço como se eu fosse dona daquilo. Cumprimentei gente que eu precisava cumprimentar. Sorri para quem vale a pena sorrir. Ouvi duas conversas alheias que não tinham nada a ver comigo e que, ainda assim, me lembraram de uma coisa essencial: reputação é um animal que você alimenta todos os dias.

Quando voltei para casa no fim da tarde, o céu já estava mudando de cor e eu estava com aquela sensação boa de estar limpa por fora e armada por dentro.

E, como se o universo tivesse sido educado o bastante para esperar eu terminar o meu ritual, o celular tocou.

Helen.

Eu atendi sem pressa. A pressa é para quem não controla o tempo.

— Diga — eu falei.

Capítulo 135 1

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