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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 138

~ LOGAN ~

Eu tinha conseguido o endereço da Clara. Não tinha sido difícil. O difícil era aceitar que eu estava mesmo fazendo isso.

Eu deveria estar olhando relatórios, assinando documentos, preparando a conferência na França, discutindo metas do próximo trimestre. Eu deveria estar sendo o homem que eu sempre fui: prático, previsível, inteiro.

Mas eu estava preso em uma única ideia.

Assim que eu saísse do serviço hoje, eu iria até ela.

Mareu precisava me ouvir.

Nós precisávamos acertar as coisas.

E eu nem sabia exatamente que “coisas” eram essas, porque a verdade é que eu tinha passado semanas construindo uma realidade em que Mareu cabia na minha vida sem que eu precisasse nomear o que ela era. Babá dos meus filhos. Funcionária eficiente. Presença que organizava a casa. E, em algum momento, sem que eu tivesse autorizado… ela virou a pessoa que fazia a minha casa parecer viva.

Eu estava olhando para a agenda do dia como se fosse um inimigo quando Bruna apareceu na porta do meu escritório.

— Senhor Novak… o senhor Rizzo está aqui. Disse que precisa vê-lo agora.

Eu senti o corpo endurecer.

— Manda entrar — eu falei.

Bruna assentiu e desapareceu. Um segundo depois, Antônio entrou como se o escritório fosse dele.

Ele não sorriu. Não perdeu tempo com cortesia. Veio com aquela energia de homem que acha que pode erguer paredes com a própria voz.

— Você soube o que a sua empregadinha fez com a minha filha? — ele começou, direto, ameaçador.

Eu pisquei, confuso.

— O quê? — eu respondi. — Do que você está falando?

Antônio fechou a porta com cuidado. Ele se aproximou da minha mesa e se apoiou na borda, como se aquilo fosse uma sala de interrogatório.

— A tal da Maria Eugênia agrediu a Paula — ele disse.

Eu levantei uma sobrancelha… aquilo não combinava com Mareu. Com o que eu conhecia dela. Com o modo como ela reagia quando era atacada: com ironia, com fuga, com palavras.

Não com agressão física.

— Isso não parece coisa da Mareu — eu falei, e a minha voz saiu firme, antes mesmo de eu pensar.

Antônio pegou uma pasta que ele trazia na mão e colocou sobre a minha mesa como se estivesse entregando uma sentença. Ele abriu e espalhou papéis na madeira. Páginas impressas, carimbos, assinaturas.

— Pois eu tenho um boletim de ocorrência que prova o contrário.

Eu olhei para os papéis.

A palavra “BOLETIM” saltou primeiro. Depois “LESÃO”. Depois “VÍTIMA: PAULA RIZZO”.

— Paula teve que fazer um registro — Antônio continuou, como se estivesse narrando um relatório de desempenho. — Corpo de delito, provas de câmeras, tudo. Ela terminou com um ferimento grave na cabeça.

Eu ergui o olhar.

— Como? — eu perguntei, e dessa vez eu ouvi a minha própria voz falhar um milímetro. — Onde? O que…?

Antônio deu de ombros, impaciente.

— Não interessa.

Claro que interessava.

Era exatamente isso que interessava: entender.

Mas Antônio não estava ali para esclarecer, estava ali para empurrar.

— O que interessa — ele disse, inclinando-se um pouco mais, aproximando o rosto do meu — é que você colocou uma babá mentalmente instável dentro da sua casa, para cuidar dos seus filhos.

Instável.

A palavra me irritou de um jeito físico.

— E como se não bastasse — Antônio continuou, sem pausa — ela é sua noiva fugitiva que agrediu sua futura noiva. Sabe como isso soa, Logan?

Eu senti a raiva subir, mas eu segurei. Eu tenho prática em segurar. Eu segurei por anos. Eu segurei em reuniões piores, com homens piores, em ambientes mais hostis.

Capítulo 138 1

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