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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 139

~ LOGAN ~

Eu devia ter passado pela portaria como qualquer pessoa normal, me identificado, pedido para subir, feito o caminho certo, o caminho que não parece invasão. Eu sabia disso. Eu sabia desde o momento em que estacionei na rua e vi o prédio de Clara.

Mas eu também sabia outra coisa: se eu avisasse, eu nunca entraria.

Mareu fugiria pela janela se fosse preciso. E eu perderia a chance de fazer a única coisa minimamente decente: tentar conversar com ela.

Eu esperei perto da entrada até um morador aparecer com a chave eletrônica. Entrei junto, um passo atrás, como se eu fosse parte do cotidiano do prédio. O porteiro mal levantou os olhos.

Elevador. Andar. Corredor. O endereço estava anotado no meu celular, mas eu já tinha decorado.

Eu parei diante da porta e respirei uma vez.

Eu não estava nervoso como alguém que teme perder uma negociação. Eu estava nervoso como alguém que sabe que pode perder uma pessoa.

Eu toquei a campainha.

Silêncio. Passos do lado de dentro. Um som de tranca.

E então a voz dela.

— Já? — Mareu respondeu, do outro lado da porta. — Você deve estar mesmo muito ansioso pra me ver, porque tá adiantado.

A porta abriu.

Mareu apareceu: cabelo alinhado, roupa pensada, perfume que chegou primeiro. Ela parecia pronta para sair.

Os olhos dela encontraram os meus e o tempo ficou estranho por dois segundos, como se o corpo dela ainda lembrasse de nós dois e o cérebro dela quisesse apagar.

A mão de Mareu subiu, rápida, já empurrando a porta para fechar.

— Não — ela disse, seca. — Você pode ir embora.

Eu coloquei a mão na madeira antes que ela fechasse de vez. Eu precisava impedir que aquela conversa morresse antes de existir.

— Mareu… — eu comecei.

Ela tentou empurrar de novo, e eu vi uma irritação pura atravessar o rosto dela.

— O recado já foi muito bem dado — ela falou.

Eu franzi a testa.

— Que recado? Do que você está falando?

O olhar dela ficou afiado.

— A sua noiva veio aqui trazer minhas coisas.

Eu senti o corpo inteiro travar.

— Minha noiva?

— Paula — Mareu cuspiu o nome como se fosse gosto ruim. — Paula Rizzo.

Por um instante eu fiquei parado, tentando encaixar as peças no lugar certo.

E então a imagem do Antônio Rizzo, no meu escritório, falando de boletim, ferimento, corpo de delito, câmeras, começou a ganhar contorno.

— Paula veio trazer suas coisas? — eu repeti, porque eu precisava ouvir de novo para ter certeza de que era real. — Como assim?

A mandíbula de Mareu se contraiu.

— Não se faz o burro, Logan — ela disse. — Ela chegou aqui com duas malas, dizendo que você assinou o contrato do casamento. Disse que agora a casa é dela. Disse que você não quer mais nada meu lá. Disse que você não quer que eu me aproxime dos seus filhos… especialmente da Olívia.

Eu senti uma raiva fria subir — não dela. Não daquela cena. Mas do mecanismo.

E eu não tinha assinado nada.

— Eu não… — eu comecei, e parei porque eu percebi o tamanho do que aquilo significava: alguém estava fabricando uma realidade, e a Mareu estava presa dentro dela. — Eu não mandei a Paula fazer isso.

Mareu soltou um riso curto, sem humor.

— Claro que não.

Eu respirei, tentando manter a voz no lugar mais racional possível.

Ela demorou um pouco mais para responder. E essa demora foi o pior tipo de esperança.

— Não — Mareu falou, e a palavra veio firme, como se ela estivesse segurando uma porta por dentro. — Vai embora.

Eu engoli.

— Mareu, você...

— Ou eu vou chamar a polícia — ela completou, sem hesitar.

Eu soltei as mãos dela devagar e levantei as palmas num gesto automático de “tudo bem”.

— Eu não quero parecer uma ameaça para você — eu disse. — Eu só preciso que você me escute.

Mareu respirou rápido.

— Não — ela repetiu.

Eu senti a frustração subir como uma onda. Eu queria dizer que Paula estava mentindo. Queria dizer que eu não tinha assinado. Queria dizer que alguém tinha mexido nas coisas dela. Queria dizer que eu tinha ido ali porque Olívia precisava dela. Porque eu precisava dela.

Mas eu também sabia: quanto mais eu falasse, mais ela sentiria que eu estava fazendo exatamente o que ela temia.

Convencendo.

Controlando.

— Mareu...

Foi quando uma voz surgiu do fundo do corredor, cortando o ar com autoridade.

— Ei.

Eu virei o rosto na direção do som.

A voz continuou, mais firme, mais perto.

— Você ouviu. Deixa ela em paz.

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