~ MAREU ~
Eu ainda tinha bastante tempo livre naquela manhã.
Bastante.
Porque, na minha cabeça, eu ia passar por uma entrevista séria, demorada, com outras candidatas, gente de blazer, perguntas sobre “pontos fortes e fracos”, aquele teatro corporativo todo.
Mas não. Eu tinha beijado o entrevistador, fui aprovada por saber usar uma agenda e agora eu estava… livre.
Rômulo me levou até um café ali perto do prédio, um lugar bonito e claro, com gente de notebook e cara de “eu produzo coisas importantes”, e eu me sentei na cadeira tentando parecer uma mulher que não tinha acabado de ser promovida a secretária pessoal de um homem com fama de aparecer em colunas sociais.
Ele pediu café para nós dois, e eu mexi o meu com uma colher pequena demais.
Rômulo olhou pra mim do outro lado da mesa com aquele jeito dele, seguro demais, como se ele já tivesse decidido o final da história e eu estivesse só tentando acompanhar.
— E então… — ele disse, sem rodeio. — Posso preparar seu contrato? Prometo cobrir o salário que o Novak te pagava.
Eu mexi o café de novo, mas agora já não era por açúcar. Era por falta de coragem de responder de imediato.
Porque aquilo era generoso. Era uma mão estendida. Era, objetivamente, uma solução.
E ainda assim…
Eu respirei e decidi ser honesta.
— Eu não sei — eu disse.
Rômulo inclinou a cabeça.
— Não sabe?
— Quero dizer… eu sou muito grata, mas…
Ele esperou, paciente.
— Mas? — ele incentivou.
Eu fiz um gesto com as mãos, uma coisa vaga, como se eu pudesse desenhar o problema no ar e ele entendesse.
— É estranho eu trabalhar pra você enquanto a gente… a gente… — eu gesticulei de novo, mais desesperada, como se aquilo explicasse tudo. — Entende?
Rômulo me olhou com calma.
— Na verdade, não.
Eu engoli em seco. Eu odiava quando alguém me obrigava a ser específica. Eu gosto de ironia. Ironia é mais confortável do que clareza.
— Quero dizer… — eu comecei de novo, procurando palavras. — Sua secretária. Vamos estar muito próximos. As pessoas vão falar e, além disso…
Rômulo arqueou uma sobrancelha.
— Além disso?
Eu soltei o ar.
— Bom… claramente você me deu o emprego por eu ser eu e não por qualquer competência. Eu teria que engolir isso.
Rômulo ficou em silêncio um segundo, avaliando.
Eu vi o lado sério dele aparecer por trás do charme. Aquele lado que eu tinha visto só um pouco, na forma como ele encarou o Logan no corredor. Não era só um homem simpático. Era alguém que sabia exatamente onde pisava.
— Eu entendo — ele disse, por fim. — Mas pensa com carinho na proposta. E se seu problema for as pessoas falarem… eu demito todo mundo.
Eu ri, porque aquilo era ridículo demais pra não ser engraçado.
— Até parece.
Rômulo riu também, com a naturalidade de quem estava à vontade comigo de um jeito perigoso.
— Não duvide de um homem apaixonado.
A palavra caiu na mesa como uma moeda pesada.
Apaixonado.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...