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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 145

~ MAREU ~

Eu ainda tinha bastante tempo livre naquela manhã.

Bastante.

Porque, na minha cabeça, eu ia passar por uma entrevista séria, demorada, com outras candidatas, gente de blazer, perguntas sobre “pontos fortes e fracos”, aquele teatro corporativo todo.

Mas não. Eu tinha beijado o entrevistador, fui aprovada por saber usar uma agenda e agora eu estava… livre.

Rômulo me levou até um café ali perto do prédio, um lugar bonito e claro, com gente de notebook e cara de “eu produzo coisas importantes”, e eu me sentei na cadeira tentando parecer uma mulher que não tinha acabado de ser promovida a secretária pessoal de um homem com fama de aparecer em colunas sociais.

Ele pediu café para nós dois, e eu mexi o meu com uma colher pequena demais.

Rômulo olhou pra mim do outro lado da mesa com aquele jeito dele, seguro demais, como se ele já tivesse decidido o final da história e eu estivesse só tentando acompanhar.

— E então… — ele disse, sem rodeio. — Posso preparar seu contrato? Prometo cobrir o salário que o Novak te pagava.

Eu mexi o café de novo, mas agora já não era por açúcar. Era por falta de coragem de responder de imediato.

Porque aquilo era generoso. Era uma mão estendida. Era, objetivamente, uma solução.

E ainda assim…

Eu respirei e decidi ser honesta.

— Eu não sei — eu disse.

Rômulo inclinou a cabeça.

— Não sabe?

— Quero dizer… eu sou muito grata, mas…

Ele esperou, paciente.

— Mas? — ele incentivou.

Eu fiz um gesto com as mãos, uma coisa vaga, como se eu pudesse desenhar o problema no ar e ele entendesse.

— É estranho eu trabalhar pra você enquanto a gente… a gente… — eu gesticulei de novo, mais desesperada, como se aquilo explicasse tudo. — Entende?

Rômulo me olhou com calma.

— Na verdade, não.

Eu engoli em seco. Eu odiava quando alguém me obrigava a ser específica. Eu gosto de ironia. Ironia é mais confortável do que clareza.

— Quero dizer… — eu comecei de novo, procurando palavras. — Sua secretária. Vamos estar muito próximos. As pessoas vão falar e, além disso…

Rômulo arqueou uma sobrancelha.

— Além disso?

Eu soltei o ar.

— Bom… claramente você me deu o emprego por eu ser eu e não por qualquer competência. Eu teria que engolir isso.

Rômulo ficou em silêncio um segundo, avaliando.

Eu vi o lado sério dele aparecer por trás do charme. Aquele lado que eu tinha visto só um pouco, na forma como ele encarou o Logan no corredor. Não era só um homem simpático. Era alguém que sabia exatamente onde pisava.

— Eu entendo — ele disse, por fim. — Mas pensa com carinho na proposta. E se seu problema for as pessoas falarem… eu demito todo mundo.

Eu ri, porque aquilo era ridículo demais pra não ser engraçado.

— Até parece.

Rômulo riu também, com a naturalidade de quem estava à vontade comigo de um jeito perigoso.

— Não duvide de um homem apaixonado.

A palavra caiu na mesa como uma moeda pesada.

Apaixonado.

— Quero dizer… não depois de você e o Logan terem tido um…

Ele completou, como se estivesse escolhendo a palavra mais educada possível.

— Desentendimento.

Eu ri de verdade, porque “desentendimento” era o tipo de palavra que você usa quando duas pessoas discutiram quem vai levar o lixo e não quando dois homens quase se peitaram como se estivessem num ringue.

Na minha cabeça, aquilo tinha sido… uma briga. Uma guerra de testosterona. Uma disputa territorial. Um duelo de ego. Um campeonato improvisado de “quem consegue ser mais possessivo sem admitir”. Uma briga de galo, só que com terno e buquê.

Mas “desentendimento” era elegante. E Rômulo era elegante até quando estava com raiva.

— É uma feira de ciências — ele argumentou, calmo. — Duvido que a gente vá ter o azar de chegar lá justamente quando o Novak estiver. Além do mais… prometo me comportar.

Eu ri de novo, porque era ridículo ele ter que prometer isso.

— Tá — eu disse, cedendo, mais pela sensação de que eu precisava parar de fugir de tudo do que por certeza. — Tudo bem.

Rômulo sorriu, satisfeito.

E eu, enquanto pegava minha bolsa e me levantava, pensei no óbvio: ele tinha razão.

Era uma feira de ciências.

Quais as chances de eu encontrar o Logan ali?

Certamente a Olívia saberia responder isso com probabilidades, percentuais e algum gráfico.

Eu só sabia responder com a minha versão de matemática:

“Não vou ter esse azar.”

E, por algum motivo, só de pensar assim, eu senti o universo me olhar de volta como se estivesse anotando.

E discordando.

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