~ MAREU ~
Eu cheguei na escola de Olívia com o Rômulo ao meu lado e tentei agir como se aquela fosse uma manhã comum. Como se eu não estivesse ansiosa por estar em um tipo de ambiente em que adultos fingem entender o que está acontecendo e crianças fingem que não estão morrendo de medo de alguém rir da maquete delas.
A área da feira estava montada no pátio coberto. Mesas enfileiradas com cartazes coloridos, experiências com água, maquetes de vulcão, um menino muito confiante com um robô de papelão e outro que claramente tinha copiado a ideia de um vídeo viral e estava apostando no carisma.
Rômulo olhou ao redor, curioso.
— Ela tá onde? — ele perguntou.
— Em algum lugar que tenha sanidade mental e zero paciência pra concorrência — eu respondi, automática, e comecei a procurar.
Eu andei por entre os projetos, desviando de pais com celulares levantados e de professoras com pranchetas, até que vi a mesa de Olívia. Era impossível não ver.
Tinha um balão de gás hélio, um suporte improvisado, um objeto pendurado com um contrapeso e um cartaz que tinha o nome dela escrito com letra firme — como se ela tivesse assinado um contrato.
Eu senti meu peito apertar e, sem perceber, acelerei o passo. Depois acelerei mais. E, quando me dei conta, eu estava correndo.
— Liv! — eu gritei, antes de pensar.
Só que eu me contive no último segundo e parei a centímetros dela, como se existisse uma linha invisível de “sem demonstrações de afeto em público”. Eu quase tropecei na própria empolgação.
Olívia levantou os olhos com a calma de quem já esperava. Ela me encarou por um segundo, séria, analisando. E então fez uma concordância simples com a cabeça, como se estivesse autorizando um procedimento.
— Libero um abraço.
Eu ri e puxei ela pra perto com cuidado.
Eu abracei rápido, porque eu sabia que ela não gostava de abraços longos, mas não consegui evitar murmurar no ouvido dela:
— Senti sua falta.
Olívia não respondeu com palavras. Ela só ficou ali, e isso, vindo dela, já era uma declaração enorme.
Quando eu me afastei, eu ainda estava sorrindo.
E foi nesse exato instante eu vi o Logan se aproximando.
Ele vinha andando na direção da mesa com aquela postura que só ele tinha. Estava falando alguma coisa para a Olívia, provavelmente analisando algum projeto rival ou comentando alguma estratégia.
E então ele viu.
O olhar dele passou por mim e pelo Rômulo e… ele parou. Travou. Como se a realidade tivesse colocado um obstáculo na frente dele e ele precisasse recalcular.
Por um segundo, eu também travei.
Ele apertou a mandíbula, recuperou o controle e cumprimentou primeiro o Rômulo, com a frieza polida de homens que se medem sem sorrir.
— Vianna.
Rômulo respondeu no mesmo tom cordial.
— Novak.
E então o Logan olhou pra mim e fez um aceno pequeno, contido. Um cumprimento que parecia uma frase inteira engolida.
— Mareu.
Eu poderia ter ficado só nisso. Eu poderia ter devolvido um “Logan” e pronto. Um cumprimento educado, sem abrir brecha.
Mas meu corpo inteiro entrou em modo de defesa. Meu cérebro foi direto para: não deixa ele achar que você invadiu, não deixa ele achar que você tá aqui por ele, não deixa ele achar nada.
Ah, claro, também não deixa ele chamar a polícia. Isso é importante.
E, quando eu me dei conta, eu estava falando demais.
— Foi a Olívia quem me convidou — eu soltei, rápido, com a voz meio alta demais. — Eu só… queria ver o projeto dela porque… bem, ela me convidou. E eu queria ver a Liv também, claro, e acho que ela também queria me ver porque… eu já disse que foi ela quem me convidou?
O silêncio ficou estranho por um segundo, como se até os cartazes de ciência tivessem parado pra me julgar.
Logan piscou devagar.
— Sim — ele disse, seco. — Você disse.
Aí ele soltou um “fique à vontade” que parecia generoso, mas tinha aquele gosto de “eu estou fingindo que isso não me afeta”.
Eu engoli em seco.
Olívia, que não tinha paciência para constrangimento adulto, pegou minha mão como quem resgata uma pessoa de um incêndio.
— Vem — ela disse. — Vou te mostrar os concorrentes. O meu você já conhece.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...